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Uva Niagara: pico da oferta poderá mudar para o mês de agosto em SP

A sazonalidade da uva Niagara no Estado de São Paulo poderá sofrer uma inversão nos próximos anos, com o seu pico de oferta passando do final do ano para o mês de agosto. Isto porque a região de Campinas, tradicional produtora de Niagara, vem perdendo área cultivada e muitos produtores nos últimos anos, enquanto na região de Jales a atividade cresce e se torna alternativa interessante para a diversificação das atividades rurais. É o que mostra estudo desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) e do Instituto Agronômico (IAC-APTA), vinculados à Secretaria de Agricultura e Abastecimento. A Niagara vem perdendo espaço na região de Campinas, principalmente devido à valorização da terra. Já na região de Jales, especializada no cultivo de uva fina de mesa, a Niagara vem ganhando importância econômica. A partir de levantamentos qualitativos e quantitativos (mediante questionário), os pesquisadores Priscilla Rocha Silva, Maria Lucia Maia, Antonio Ambrosio Amaro, Marli Dias Mascarenhas Oliveira e Maurilo Monteiro Terra analisaram a produção de uva Niagara nas duas regiões, os canais de comercialização e o relacionamento entre produtores e agentes comerciais, além de identificar formas organizacionais na produção. Perfil da produção A principal diferença apontada pelos pesquisadores é a tradição do viticultor da região de Campinas em contraponto à adaptação do viticultor da região de Jales que está introduzindo a uva Niagara em seus parreirais. Dos produtores entrevistados na região de Campinas, 79% residem na propriedade (a maioria médios), 42% não recebem assistência técnica (a maioria famílias tradicionais) e 42% não fazem parte de organização (sindicalismo é a forma mais freqüente de organização). E a mão-de-obra familiar é importante na região, com a família do produtor participando em todas as propriedades. Já na região de Jales, a cultura é recente e ainda ocupa pequena área nas propriedades. Dos produtores entrevistados, 60% não residem na propriedade (este percentual sobe para 67% no caso dos produtores médios). Como a Niagara é menos exigente em mão-de-obra e o custo de produção é menor (em relação à uva fina de mesa), tornou-se alternativa para os produtores se manterem no setor rural. Além disso, “o preço praticado na comercialização nos meses de colheita dessa região, uma vez que ocorre na entressafra das demais regiões”. Dos entrevistados, 60% não recebem assistência técnica e 50% não fazem parte de nenhuma organização. E a mão-de-obra familiar está presente em 100% das propriedades visitadas. Na região de Campinas, a produtividade média é de 2,3 kg por pé e a colheita se estende de novembro a fevereiro. “A maioria dos produtores entrevistados, para conseguir maior renda na produção, realiza poda fora de época, o que resulta em outra colheita de abril a junho no mesmo ano safra”, dizem os pesquisadores. Em 62% das propriedades, a participação do plantio de uva Niagara é superior a 60% da área total das propriedades, o que mostra relativa especialização do produtor independente do tamanho. Apesar da urbanização dessa região, existem 8,3% de pés novos (191,58 mil, para 2,1 milhões de pés em produção), o que demonstra que os produtores continuam investindo na atividade. Porém os produtores médios são os mais receosos em implantar novos parreirais. Já na região de Jales a produtividade média da uva Niagara alcançou 13,6 kg por pé. O cultivo vem se expandindo com participação significativa de pés novos (30,2% do total, 21,28 mil pés novos). “O investimento e o interesse pela cultura na região tem demonstrado crescimento”, dizem os pesquisadores. Comercialização Os produtores da região de Campinas adotam mais o sistema de consignação na venda do seu produto do que os produtores da região de Jales, por causa da proximidade ao mercado paulista. O preço médio alcançado na venda consignada foi de R$ 1,48 o quilo, enquanto aqueles que venderam a preço feito alcançaram R$ 1,37/kg. Já na região de Jales, onde 100% utilizam o sistema de preço feito, os produtores conseguiram a média de R$ 2,30/kg nas últimas três colheitas. A localização geográfica e a colheita na entressafra da região tradicional fazem com que a produção de uva Niagara na região de Jales, embora ainda pequena, encontre seu principal mercado em outros estados brasileiros. “Os principais fatores que influenciam nas especificidades da comercialização de uva Niagara, adotada pelos produtores das duas regiões, são a distância do maior mercado consumidor do Brasil e suas diferentes épocas de colheita.” Os pesquisadores concluem que muitos viticultores estão deixando a atividade na região de Campinas nos últimos anos, o que contribui para a maior profissionalização daqueles que permanecem na atividade. “Ou seja, hoje a cultura da uva Niagara tem como produtor principalmente o empresário rural, mão-de-obra especializada e investimento em tecnologia de produção.” Por sua vez, na região de Jales, “há um esforço tanto de produtores quanto da pesquisa e técnicos locais para que a cultura se desenvolva. Em contrapartida, existe muito desconhecimento do produtor sobre a cultura e problemas com mão-de-obra não especializada”. O estudo “Produção e comercialização de uva Niagara nas regiões de Campinas e Jales, Estado de São Paulo”, foi publicado na revista “Informações Econômicas” (edição de dezembro/2008) cuja versão eletrônica está disponível no site www.iea.sp.gov.br. Assessoria de Comunicação da APTA José Venâncio/Maitê Laranjeira (11) 5067-0424
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