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Projeto Pró-Vinho: entrevistados 950 produtores de uva na segunda fase

A segunda fase do projeto Pró-Vinho, com duração de dois anos, está na etapa final. Nesta fase, foram entrevistados produtores de uva e de vinho dos municípios de Jundiaí, Jarinu, São Roque e São Miguel Arcanjo. Os resultados deste censo deverão ser apresentados aos parceiros do projeto e convidados em evento a ser realizado no mês de novembro em São Roque, segundo a pesquisadora e coordenadora do projeto Adriana Renata Verdi. 
O projeto Pró-Vinho, que tem o apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), reúne cinco instituições públicas (IEA, IAC, ITAL e CATI da Secretaria de Agricultura e Abastecimento e UNICAMP), os Sindicatos do Vinho de São Roque e de Jundiaí, a Associação Nacional dos Envasadores e a FIESP. Estão envolvidos 29 pesquisadores dos Institutos da APTA e da Unicamp, bem como técnicos de casas de agricultura e prefeitura entre outras entidades.
Em Jundiaí e Jarinu, os trabalhos já foram encerrados. Foram entrevistados 284 produtores de uva de Jundiaí; 61 produtores de Jarinu e 8 produtores de São Roque, diz Verdi. “Agora, estamos terminando São Miguel Arcanjo, onde foi ouvido o maior número de produtores de uva (597). Aquela região, que abrange São Miguel, Pilar do Sul e Capão Bonito, é uma área em expansão, está revelando um grande potencial para a viticultura paulista.”
Segundo a coordenadora do projeto, que é pesquisadora do Instituto de Economia Agrícola (IEA), esses questionários forneceram informações para o reconhecimento dos demais elos da cadeia. “No caso da uva, os insumos, a embalagem, a assistência técnica... e no caso do vinho a embalagem, o rótulo, os equipamentos... O processo fecha com a comercialização (para onde vai esse produto, quais os canais utilizados, etc.). Então, nós estamos montando essa cadeia e analisando as informações.”
Adriana Verdi admite que foi um processo difícil porque cada instituição tinha o seu cadastro. “E nós partimos desses cadastros (do LUPA, das casas de agricultura, dos sindicatos, etc.) para formar um único banco de dados que fosse realmente abrangente, que representasse cem por cento dos produtores. Então, foi um processo longo, demorado, o fechamento desse cadastro e a ida a campo, a entrevista... Para acertar esse banco de dados, fizemos várias consistências...”
Algumas conclusões
Entre as conclusões já conhecidas desta segunda fase do projeto, Verdi aponta o menor valor da terra na região de São Miguel Arcanjo, Capão Bonito e Pilar do Sul como um fator de estímulo para o deslocamento de muitos produtores de Jundiaí e Louveira e mesmo do norte do Paraná para a região. “Nos dois bairros onde praticamente se concentra a maior parte dos produtores de São Miguel (Guararema e Abaitinga), muitos são do norte do Paraná. Então, nós temos observado que esta é uma área de imigração. O pessoal está indo pra lá e investindo na produção de uva.”
Outro fator que estimulou a expansão da uva na região são as grandes cooperativas de produtores, principalmente de origem japonesa, conta Verdi. “Nós observamos que o associativismo é forte na região, principalmente em São Miguel Arcanjo. Agora, por exemplo, duas associações estão sendo constituídas nos bairro de Abaitinga e Guaraema e outra no Brejaúva, com mais de 100 produtores rurais envolvidos.” O associativismo tem trazido muitas vantagens para os produtores, como a compra coletiva de insumos, a divulgação (marketing) e até a venda direta do produto para sair do intermediário, explica a pesquisadora do IEA. “Então, eles estão criando uma marca, através da associação, comprando embalagem para divulgar o produto. Eles estão criando uma identidade de forma coletiva para segurar o mercado e garantir o pagamento.”
Em relação à estrutura fundiária, 50% dos entrevistados em Jundiaí tem propriedades de um a cinco hectares e 22% com até dez hectares, somando mais de 70% de pequenas propriedades, observa Verdi. Já em São Miguel Arcanjo as propriedades com até cinco hectares chegam a 55% do total, enquanto cerca de 20% tem até dez hectares, resultando no total de 75% de pequenas propriedades.    
Tipo de uva
Na região de Jundiaí, a ênfase é ainda para a uva de mesa, de acordo com Verdi. “Mas a uva de mesa está sendo utilizada na produção de vinho. Trinta e cinco por cento da produção de vinho tem como matéria prima a variedade Niagara. A Bordô, que aparece em segundo lugar na produção de vinho (20,8%), vem praticamente do Sul. Mas os produtores depositam certa expectativa positiva na uva Máximo, desenvolvida pelo Instituto Agronômico (IAC), que vem proporcionando vários resultados positivos. Esta variedade já representa quase 9% da matéria prima da produção de vinho na região de Jundiaí. É uma uva que está tendo boa aceitação no mercado.”
Na região de São Miguel Arcanjo, o foco é a uva fina de mesa, principalmente as variedades Itália, a Rubi e Benitaka, segundo Adriana Verdi. “Mas a Niagara está em expansão e tem dominado dois principais bairros produtores (Guararema e Abaitinga).” A produção de vinho é recente e já foram registrados 14 produtores, dos quais quatro exploram comercialmente a atividade, revela Adriana Verdi.
