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Sistema de Integração de lavoura, pecuária e floresta é desenvolvido por pesquisadores da APTA

A Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) realiza pesquisas com o sistema de integração de lavoura, pecuária e floresta (iLPF), com foco em resultados que contribuem para menor desmatamento, e maior conservação de solo e água. As pesquisas são realizadas na região de Pindamonhangaba, interior paulista. “A integração de lavoura, pecuária e floresta traz benefícios diretos e indiretos, com retorno financeiro garantido. Ainda que um dos componentes tenha sua produtividade comprometida, em função de uma possível competição ou por problemas inerentes às variações climáticas, a produtividade global é superior, compensada pelos demais componentes do sistema”, afirma o pesquisador da APTA, as Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Antonio Carlos Devide.

O sistema desenvolvido pela APTA no Polo Vale do Paraíba tem o objetivo de incentivar os agricultores na recuperação de pastagens degradadas mediante o estabelecimento de cultivo alternado de espécies agrícolas, forrageiras, florestais nativas e exóticas. Ao adotar o sistema iLPF, o produtor conserva mais o solo e a água em comparação ao sistema de monoculturas. Reduz também a pressão sobre ambientes naturais e, principalmente, as florestas, por otimizar o uso dos recursos naturais.

Os experimentos da APTA foram instalados em área de 9,52 hectares no Polo Regional Vale do Paraíba, em Pindamonhangaba, em novembro de 2014, com o preparo de solo por meio de aração e calagem, seguido da construção dos terraços em nível. As espécies arbóreas selecionadas foram as leguminosas leucena, cratíliae o eucalipto salignacomo recurso madeireiro. A pastagem selecionada foi a gramínea campim mombaça, e as árvores utilizadas foram eucalipto e seringueira, “O sistema é bem diferente do modelo de pecuária extensiva, que é a principal atividade no Brasil, responsável pela degradação dos solos e desflorestamento”, diz Devide.
O plantio foi feito no final de fevereiro de 2015, com as sementes de leucena e será complementado no segundo trimestre de 2015 com mudas de cratília e de eucalipto. Estão sendo feitas avaliações do potencial das leguminosas no fornecimento do alimento para o pastejo direto do gado de leite, período de forrageamento, disponibilidade de alimento na seca, fertilidade, conservação de solo e água, reflexos na produtividade e qualidade do leite, sanidade do gado e das plantas e lotação.
Vantagens do sistema
O iLPF é mais estável do que os sistemas tradicionais, pois busca a eficiência no uso dos recursos naturais, principalmente do solo e da água, por meio do aumento da biodiversidade. No aspecto empresarial, contribui para a estabilidade de rendimentos por meio da diversificação de produtos, como madeira, carne, leite e agricultura. “O sistema objetiva a estabilidade da produção face aos extremos climáticos e oscilações econômicas de commodities, além da melhoria dos indicadores socioeconômicos e ambientais”, explica o pesquisador da APTA.
Integrando a atividade de silvicultura, agricultura e pecuária obtém-se vantagens para o produtor, que terá maior diversidade de produtos. Segundo Devide, o melhor uso do solo inerente ao iLPF, reduz a pressão sobre as áreas florestadas. A fixação de carbono é superior em comparação aos sistemas tradicionais, já que seu uso gera equilíbrio, possibilitando maior fixação de carbono na vegetação e no solo em relação aos sistemas isolados, em que são trabalhadas as monoculturas. As culturas anuais vão sendo substituídas por outras mais tolerantes ao sombreamento nos espaços integrados. “A depender do nível de investimento, com mudas enxertadas, adubos, e outros, excetuando-se o componente mão de obra familiar dos custos, parte do investimento pode ser recuperado já no primeiro ano”, afirma o pesquisador.
Segundo Devide, os ganhos indiretos, como a conservação do solo e da água, nem sempre são mensurados, mas são superiores em comparação às monoculturas. “Os valores monetários devem ser calculados para uma determinada realidade agrária considerando, além de fatores socioculturais, o ambiente”. O pesquisador da APTA ressalta que o principal benefício é o bem estar animal. Como a pastagem é bem manejada, há menor infestação de parasitos, já que o animal não se separa do rebanho e  não visita áreas naturais onde poderia se infestar, por exemplo, de carrapatos. “Sendo uma proposta de longo prazo, toda ação é vista como um investimento,” explica o pesquisador.
Para recomendar ao produtor, é necessário ser levado em conta o ambiente da região e, principalmente, a estrutura da cadeia produtiva. A APTA realiza transferência de tecnologia para os produtores por meio de eventos técnico-científicos, simpósios e dias de campo.
Os trabalhos são liderados pelo pesquisador da APTA, Hélio Minoru Takada, e são realizados em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). As pesquisas têm como colaboradores a Universidade de Taubaté, o Horto Florestal de Pindamonhangaba, a Dolomia Calcário e a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) por meio das Casas de Agricultura de Taubaté e Tremembé, também veiculadas a SAA.
Texto: Carolina Neves – Estagiária
Edição: Carla Gomes (MTb 28156)
Assessoria de Imprensa – APTA
19 – 2137-0616/613
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