cabecalho apta130219

Sobe preço de derivados do trigo

Pães, biscoitos e macarrão estão entre os produtos alimentícios que vão ficar com os preços mais salgados nos próximos meses. A previsão é do presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias (Abima), Claudio Zanão. Ele estima a alta de preços aos consumidores entre 5% e 10%, mesmo depois de alguns repasses já ocorridos nos seis primeiros meses do ano. A perspectiva de encarecimento deve-se às crescentes dificuldades de a Argentina suprir a demanda do mercado brasileiro. Os argentinos, que desde maio embargaram as exportações de trigo para controlar a inflação doméstica, agora têm problemas também para processar a farinha de trigo e entregá-la no prazo, por causa da crise energética. Dessa forma, as indústrias alimentícias estão sendo obrigadas a recorrer aos fabricantes nacionais, cujos preços são pelo menos 10% maiores que os similares argentinos, que são subsidiados. - Infelizmente, a conta dos fortes reajustes na cadeia do trigo vai chegar ao consumidor, porque os custos tornaram-se muito pesados para a indústria- disse Zanão. O presidente da Abima admite, porém, que as negociações de repasse às redes de supermercados serão duras, fazendo que os reajustes cheguem aos poucos aos clientes, à medida em que os estoques sejam renovados. De qualquer forma, afirma que não haverá alternativa diante do quadro de escassez e encarecimento de matéria-prima, previsto para os próximos meses. Nem o dólar baixo, motivo de queda generalizada dos preços no atacado, poderá alterar o viés de alta das massas. O motivo é a queda mundial da safra de trigo, o que tem puxado os preços para cima em dólares. Segundo Zanão, a tonelada de trigo importada da Argentina, que custava US$ 180 ou US$ 190 em janeiro, avançou para US$ 250 este mês, 31,5% de aumento. E pior: o preço poderá atingir US$ 270 em dois ou três anos. Em contrapartida, ele reconhece que as importações de massas alimentícias podem aumentar, porque o dólar fraco torna os produtos estrangeiros mais baratos. Especialistas destacam, contudo, que o poder de fogo das multinacionais será limitado, porque elas também sofrem os impactos da alta do trigo no mercado mundial. Apesar disso, as indústrias italianas de massas são as mais indicadas para ampliar a participação no mercado brasileiro. A razão é que o país, o maior fabricante de massas no mundo, de 3,2 milhões de toneladas ao ano, destina grande parte da produção ao mercado externo. Mas, a princípio, a seqüência de altas dos preços dos derivados do trigo - iniciada com reajuste médio de 10% no atacado desde abril e refletindo só agora em aumento nas prateleiras de 3% a 4% - pode afetar o consumo. - As compras têm razão proporcional ao preço - afirma Zanão. - É possível que haja algum reflexo. Até agora, os consumidores brasileiros estão sendo poupados da forte correção do trigo e seu principal derivado. Segundo dados do economista André Braz, da Fundação Getúlio Vargas, o pão francês, apesar da alta da farinha de trigo de 2,78% no primeiro semestre, teve alta de apenas 0,14% no período. Algo que tem a ver com o caráter popular do produto e a chiadeira generalizada quando de seu reajuste. Outros itens, porém, já acompanham mais rapidamente o salto do trigo no ano. Biscoitos já foram reajustados em 4,14%; o pão de forma, em 6,31% no primeiro semestre. Mas a trégua dos preços parece com os dias contados.
Pin It

Notícias por Ano