O Município de Jundiaí concentra o maior número de produtores de vinho, com quatro vinícolas médias e grandes, além de 95 pequenos produtores, dos quais alguns organizados em associação (a associação dos produtores de vinho artesanal do bairro Caxambu - AVA) que está sendo transformada em cooperativa, conta Verdi. “Nós identificamos três grupos desses produtores artesanais. O produtor tradicional mais pessimista, o tradicional mais otimista e o mais recente que já investe segundo os padrões exigidos pela legislação e constitui o pessoal mais antenado, mais empreendedor.”
Em São Roque, já se concentram os médios e grandes produtores e os envasadores.  Alguns deles estão retomando parte da produção da uva, mas ainda é forte a dependência deles em relação à produção de uva gaúcha, explica Verdi. As treze vinícolas do município apostam no enoturismo. Muitos estão investindo em restaurantes, cafés, etc., nas proximidades da área de venda do produto nas propriedades. Chegam a receber três mil turistas por final de semana.”
No caso de São Roque, o grande gargalo, portanto, é a matéria-prima. “Tem potencial, muitos tem capacidade instalada, a maior parte já tem tudo montado, mas falta matéria prima paulista”, observa a pesquisadora. “Nós identificamos que falta uma conversa entre os produtores, uma articulação da cadeia de produção. O produtor de uva não conhece a demanda do produtor de vinho. Não existe esse diálogo que a gente está procurando resgatar agora na Câmara Setorial. Esse é um gargalo importante.”
Para os pequenos vinicultores, o grande obstáculo é a informalidade, diz Verdi. “Muitos estão em processo de formalização, mas é muito difícil para o pequeno (que produz em escala artesanal) atender as condições para a formalização, desde a adequação da produção às normas até o pagamento dos impostos. Então, nós estamos buscando saídas para a situação. Uma delas é a constituição de cooperativas. Alguns produtores já perceberam as vantagens da união, tanto na compra dos insumos quanto na divisão de custos referentes ao atendimento às exigências legais e na organização de roteiros turísticos.”
Para os maiores vinicultores, o principal obstáculo é a oferta de matéria-prima paulista. A pesquisa demonstrou que, nos últimos anos, a produção de vinho do Estado de São Paulo intensifica a sua dependência em relação às uvas do sul do país, observa a pesquisadora do IEA.
Mercado potencial
O consumo de vinhos populares representa 85% do mercado nacional e 60% desse mercado está na Grande São Paulo, diz Verdi. “É preciso saber aproveitar os benefícios dessa proximidade. É importante saber como explorar os aspectos positivos dessa proximidade, principalmente o enoturismo, com destaque para a característica do turista de um dia.”
Mas não se pode perder de vista que 15% do mercado nacional é vinho fino, onde São Paulo é mais consumidor do que produtor, lembra a pesquisadora do IEA. “É importante as maiores vinícolas explorarem esse nicho do vinho fino, porque é um vinho que dá status para a vinícola.”
Adriana Verdi destaca o potencial de São Paulo também na produção de vinhos finos. “Em São Roque, por exemplo, a Vinícola Góes já tem uma experiência implantada com a variedade cabernet. Nós temos outras experiências, como dois produtores de Louveira que já tem uma produção ótima de Syrah. Esses produtores estão comprovando que é possível a produção de vinho fino no Estado de São Paulo.”
Projeto Pró-Vinho
O Pró-Vinho tem como foco observar as potencialidades e os gargalos da cadeia de produção de vinho, bem como as possíveis ações das instituições envolvidas no projeto para o desenvolvimento do setor, afirma Verdi. “Essa modalidade – o programa de políticas públicas da FAPESP – é composta de três fases. A primeira, de seis meses, foi para acertar equipe e desenvolver os itens preparatórios da pesquisa. Nós elaboramos questionários, identificamos os agentes-elos básicos dessa cadeia, por onde nós iríamos começar. Decidimos iniciar pelo produtor de uva, pelo produtor de vinho e pelo viveirista. Nós selecionamos esses agentes-elos da cadeia, elaboramos três questionários (um para cada agente) e definimos uma equipe, a composição institucional, acertamos os apoios ao projeto... Essa fase durou seis meses.”
A segunda fase é a pesquisa propriamente dita: a aplicação dos questionários, a composição da cadeia de produção do vinho, as análises das informações e a proposição de políticas públicas. O objetivo final é o encaminhamento de políticas, resume a pesquisadora do IEA. “E a terceira fase será a implementação das políticas pelas instituições competentes, parceiras do projeto, principalmente os governos estadual e municipais. O Estado de São Paulo já deu um grande passo com a organização da Câmara Setorial pela Secretaria de Agricultura, para promover o diálogo entre esses agentes. Isso foi fundamental.”
Lins relacionados:

- Câmara Setorial da Uva e Vinho da Secretaria de Agricultura

- SP Vinho 
Assessoria de Comunicação da APTA
José Venâncio de Resende
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