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Quilo da carne está até 32% mais caro

Preço do produto nos açougues da Capital vem aumentando desde julho. Nos supermercados, o valor subiu 10% no início de agosto Varejo está pagando mais. Indústria afirma ter prejuízo e produtor confirma alta de 11,5% Consumidores estão pagando até 32% mais caro pelo quilo da carne bovina nos açougues de Cuiabá desde o início de julho, e cerca de 10% nos supermercados desde o começo deste mês. Um dos motivos para o aumento, conforme os donos dos estabelecimentos, é a recuperação da arroba do boi no decorrer do semestre, aliada à escassez do produto no mercado local, motivada pela entressafra pecuária. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP, aponta que a variação no preço da arroba do boi no Estado é de 24,63% no acumulado do ano, passando de R$ 48,14 no início de 2007 para R$ 60 na última segunda-feira (6), cuja tabela de preços é seguida por pontos de venda de toda Baixada Cuiabana, o que inclui 13 municípios. Os estudos realizados pelo Cepea apontam que as maiores altas no preço da arroba mato-grossense ocorreram em julho, quando o preço era de R$ 59, o que representa uma alta de 6,31% sobre junho, que teve a arroba cotada em R$ 55,50, expandindo 4,71% em relação a maio, período em que o produto foi negociado a R$ 53. No açougue Favorito, que possui cinco endereços em Cuiabá, o proprietário Carlos Cavalcante, afirma que está pagando 25% mais caro ao frigorífico e que está tendo que repassar o reajuste para o consumidor. No entanto, ele estabeleceu um percentual de repasse de apenas 10% para não perder vendas e penalizar os clientes. "Deveria ter colocado uma margem de 30% igual a que pagamos, mas estamos trabalhando com 10% para não correr o risco de baixar o movimento e perder a carne", afirma ao exemplificar que o patinho era vendido a R$ 5,99 em junho e que agora está R$ 6,49, o que equivale a uma alta de 8,3%. O presidente do Sindicato das Indústrias Frigoríficas do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo), Luiz Antônio Freitas Martins, afirma que os frigoríficos estão pagando R$ 60 pela arroba do boi aos produtores, 27,6% a mais que dois meses atrás, quando compravam por R$ 47, aumento real de R$ 13. Apesar do incremento, ele afirma que estão repassando aos açougues por R$ 57,80, o que equivale a uma diferença de 3,66% entre o valor da compra e da revenda. Assim, conforme ele, a margem dos frigoríficos que deveria estar positiva se encontra negativa, perdendo cerca de R$ 2 por arroba comercializada por este preço. "Para conseguirmos vender estamos colocando um valor menor do que o pago aos produtores. Mas a indústria tem despesas e teremos que repassar a alta aos açougues". Na avaliação do representante da Comissão de Pecuária de Corte da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Eduardo Alves Ferreira Neto, o percentual de aumento ao consumidor é muito elevado se comparado ao do produtor, que cresceu somente 11,5%, passando de R$ 52 para R$ 58 a arroba, enquanto que a ponta da cadeia está pagando cerca de 30% a mais. Ele considera que "alguém" na cadeia está ganhando com o aumento, mas garante que não são os produtores, pois o reajuste colocado por eles é menos da metade que o percentual estabelecido pelos comerciantes. "Se continuar a falta de bezerros no mercado, a certeza que temos é que o preço deve subir ainda mais. Por outro lado, para compensar as perdas acumuladas, os criadores devem optar por aqueles que se propuserem a pagar o maior valor pelo produto, o que é positivo para eles". Questionado sobre a possibilidade de os frigoríficos mato-grossenses aumentarem as exportações de carne devido aos focos de febre aftosa detectados na Inglaterra, o presidente do Sindifrigo, afirma que ainda é cedo para comentar sobre o assunto. "Nós preferimos analisar mais profundamente a situação antes de traçar qualquer perspectiva de ampliação do mercado externo". As informações são da assessoria de imprensa da Famato.
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