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Uma Truta com jeito de salmão

O lançamento de um interessante produto originário da aqüicultura ocorreu no dia 25 de outubro, em Campos do Jordão (SP), no Hotel Home Green Home: a truta salmonada de grande porte. Na oportunidade, foram servidos, à base desse peixe, vários pratos da culinária japonesa tradicional e pratos quentes, acompanhados de arroz preto, uma nova variedade desse cereal, obtida pelo Instituto Agronômico de Campinas. A truta salmonada de grande porte foi produzida na Estação Experimental de Salmonicultura de Campos do Jordão, vinculada ao Pólo Regional do Vale do Paraíba, da APTA (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios), ligada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. As trutas e os salmões, principais representantes da família dos salmonídeos, são classificados, sob o ponto de vista dietético, como pescado branco, diz Yara Aiko Tabata, pesquisadora da referida Estação. Contudo, ela explica, quando esses peixes são capturados diretamente de seu ambiente natural, apresentam coloração laranja-avermelhada (salmonada), sobretudo na pele e na musculatura, bastante apreciada pelos consumidores. Essa coloração se deve ao tipo de alimento que os salmonídeos consomem na natureza, constituído de pequenos animais, especialmente crustáceos e moluscos, que contêm altas concentrações de carotenóides, cuja síntese é auxiliada por algas e leveduras ingeridas como alimento. Os carotenóides são pigmentos amplamente distribuídos na natureza, responsáveis pelas cores laranja, amarela e vermelha das frutas, tubérculos, raízes, flores, invertebrados, pescados e pássaros. A cenoura, por exemplo, é uma raiz rica em carotenóides. Os salmonídeos são incapazes de sintetizar esses carotenóides e, portanto, quando criados em cativeiro, sua dieta deve incluir tais pigmentos, a fim de que os peixes adquiram a coloração salmonada, observa Yara. Tal procedimento é fundamental para aumentar a competitividade desse tipo de pescado, em especial daquele apresentado em forma de filé, uma vez que o impacto visual provocado pela coloração da carne é um dos critérios de seleção mais decisivos na comercialização. Dentre os pigmentos, complementa a pesquisadora, a astaxantina é o mais comumente empregado, por permitir uma salmonização mais rápida, mais homogênea e com tonalidade mais próxima da selvagem. Produção de salmonídeos Em comparação com peixes tropicais, diz a pesquisadora Yara Tabata, a truta tem limitado potencial de produção no Brasil, por seu cultivo estar restrito às regiões de águas frias. Contudo, revela a especialista, através da utilização de biotecnologia, de mão-de-obra qualificada, de equipamentos adequados e de rações bem elaboradas, esses sistemas aquáticos poderão ser mais intensamente explorados. O pesquisador Marcos Guilherme Rigolino (rigolino@aquicultura.br), outro participante do projeto da truta salmonada, acrescenta que o limitado potencial de produção de salmonídeos no Brasil, pela escassez de águas frias, poderá ser compensado pela exploração racional desses sistemas aquáticos, através da utilização de tecnologias adequadas, permitindo melhores condições de competitividade, contribuindo para reduzir a importação e, assim, minimizando os impactos provocados pela introdução de novas doenças. Rigolino salienta que, para se criar truta, é fundamental a escolha de local adequado, isto é, cujas condições ambientais sejam favoráveis ao bom desempenho do animal. Águas frias, limpas e em abundância, aliadas ao conhecimento das técnicas de cultivo, são requisitos básicos para o êxito de uma truticultura. Entre os salmonídeos, o salmão-do-Atlântico e a truta-arco-íris são os mais intensamente cultivados. O primeiro é uma espécie anádroma: desova em água doce e cresce no mar. O segundo tem o ciclo de vida na forma “landlocked”, isto é, desenvolvido completamente em água doce. Por estar restrita às águas frias, a exploração de salmonídeos no Brasil limita-se aos tipos residentes em água doce, considera o especialista Rigolino. Na Estação Experimental de Campos do Jordão, estão disponíveis a interessados alevinos estéreis, obtidos pela triploidização, bem como por métodos destinados à otimização do processo de salmonização. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone: (12) 3663-1021 e também pelo site: www.aquicultura.br/truta.
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