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Prosaf encerra 2018 ensinando agricultores familiares sobre controle biológico com ácaros e fungos

O Programa de Sanidade em Agricultura Familiar (Prosaf), do Instituto Biológico (IB), fechou o ano de 2018 transferindo conhecimentos sobre controle biológico aos agricultores familiares de Mogi das Cruzes. As palestras realizadas no dia 11 de dezembro, no Sindicato Rural da cidade, ensinaram sobre o uso de fungos e ácaros como alternativa aos produtos químicos de controle de pragas e doenças.

O evento foi aberto pelo diretor do IB, Antonio Batista Filho, fazendo um panorama do controle biológico, desde seu surgimento até o momento atual, onde cresce 20% ao ano. Ele lembrou que os estudos sobre este tipo de manejo começaram no início do século XX, mas não tiveram continuidade devido à guerra que assolou o mundo. Porém, na década de 1950, a resistência aos produtos químicos se tornou um problema e “o produtor começou a aplicar cada vez mais defensivos químicos”.

Alternativas precisavam ser descobertas, o que motivou o retorno das pesquisas. “Hoje nós temos possibilidades, mas que não esgotam o assunto porque ainda não temos controle biológico para todas as culturas”, afirmou Batista, completando que “o Brasil detém tecnologias que não se encontra em outros países”. O Biológico já assessorou pelo menos 54 empresas até o momento sobre este tipo de tecnologia.

Uma inovação que inclui, por exemplo, o uso de fungos entomopatogênicos (que causam doenças em insetos), tema da palestra do pesquisador do IB José Eduardo Marcondes de Almeida. “O controle biológico não funciona como um inseticida, ele precisa de 4 a 5 anos para se estabelecer”, explicou Almeida, lamentando que “às vezes, o produtor entra em um ciclo de aplicação de produtos químicos e não consegue sair mais dele, aplica cada vez mais”.

Ele esclareceu ainda sobre alguns cuidados na utilização dos fungos para controle de pragas, como o melhor horário para aplicação deles na lavoura: na parte da tarde, com o sol já não tão quente e a radiação ultravioleta mais fraca para não matá-los. “O agricultor precisa também equilibrar o biológico com o químico para que o segundo não mate o primeiro”, lembrou.

A importância dos fungos entomopatogênicos, que controlam diversas pragas atuando por contato e ingestão, é grande: dos cerca de 10 milhões de hectares de área com controle biológico no Brasil, de 6 a 7 milhões são deste tipo de agente, os primeiros a serem aplicados no controle microbiano de insetos. O pesquisador enumerou que atualmente as pesquisas identificaram 90 gêneros e 700 espécies destes fungos, sendo as principais produzidas a Metarhizium anisopliae, Beauveria bassiana e Lecanicillium lecanii.

O predador

O controle biológico do ácaro-rajado (Tetranychus urticae Koch) por ácaros predadores também teve espaço no Prosaf, com o pesquisador do IB Mário Eidi Sato explicando que “o ácaro-rajado causa consideráveis prejuízos em diversas culturas no Brasil, incluindo algodão, berinjela, feijão, maçã, morango, mamão, pêssego, pimentão, soja, tomate, rosa, crisântemo e gérbera”.

São ao todo atacadas por ele 150 culturas de importância econômica. O número de espécies de plantas hospedeiras chega a 1.200. O ácaro-rajado atua inserindo seus estiletes várias vezes no tecido foliar, destruindo um grande número de células e acarretando ainda na perda de clorofila e no aumento da transpiração da planta.

As táticas para o manejo incluem favorecer a atividade dos inimigos naturais desta praga, tanto com o uso de produtos seletivos quanto pela liberação destes inimigos. Sato esclareceu que “quando a população de inimigos naturais é elevada, a densidade populacional de pragas é mais baixa e existe menor necessidade de tratamentos químicos”.

Também é necessário que o agricultor tome alguns cuidados ao liberar os ácaros predadores, como evitar a liberação em locais com resíduos de produtos químicos (acaricidas e inseticidas). É importante também evitar o uso de inseticidas e acaricidas não seletivos após a liberação dos predadores.

O evento foi encerrado pelo presidente do Sindicato, Minoru Mori, destacando a importância da parceria com o IB. “Esperamos contar sempre com esse auxílio tão importante do Instituto Biológico para nossos produtores. Muito obrigado mais uma vez.”

O Prosaf é realizado pelo IB em parceria com a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), Apta Regional e cooperativas e associações de produtores. As palestras abordam diversos temas relacionados aos principais problemas sanitários - pragas e doenças - nas áreas animal e vegetal e têm como objetivo principal promover a sanidade e a sustentabilidade da agricultura familiar paulista.

Hélio Filho
Assessoria de imprensa

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