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Uso do lodo de esgoto na agricultura, em simpósio interamericano no IAC

O uso agrícola do lodo de esgoto será um dos assuntos discutidos no VII Simpósio Interamericano de Biossólidos, que acontece de 26 a 28 de outubro em Campinas (SP), com a presença de palestrantes de diversas regiões do Brasil, Estados Unidos e México. O evento é organizado pelo Instituto Agronômico (IAC-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento; Embrapa Meio Ambiente e Associação Brasileira de Engenharia Sanitária (ABES).
Na agricultura, esse resíduo se transforma em fonte de nitrogênio e de fósforo para adubação de plantas. Estudos demonstram que o lodo é um excelente adubo orgânico e que seu efeito no solo perdura mesmo após o encerramento da sua aplicação.
Na composição do lodo, há nitrogênio e fósforo e, dependendo da cultura e da fertilidade do solo, o complemento desses nutrientes por adubação mineral poderá ser totalmente ou parcialmente dispensável. “Apenas o potássio teria de ser adicionado via fertilizante mineral, já que não é um nutriente encontrado em grandes quantidades no lodo”, diz o pesquisador Ronaldo Berton, do Instituto Agronômico (IAC-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
Berton explica que com essa tecnologia há uma grande economia por parte dos produtores, já que para aplicar, por exemplo, 100 kg de nitrogênio e 60 kg de fósforo seriam gastos cerca de R$ 240 por hectare. Sendo o lodo distribuído de forma gratuita, o produtor arcaria apenas com o custo da aplicação, feita anualmente.
Além de ser mais barato que o adubo comercial, o lodo contribui para reduzir a mão de obra na fase de adubação e os custos relacionados – economia que envolve hora de trabalho de homem e de máquina, além de combustível. Isso porque a dosagem de lodo pode ser aplicada por completo no momento do plantio, enquanto o adubo mineral é colocado também em outras duas ou três vezes depois, em cobertura. “Isso se dá, porque o lodo libera nitrogênio para a planta mais lentamente e, por estar na forma orgânica, o elemento não é lavado rapidamente pela chuva, permanecendo assim por mais tempo ao alcance das raízes”, explica Berton.
O uso desse adubo orgânico na agricultura é vantajoso tanto para os produtores como para os contribuintes, já que o lodo precisa ser disposto em aterros sanitários, que representam cerca de 50% do custo total de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). O valor é alto, visto a quantidade de lodo gerado – aproximadamente 20% do total do tratamento. Para se ter uma ideia, uma cidade com cerca de um milhão de habitantes deverá gerar em torno de 150 toneladas/dia de lodo, quando tiver 100% de seu esgoto tratado.  
Mesmo com a economia e vantagem, apenas 3% do lodo gerado são destinados à agricultura no Brasil. Nos Estados Unidos, esse total chega a 65%. Esse quadro se explica pelo fato de o tratamento do esgoto doméstico ser prática recente no Brasil, diferentemente dos outros países.
Apesar de todos os benefícios, na composição do lodo existem metais pesados, poluentes orgânicos e patógenos que podem prejudicar solo e mananciais, além dos alimentos. Para garantir o uso seguro desse resíduo, foi criada a Resolução nº 375 do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) em 2006, que estabelece as regras e as restrições para o uso agrícola do lodo.
Pelo CONAMA, só é permitida a aplicação do lodo em culturas que não sejam de consumo direto, como da cana-de-açúcar e algodão, e naquelas cujas partes comestíveis não entrem em contato direto com o lodo, como o milho. “Devido à origem do lodo, sempre haverá restrições ao seu uso na agricultura. O produtor não pode aplicá-lo em sua propriedade sem estar ciente das restrições e obrigações. Se for aplicado seguindo a resolução CONAMA 375, os aspectos negativos estão controlados”, explica Berton.
Para avaliar a resolução 375, foi realizado em 2009 – também no IAC – o “Workshop: Uso agrícola do lodo de esgoto: avaliação após a Resolução nº 375 do CONAMA”. No evento foi discutido o que já havia sido feito e o que precisava melhorar na norma. Para registrar as palestras e discussões que surgiram durante o workshop, será lançado o livro “Uso agrícola do lodo de esgoto: Avaliação após a resolução nº 375 do CONAMA”, no dia 26 de outubro, durante o VII Simpósio Interamericano de Biossólidos. O livro tem como uma das organizadoras, Aline Coscione, pesquisadora do IAC. “O livro é acrescido de opiniões técnicas sobre assuntos diversos relacionados ao uso agrícola do lodo de esgoto, de forma a subsidiar o avanço no tema e contribuir para a próxima revisão da norma, em 2013”, explica Aline. 
O livro foi organizado pela pesquisadora do IAC, juntamente com Thiago Nogueira e Adriana Pires. O lançamento será durante o VII Simpósio Interamericano de Biossólidos, na tarde do dia 26 de outubro. Os exemplares serão comercializados no lançamento e também durante os três dias de evento. Haverá sorteio de exemplares nos retornos do coffee break do Simpósio.
O evento
O “VII Simpósio Interamericano de Biossólidos” será realizado no Auditório “Otávio Tisseli Filho”, na sede do IAC – Av. Barão de Itapura, 1.481, Campinas (SP).  As atividades começam às 8h e terminam às 17h30, exceto no dia 28, quando o encerramento será às 12h. 
Durante o evento, serão discutidas as tecnologias modernas e inovadoras no processo de tratamento do lodo, com apresentação de trabalhos científicos. Haverá também discussões sobre a legislação e a difusão da experiência do uso do lodo onde a prática já é consolidada.
Haverá a participação de palestrantes da Ohio State University, United States Environmental Protection Agency (US-EPA), Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM-México), Metropolitan Water Reclamation District of Greater Chicago, Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb/Brasília), Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino FAE São João da Boa Vista (UNIFAE), Instituto Federal do Espírito Santo, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Sabesp/SP, Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) e Copasa/MG (adaptação do texto original de Fernanda Domiciano).  
Assessoria de Imprensa do IAC
Carla Gomes
Fernanda Domiciano (estagiária)
Assessoria de Comunicação da APTA
José Venâncio de Resende
(11) 5067-0424
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