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Semana da Alimentação - Pesquisas vão do campo à industrialização

Alimentos enriquecidos e funcionais — tecnologia para se viver melhor Alimentos com alto teor de nutrientes, mais minerais e diversas vitaminas que aumentam o valor nutricional da dieta alimentar. Essa é uma das propagandas veiculadas diariamente sobre alimentos enriquecidos e sua contribuição para melhorar a alimentação. Outro avanço nessa área está nos alimentos funcionais, que ganham a simpatia de consumidores e o investimento do mercado. Temas relevantes nesses dias em que é celebrada a Semana Mundial da Alimentação, de 15 a 19 de outubro de 2007. A APTA (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, destaca as contribuições geradas por meio de seus institutos de pesquisa agrícola e como elas chegam à mesa de paulistas e de brasileiros de outros Estados. Os benefícios estão no aumento da qualidade e da produtividade de alimentos viabilizado pela geração e pela transferência de ciência e tecnologia. Além de as pesquisas na APTA terem ligação direta com o cultivo de alimentos, como se faz no Instituto Agronômico (IAC-APTA) — que no próximo mês lançará variedades de feijão com maior teor de proteína — as pesquisas na Agência envolvem também a melhoria desses produtos na fase de industrialização, como é o caso de alimentos enriquecidos e funcionais. Nesse segmento, o Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL-APTA) trabalha com avaliação de nutrientes de cada alimento, para verificar a quantidade de sais minerais e vitaminas que podem ser inseridos no produto. Segundo a pesquisadora do ITAL, Marta Gomes, responsável pelo estudo em alimentos enriquecidos, o grande ganho dessa tecnologia é a contribuição que ela traz para a vida das pessoas. “A população não se alimenta direito e os alimentos enriquecidos ajudam a suprir a necessidade de nutrientes do corpo humano”, explica. Na região de Campinas, há programas do Governo do Estado que têm seus alimentos analisados pelo ITAL, como o Viva Leite e o Bom Prato. O ITAL também realiza análises para indústrias. A inserção de micro-nutrientes nos produtos tem ganhado espaço em linhas de pesquisa e em indústrias alimentícias dentro do cenário brasileiro. Mas será que todos conhecem alimentos enriquecidos? São aqueles que, no processo de produção, recebem a adição de micro-nutrientes, como vitaminas e sais minerais, e macro nutrientes, como ácidos graxos, que podem ou não existir, previamente, na composição do alimento. Com o interesse das indústrias alimentícias em “fortificar” os seus produtos, empresas se especializaram na produção do pré-mix — composto vitamínico de drogas puras, isso é, vitaminas e minerais — que são comprados pelos fabricantes de gelatina, margarina, macarrão e arroz, por exemplo. Esses compostos são adicionados ao produto original para terem no rótulo o termo “enriquecido”. A pesquisa e produção desses nutrientes têm custo elevado, o que reflete no preço final do produto. A pesquisadora Marta Gomes aponta um valor em torno de R$ 2 mil por pesquisa realizada, o que no final dos testes pode elevar o custo total da produção. O beneficio que esses estudos trazem à população é o controle de nutrientes nos alimentos, atribuindo maior confiança às informações constantes nas embalagens dos produtos. Alimentos funcionais Exercícios regulares, hábitos saudáveis e, principalmente, boa alimentação. A era da beleza e da preocupação com a saúde traz à população modos para viver mais e melhor. Nessa injeção de “boas maneiras”, estão os alimentos funcionais, foco de diversas pesquisas no território mundial. O que cada alimento pode fazer para o corpo, os compostos ativos, os principais nutrientes e as melhores formas de ingestão são respostas que os pesquisadores buscam para elaborar uma tabela de alimentos recomendados para cada tipo de organismo e precaução de doenças. O ITAL-APTA investe em pesquisas com diversos tipos de alimentos funcionais. A pesquisadora Priscila Efraim é responsável pelo estudo de adição de nutrientes e redução de calorias em pães, biscoitos e chocolates. Priscila Efraim analisa a quantidade de nutrientes em determinado produto e a necessidade de adição de sais minerais ou vitaminas, com o objetivo de torná-los mais saudáveis. “Trabalhamos com a parte de tecnologia de produção, visando ao melhoramento na qualidade dos alimentos. Para confirmarmos o resultado da pesquisa, enviamos o produto para o Centro de Química do ITAL, e lá é feita a análise final”, diz. O Instituto de Tecnologia de Alimentos também desenvolve pesquisas relacionadas à adição de fibras e isoflavona, presente na soja, em biscoitos, e o uso dos flavonóides em maior quantidade no chocolate. Segundo a pesquisadora, os flavonóides fazem parte da composição natural do cacau, porém, perdem cerca de 90% de sua eficácia após a fermentação. Priscila Efraim ressalta que, mesmo com toda essa tecnologia voltada para o melhoramento dos alimentos, para se ter uma dieta saudável é imprescindível a ingestão de alimentos variados e que contenham as vitaminas dos biscoitos e chocolates. “Apenas um tipo de alimento não supre nossas necessidades diárias”, conclui. A Semana de Alimentação é também um bom momento para expor à população a relação entre ciência e a alimentação, mostrando como a atividade científica contribui para melhorar o cardápio do brasileiro em diversidade e qualidade. A ciência e tecnologia colaboram também para reduzir os custos de produção de alimentos, que deveriam, em tese, resultar em menor preço nas gôndolas dos supermercados. A Pesquisa Percepção Pública da Ciência e Tecnologia, realizada neste ano de 2007, revela que a população brasileira tem pouco conhecimento sobre Ciência e Tecnologia. Para se ter uma idéia da distância entre a sociedade e a relação entre os benefícios trazidos pela C&T, na pesquisa, o item “Maior e melhor produção de alimentos” recebeu apenas 13% das indicações como benéficos da ciência. Além de não enxergarem a melhoria de alimentos como resultado da ciência, muitos entrevistados vêem na atividade científica a responsável pela queda de qualidade dos alimentos. Dentre os entrevistados que indicaram “Só malefícios” ou “Mais malefícios” causados pela atividade, dentre os malefícios apontados, 32% indicaram “Produção de alimentos menos saudáveis”. Os resultados da pesquisa podem ser acessados no site do Ministério da Ciência e Tecnologia. Assessoria de Imprensa Carla Gomes (MTb 28156) Deborah Chiari – estagiária
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