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Sobra de farelo emperra indústria de soja

As maiores esmagadoras de soja que atuam no país - Cargill, Bunge e Louis Dreyfus - estão paralisando suas unidades em plena safra, até dez dias por mês. Estoques altos de farelo e a valorização nos preços do grão superior à alta verificada no farelo e no óleo reduziram as margens de ganho das esmagadoras e desestimularam o processamento da safra. Levantamento do Valor Data aponta que os preços da soja em grão negociada na bolsa de Chicago subiram 32,22% nos últimos 12 meses. O preço médio do farelo, por sua vez, aumentou 22,93% e o do óleo, 38,39%. O cálculo considera os contratos futuros de segunda posição, normalmente os de maior liquidez. Diferentemente do que ocorre com a cana, cuja moagem rende açúcar ou álcool, o processamento da soja gera necessariamente óleo e farelo - normalmente 20% de óleo e 80% de farelo. Essa proporção faz com que o ganho médio das indústrias em relação aos preços praticados no ano passado seja em torno de 26%, quando o custo da matéria-prima subiu 32,22%. "As indústrias operam com uma margem negativa que varia de R$ 1,50 a R$ 2 por saca e o preço do farelo está caindo à medida que a demanda mundial pelo óleo cresce para atender ao setor de bioenergia", afirma Renato Sayeg, da Tetras Corretora. Sayeg observa que a demanda por óleo no mercado físico tem crescido e estimulado a alta nos preços da commodity. Neste mês, por exemplo, o preço do óleo subiu 5,96% na bolsa de Chicago. Na sexta-feira, o contrato para julho fechou cotado a 33,57 centavos de dólar por libra-peso, em alta de 37 pontos. "O comportamento do óleo segue o mercado de energia. O problema é que mais óleo significa muito mais farelo, sem uma demanda equivalente", diz Sayeg. No mês, o preço médio do farelo recuou 3,76% em Chicago. O contrato para julho encerrou a última sexta-feira em queda de US$ 2,20, cotado a US$ 204,70 por tonelada. Cibelle Bouças Fonte: Valor Econômico
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