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Saldo comercial do agronegócio paulista vai a US$ 9,68 bilhões em 2009

O saldo da balança comercial do agronegócio paulista foi de US$9,68 bilhões em 2009, um aumento de 5,1% em relação ao ano anterior, segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. As exportações caíram 5,9%, para US$15,98 bilhões, mas as importações recuaram ainda mais (19,0%), para US$6,30 bilhões.
As importações nos demais setores (exclusive os agronegócios) da economia paulista somaram US$44,18 bilhões, enquanto as exportações atingiram US$26,48 bilhões, resultando no déficit externo desse agregado de US$17,70 bilhões no acumulado de 2009. “Assim, conclui-se que o comércio exterior paulista seria bem mais deficitário não fosse o desempenho dos agronegócios estaduais”, dizem os pesquisadores José Sidnei Gonçalves e José Roberto Vicente.
Por cadeias de produção, a balança comercial do agronegócio paulista apresentou saldo comercial de US$ 11,21 bilhões em 2009, similar ao do ano anterior (US$ 11,22 bilhões). Essa diferença para mais em relação ao total das transações setoriais (saldo de US$ 9,68 bilhões) “deriva do menor déficit na balança comercial de bens de capital e insumos, de US$ 2,01 bilhões em 2008 para US$ 1,53 bilhão em 2009”, explicam os analistas do IEA.
“Os bens de capital e insumos são fundamentais para a modernidade da produção nacional, notadamente os fertilizantes nos quais têm elevada dependência externa. Exatamente os menores gastos com agroquímicos levaram à redução das importações e do déficit da conta de bens de capital e insumos, que na maioria das vezes não são considerados nas análises do comércio exterior setorial, levando a saldos setoriais superestimados.”
Os cinco principais agregados de cadeias de produção nas exportações do agronegócio paulista, em 2009, foram a cana/sacarídeas (US$ 6,67 bilhões); bovídeos – bovinos (US$2,18 bilhão); frutas (US$ 1,79 bilhão); produtos florestais (US$1,76 bilhão); e agronegócios especiais (US$807 milhões). Esses cinco agregados representam 82,9% das vendas externas setoriais paulistas.
Os pesquisadores do IEA apontam crescimento expressivo na exportação paulista de cana e sacarídeas (27,6%), principal grupo das vendas externas estaduais, em especial pelo aumento das vendas externas de açúcar (61,7%), para US$5,76 bilhões. Já as operações com álcool recuaram 45,3%, para US$ 880 milhões. “Isso representa mais uma prova de fogo para a política nacional de biocombustíveis, dado que, não apenas o álcool não se firmou como produto de exportação, como a prioridade para a moagem de cana para produção de açúcar elevou os preços internos do álcool combustível, mesmo em plena safra.”
Já os grupos com redução mais expressiva na pauta de exportação foram bovinos-bovídeos (-33,4%), frutas (-18,2%),cereais/leguminosas/oleaginosas (-17,1%), agronegócios especiais (- 8,3%), produtos florestais (-6,3%), suínos e aves(-23,7%)e bens de capital e insumos (-31,4%).
Em termos de agregação de valor, apenas os produtos semi-manufaturados apresentaram aumento (37,9%) em 2009, ocorrendo quedas tanto para os manufaturados (-15,5%) quanto para os básicos (-20,9%). Os produtos manufaturados apresentam a maior participação nas vendas externas (52,8%), totalizando US$ 8,45 bilhões.
Cenário brasileiro
As exportações do agronegócio brasileiro caíram 11,3% no ano passado, para US$67,56 bilhões (44,2% do total). Já as importações do setor recuaram 29,7%, somando US$18,53 bilhões (14,5% do total). O superávit do setor foi de US$49,03 bilhões, 1,5% inferior ao do mesmo período de 2008. “Portanto, o desempenho dos agronegócios sustentou a balança comercial brasileira, uma vez que os demais setores, com importações de US$ 109,12 bilhões e exportações de US$ 85,43 bilhões, produziram no período um déficit de US$ 23,69 bilhões”, observam os técnicos do IEA.
Os cinco principais agregados de cadeias de produção nas exportações do agronegócio foram cereais/leguminosas/oleaginosas (US$ 19,53 bilhões); cana e sacarídeas (US$9,75 bilhões), produtos florestais (US$ 7,47 bilhões), bovídeos - bovinos (US$ 7,30 bilhões) e suínos e aves (US$ 7,03 bilhões). Essas cadeias totalizam 75,6% das vendas externas dos agronegócios brasileiros.
Por cadeias de produção, apresentaram crescimento significativo as exportações brasileiras de cana e sacarídeas (23,3%) e fumo (10,7%). Nos demais grupos, ocorreu queda, inclusive no principal item da pauta representado pelos cereais/leguminosas/ oleaginosas (-5,8%), em decorrência da redução das exportações de óleo de soja (-53,8%), para US$ 1,24 bilhão, e de grão de milho (-7,2%), para US$1,35 bilhão. Compensaram, em parte, as maiores vendas de soja em grão (4,4%), para US$ 16,03 bilhões, destinadas principalmente à China.
Apresentaram diminuições os bens de capital e insumos (-41,3%), pescado (-27,6%), bovídeos - bovinos (-27,2%), produtos florestais (-22,3%), têxteis (-20,1%), frutas (-17,7%), suínos e aves (-17,4%), café e estimulantes (-10,3%) agronegócios especiais (-10,0%), olerícolas (-9,6%) e flores e ornamentais (-5,2%).
Em termos de agregação de valor, ainda que com menor perfil em relação a São Paulo, houve queda nas vendas de produtos básicos (-5,5%) e nas dos produtos semi-manufaturados (-3,0%). Mas o recuo foi mais acentuado nos produtos manufaturados (-25,7%), dizem os pesquisadores, “revelando uma característica da crise mundial de afetar mais economias industrializadas, não consistindo em mérito da ótica do processo de desenvolvimento o argumento do menor efeito sobre a economia brasileira dados os impactos na estrutura industrial.” Os produtos básicos, com US$ 37,64 bilhões, mostraram maior participação nas vendas externas setoriais (55,7%) em 2009.
Link: Íntegra do estudo “Balança comercial dos agronegócios paulista e brasileiro no ano de 2009”
Assessoria de Comunicação da APTA
José Venâncio de Resende
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