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São Paulo: indústria da soja pede menos impostos

“Existe potencial de crescimento do biodiesel, mas temos que ter regras estáveis, transparentes, permanentes”, disse ontem o executivo. Ele calcula que a indústria tem 30% de ociosidade na produção de óleo de soja, principal matéria-prima para a produção do combustível no País. A principal demanda da indústria é o alívio da tributação que incide sobre o biodiesel de soja. Atualmente, existem quatro tipos de taxação. O combustível feito de soja no Centro-Sul do País é o que recebe a carga mais pesada, de R$ 218 por mil litros, similar à do diesel de petróleo. Na outra ponta, o biodiesel que tem mamona e palma da agricultura familiar do Norte e Nordeste como matéria-prima não é tributado. “São poucos os grandes grupos investindo no Brasil porque não há uma perspectiva clara de retorno por conta da questão tributária”, afirma Lovatelli. “Apoiamos a iniciativa do governo de incentivar a agricultura familiar, mas existe uma limitação técnica e quantitativa. Tem que haver incentivo para outras matérias-primas.” Outra questão a ser resolvida é a “desarrumação” do setor de biodiesel. Para o executivo, as discussões sobre o desenvolvimento do mercado brasileiro estão dispersas e é preciso reuni-las com a participação do governo federal. “Queremos conversar com o governo para ver quais os incentivos necessários para alavancar a produção, sem brigar com o setor de alimentos.” Para a indústria, o biodiesel tem papel estratégico para alavancar o setor de oleaginosas no médio prazo. “O biodiesel é irreversível e em três ou quatro anos será uma realidade.” Lovatelli não vê empecilhos para o crescimento da produção de soja para este fim e nem acredita que o aumento dos preços do óleo de soja vai prejudicar a oferta do combustível. Pelas contas do setor, o biodiesel consegue ser competitivo com o barril de petróleo acima de US$ 60, já considerando os atuais preços do óleo de soja. Na atual safra, a Abiove estima que da produção prevista de 3,6 milhões de toneladas de óleo de soja, 300 mil toneladas sejam destinadas à fabricação de biodiesel. Ameaça argentina Enquanto a indústria brasileira tenta organizar o mercado de biodiesel, a Argentina também se movimenta para incentivar a produção e até exportação do produto. O governo local anunciou uma tributação de 5% sobre as exportações do combustível, ante taxas de 27,5% e 24% nas vendas externas de soja em grão, farelo e óleo, respectivamente. A produção, entretanto, ainda é incipiente. A capacidade de processamento do país é maior que a do Brasil (150 mil toneladas/dia, contra 138 mil t/dia) e a indústria local compra, inclusive, soja brasileira para suprir a demanda por grão. Os vizinhos têm mais espaço, portanto, para a produção de óleo de soja, matéria-prima do biodiesel. “Há grandes players investindo em biodiesel na Argentina, incluindo a Bunge”, afirma Lovatelli, que também é diretor de relações institucionais da empresa. Com o incentivo à exportação, considera, o biodiesel argentino pode vir competir no mercado brasileiro. “O Itamaraty vai ter que criar uma política de boa vizinhança com a Argentina nessa questão, como aconteceu com o trigo.” (fonte: Parana Online)
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