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Usinas freiam investimento em açúcar destinado a varejo

Enquanto o álcool brasileiro está em uma de suas melhores fases, com demanda aquecida nos mercados interno e externo e o interesse por açúcar no exterior segue elevado, as usinas brasileiras puxaram o freio de mão nos investimentos voltados para suas marcas de açúcar comercializadas no varejo. Não que o faturamento do açúcar no varejo seja desprezível, mas esse é um mercado que pouco cresce. Segundo dados da ACNielsen, as vendas do produto movimentou R$ 2,245 bilhões em 2005, um crescimento de 17,4% sobre o ano anterior. Em volume, foram negociados no mercado 2,161 milhões de toneladas, 0,9% acima de igual período do ano anterior. Com um consumo ligeiramente em queda nos últimos anos, as usinas com posicionamento no varejo trabalham apenas para manter sua participação no mercado. "É uma tendência mundial de menor consumo de açúcar [direto], por conta de preocupação com a saúde e estética", lembra Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica). Crescente é o consumo de açúcar voltado para as indústrias de alimentos e bebidas. Neste caso, o consumo do açúcar é feito de forma indireta, observa Padua. Entre as empresas com estratégia definida para seu posicionamento no varejo destaca-se o grupo Nova América. Detentor da marca União, líder no varejo, desde o ano passado, após negociação com a Copersucar, o grupo definiu estratégia própria e equipe específica para trabalhar a marca União nos supermercados, afirmou Melchíades Terciotti, diretor do grupo. O grupo não prevê, por enquanto, campanhas de marketing na mídia. A Nova América também é detentora das marcas Dolce, Doçula e Neve, que ainda são mantidas no mercado por terem uma boa penetração regional. A estratégia do Grupo Tereos, controlador da Açúcar Guarani, é pouco ambiciosa para o varejo há algum tempo. O grupo detém a marca Guarani, com atuação no sudeste do país. Segundo Paulo José Mendes Passos, diretor comercial do grupo, não há previsão de investimentos nesta área. "Não temos interesse. É um mercado estável, muito difícil de crescer." No Grupo Cosan, o maior do país, os investimentos também não são pesados nesta área. O grupo detém a marca Da Barra, uma das concorrentes da União no país. Em 2004, o Cosan trabalhou a revitalização da marca e criou produtos alimentícios sob o guarda-chuva Da Barra para reforçar os produtos do grupo no varejo. Para este ano, os investimentos são para manter a marca, mas sem uma preocupação de aumentar sua participação, informou uma fonte do grupo. Apesar dos desinteresse da maioria dos grupos em investir no aumento da participação de suas marcas no varejo, esse segmento responde por uma boa fatia do seu faturamento. No Tereos, o varejo responde por 25% da receita. No caso da Nova América, o varejo representa 47% do faturamento da divisão de açúcar. A divisão de açúcar é o carro-chefe da companhia, com 85% do faturamento total. O grupo também atua nas áreas de suco de laranja e logística. Um levantamento realizado anualmente pela revista "Supermercado Moderno", especialista em varejo, mostra que a categoria de açúcar refinado sofreu uma retração de 5% em volume no varejo de auto-serviço no ano passado. Em sua pesquisa de reconhecimento de marca, o grupo Nova América aparece com 57% de preferência em 2006 entre os supermercadistas, ante 63% em 2005. Das marcas do grupo, a União é a mais lembrada, e a Dolce ocupa o terceiro lugar. O grupo Alto Alegre aparece em segundo lugar, com 12% da preferência, ante 7% de 2005. Sua marca (também Alto Alegre) é a segunda mais lembrada. O Cosan, controlador da usina Da Barra, é o terceiro na preferência dos supermercadistas. Mas sua marca Da Barra é a quarta mais lembrada.
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