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USDA projeta estoque maior de milho nos EUA

O relatório de oferta e demanda para grãos divulgado ontem pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), elevou a projeção para os estoques finais de milho naquele país na safra 2006/07, mas isso não pressionou o mercado. Ontem, o contrato com vencimento em julho fechou com alta de 5 centavos de dólar na bolsa de Chicago, a US$ 3,8125 por bushel. O que sustentou os ganhos foram as previsões de clima chuvoso e frio até o dia 20, o que poderia atrasar o plantio da próxima safra de milho no país, observou Paulo Molinari, da Safras&Mercado. Para o analista, a partir de agora, alterações entre 1 milhão e 2 milhões de toneladas nos estoques finais de milho dos EUA não devem modificar o mercado. O foco estará no clima, já que para atender a crescente demanda por etanol, o país deve elevar sua área de plantio de milho para 36,6 milhões de hectares, 15% mais que em 2006/07. O USDA elevou os estoques finais de milho americano em 2006/07 para 22,28 milhões de toneladas, ante projeção de 19,10 milhões em março. Os números para a safra americana foram mantidos em 267,6 milhões de toneladas. De acordo com Molinari, o aumento nos estoques está relacionado ao menor consumo doméstico de milho, que foi revisado de 151,8 milhões para 148,6 milhões de toneladas em 2006/07. A razão para essa revisão, diz Molinari, é que os criadores de gado bovino estão utilizando mais DDG (Distillers Dried Grains) - um subproduto da produção de etanol à base de milho - em substituição ao milho. Ele observou que o USDA manteve inalterada a previsão para as exportações americanas, estimada em 57,15 milhões de toneladas. O USDA elevou a projeção de produção para o Brasil em 1,5 milhão de toneladas, para 49,5 milhões. Molinari considerou "exagerado" o número. A Safras prevê 48 milhões de toneladas. O USDA manteve a projeção para as exportações brasileiras em 6,5 milhões de toneladas. "Se isso se confirmar, pode haver um colapso nos preços [internos]", disse. Flávia Moura, analista da Fimat Futures, acrescentou que nessa fase de plantio da safra nova nos EUA, todo o mercado de grãos deverá oscilar seguindo as previsões climáticas. "Até que saia a primeira estimativa para a safra sul-americana, em junho, os preços seguirão as condições das lavouras americanas", afirmou. Para a soja, há previsões de melhora do clima do Meio-Oeste dos EUA, o que poderá facilitar o plantio. Conforme Renato Sayeg, da Tetras Corretora, surpreendeu no relatório a elevação do estoque inicial brasileiro para 16,73 milhões de toneladas. A safra atual foi projetada em 58,8 milhões de toneladas e o estoque final foi elevado em 1,54 milhão de toneladas, para 17,64 milhões. Os estoques globais também foram elevados em 3,52 milhões de toneladas, para 61,02 milhões. "Outra surpresa foi a redução das importações da China para 31 milhões de toneladas, quando o mercado prevê 32 milhões", disse Sayeg. Conforme o analista, os contratos de soja negociados em Chicago encontraram sustentação ontem na alta das commodities de energia e do óleo de soja e, por isso, não cederam mais. O contrato para julho recuou 6 centavos de dólar, para US$ 7,6050 o bushel. Mais sobre USDA à Página B14
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