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Tecnologias paulistas podem contribuir para desenvolver a cadeia de produção de macadâmia

A diversificação da agricultura colabora com a segurança alimentar e possibilita o aumento na renda dos agricultores. Entre as espécies que podem ter seu cultivo expandido na agricultura brasileira está à macadâmia, noz com alta qualidade nutricional. Ela também tem uso na indústria cosmética e em projetos de restauração e regularização ambiental de áreas de Reserva Legal. O Instituto Agronômico (IAC-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA), desenvolve pesquisas com a macadâmia e foi o pioneiro na introdução da noz no Brasil. Juntamente com os outros institutos que compõem a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), pode contribuir com a expansão dessa cadeia de produção.

Segundo Graciela da Rocha Sobierajski, pesquisadora do IAC, o Brasil possui áreas com clima e condições ambientais propícias para a cultura, que deve ser plantada no verão. Esta estação é a mais adequada por conta das chuvas. Para este ano, é previsto aumento de 20% na produção, de acordo com a Nutfruit Magazine, revista do International Nut & Dried Food (INC), edição de novembro de 2019.
Atualmente, a produção está concentrada em Minas Gerais e São Paulo, nesta ordem. Os principais países produtores da cultura são África do Sul, Austrália e Quênia. A planta é originária da Austrália, que além de ser uma grande produtora também é uma ávida consumidora, com investimentos em pesquisas e marketing.

A produtividade, que na média está em 2.359 quilos, por hectare, por ano, é considerada um gargalo para quem investe nessa planta, que requer cinco anos para dar início à produção. “O aumento da produção pode ocorrer por meio da expansão das lavouras, lançamento de novas cultivares, produção de mudas, novos sistemas de produção, alinhamento entre produção e qualidade, sanidade da cultura e técnicas para evitar perdas na colheita e pós-colheita”, diz a pesquisadora do IAC.

A noz também pode ser usada em projetos de restauração e regularização ambiental de áreas de Reserva Legal. De acordo com o Código Florestal Brasileiro, 50% das espécies devem ser nativas e outras 50% podem ser exóticas. Outra opção é o cultivo da macadâmia em áreas antes utilizadas por outras culturas. Por exemplo, a cultura da cana-de-açúcar teve redução de 2,8% de sua área de plantio, o que representa na região Centro-Sul aproximadamente 1 milhão de hectares.

Durante o workshop Macadâmia – Contribuições para o Desenvolvimento da Cadeia Produtiva no Estado de São Paulo, realizado pelo IAC em dezembro de 2019, pesquisadores discutiram algumas alternativas para expansão da cultura em São Paulo e outros estados.
Durante o evento no IAC, Thiago Gimenez Barbosa, da Syntropic Farms Co., que atua há 13 anos na Austrália na área de agricultura agroflorestal, destacou que o Brasil e a Austrália possuem similaridades ambientais, o que pode permitir adaptação de cultivares australianas ao clima brasileiro, possibilitando a ampliação da produção nacional.

Outro ponto destacado foi a importância na transferência do conhecimento dos produtores australianos para o crescimento da produção brasileira. “Em parceria com pesquisadores, busco transferir informações, pois temos condições de expandir o mercado nacional”, afirma Barbosa.

O presidente da Associação Brasileira de Nozes, Castanhas e Frutas Secas (ABNC), José Eduardo Mendes Camargo, avaliou positivamente o evento. “Vejo com bons olhos esse alinhamento das instituições para a promoção da macadâmia, que é uma noz que proporciona ótima oportunidade de mercado”, diz.

Para o assessor do gabinete da SAA, Edwin Montenegro, os órgãos de pesquisa, extensão e defesa agropecuária da Pasta têm plenas condições de contribuir com a cadeia de produção de macadâmia em São Paulo. “Nossa equipe atua em toda a cadeia, desde as pesquisas em melhoramento de cultivares, sanidade e adubação, de forma que podemos oferecer um pacote tecnológico para os produtores”, diz.
Potencial para uso em sistemas agroflorestais e como pagamento por serviços ambientais

Dados do Levantamento das Unidades de Produção Agropecuária (Lupa), realizado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) e Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS) mostram que a noz está em 132 municípios brasileiros. Segundo a pesquisadora do IEA, Terezinha Joice Fernandes Franca, por meio do Lupa é possível desenvolver linhas de pesquisas sobre a cadeia de produção, viabilidade econômica e rentabilidade em comparação com outras culturas. “Estamos avaliando a possibilidade da macadâmia ser utilizada em sistemas agroflorestais; no momento possuímos experimento na região da Bocaina, em São Paulo”, comenta.

Por Mônica Galdino (MTb 47045) e Carla Gomes (MTb 28156)
Assessoria de imprensa IAC

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