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São Paulo é o Estado brasileiro com mais informações climáticas graças ao banco de dados do IAC

 Os bancos de dados são importantes para armazenamento de informações históricas que podem ser fundamentais para o desenvolvimento futuro. Este é o caso do registro de dados climáticos do Instituto Agronômico (IAC-APTA), de Campinas, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Há 123 anos o IAC registra precipitação pluvial, umidade relativa do ar e temperatura de dezenas de cidades paulistas. São 131 estações meteorológicas automáticas e a expectativa é que até o final de 2014 este número chegue a 200. Devido à excelência dos trabalhos realizados pelo IAC, o pesquisador Orivaldo Brunini (foto) foi agraciado pela Associação Brasileira de Lideranças (Braslider) com o prêmio Mérito Profissional na área de Monitoramento Ambiental e Hidrometeorológico no Estado de São Paulo, em junho de 2013.

 

Graças aos trabalhos do IAC, São Paulo é hoje o Estado com a maior quantidade de informações meteorológicas do País, usadas para orientar as atividades no campo – como o plantio de variedades adaptadas às condições climáticas da região em que se cultiva, com menor impacto ambiental e menor desperdício de produtos. Nas cidades, os dados contribuem para geração de informações para a Defesa Civil.
Orivaldo Brunini trabalha no Instituto Agronômico desde 1973. São 40 anos de dedicação às pesquisas climáticas do Instituto. De acordo com o site da Braslider, o prêmio reconhece publicamente aqueles que se destacam perante a sociedade nas mais diversas áreas. “Esta premiação têm dupla importância. A primeira por valorizar o meu trabalho no IAC e a segunda é o reconhecimento do Instituto por outras instituições”, afirma Brunini.
O Centro Integrado de Informações Agrometereológicas (Ciiagro), do IAC, tem um dos acervos mais antigos do Brasil, com início em 1890. São 123 anos de armazenamento ininterrupto de dados de temperatura, chuva e umidade relativa do ar, que servem para avaliar cenários e transferir informações para os agricultores adequarem o manejo das culturas. O acervo permite também analisar se as chuvas que ocorrem no momento presente são fenômenos normais, já existentes em outras décadas, ou se poderiam apontar para alguma alteração no clima.
Sobre o clima atual, o pesquisador explica que o Estado de São Paulo possui um regime climático muito bem caracterizado com relação à distribuição de chuvas e regime térmico. “A área conhecida como Planalto Paulista, e aí estão incluídas as regiões da Serra da Mantiqueira, possui um inverno geralmente seco e com possibilidades de geada, no período compreendido entre junho e final de agosto”, completa. Brunini ressalta que neste ano já ocorreram três geadas no Estado, que afetaram algumas culturas.
Com relação ao regime hídrico, ele diz que, este período que se estende até setembro, é caracterizado como climaticamente seco. “As precipitações são baixas e as que ocorrem são devido à passagem de frentes frias”, diz. A baixa precipitação pluvial aliada às condições atmosféricas induz a um valor baixo da umidade relativa do ar. Brunini esclarece que a variabilidade de precipitação é normal em estudos climatológicos. “Isto não significa de maneira nenhuma mudança climática ou aquecimento global. São sim características normais de variabilidade e ocorrência de extremos climatológicos, normais em estudos de longa série”, destaca. Em Campinas, no período de 21 anos, o total de chuva em agosto tem média normal de 37,4 mm (são 37 litros de água a cada metro quadrado de solo). No último mês de agosto, o total de precipitação ficou abaixo de 10 mm. Já em agosto do ano passado, não houve nenhum registro de chuva. Outro aspecto a salientar é a ocorrência de estiagem agrícola, como definida pelo programa Ciiagro do IAC, considerada como “número de dias sequenciais sem total de chuva diário acima ou igual a 10 mm”. 
Rede do IAC atualiza dados a cada 20 minutos 
O Centro Integrado de Informações Agrometereológicas (Ciiagro), do IAC, soma 131 estações meteorológicas automáticas espalhadas por São Paulo, com informações atualizadas a cada 20 minutos. “Nenhum outro Estado brasileiro tem um acervo tão extenso como o nosso. Na América Latina, não há outro País com base de dados semelhantes”, afirma Brunini. As estações automatizadas são importantes, pois atualizam os dados com mais frequência e os enviam automaticamente ao site do IAC, unidades da Defesa  Civil e instituições  que trabalham com a previsão do tempo.

 

Segundo o pesquisador do IAC, um banco de dados é fundamental para as pesquisas agrometeorológicas assim como as coleções de plantas, chamadas de banco de germoplasma, são essenciais para os estudos de melhoramento genético. “O maior desafio mundial é a questão do aumento de temperatura e a escassez de água. Um banco de dados como o do IAC é fundamental para o desenvolvimento de novas pesquisas agrícolas, no desenvolvimento de variedades resistentes ao estresse hídrico, por exemplo”, explica o pesquisador premiado.
Em trabalho recente, o IAC mostrou que o aumento de temperatura não é um empecilho para o plantio de cana-de-açúcar e café no Estado de São Paulo e também nas outras áreas de cultivo no Brasil. “Estamos também finalizando o zoneamento  ambiental de  nove espécies de plantas florestais”, afirma Brunini.
O zoneamento agroclimático é essencial para os produtores rurais conseguirem empréstimo bancário e seguro agrícola. O trabalho consiste em identificar áreas com condições de chuvas e temperaturas adequadas para o plantio das culturas. O IAC já contribuiu com o zoneamento de mais de 50 espécies, entre elas algodão, milho, soja e feijão. O Instituto foi o primeiro a fazer o zoneamento agroclimático não somente de São Paulo, mas também do Brasil, por possuir essa base de dados.
As informações climáticas do IAC podem ser acessadas por qualquer computador ou celular conectado à internet, por meio do site do Ciiagro (http://www.ciiagro.sp.gov.br/). O Ciiagro tem cerca de 120 mil acessos por mês, ou seja, quatro mil acessos por dia. “Somos referência para outros Estados brasileiros e também para países como Angola, Moçambique e até mesmo Estados Unidos, que implantam sistemas meteorológicos inspirados no nosso”, explica o pesquisador do IAC.
As informações do Instituto Agronômico são bastante utilizadas por outras instituições de pesquisas brasileiras, universidades e pela Defesa Civil. Elas também compõem os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). 
Texto: Carla Gomes (MTb 28156) e Fernanda Domiciano
Assessoria de Imprensa – IAC
19 – 2137-0616/0613
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