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Projeto de criação de peixes em Comunidades de Quilombo no Vale do Ribeira, aprovado no CNPq

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) aprovou o projeto “Fortalecimento da piscicultura em Comunidades de Quilombo no Vale do Ribeira/SP”, elaborado por técnicos da Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (ITESP) e pesquisadores do Pólo APTA Vale do Ribeira, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. Este projeto é continuidade de trabalho iniciado em 2005, envolvendo moradores da Comunidade Remanescente de Quilombo São Pedro, no município de Eldorado (SP), técnicos do ITESP e pesquisadores da APTA. A finalidade do novo projeto é implantar um programa regional quilombola de desenvolvimento e organização das atividades de criação de peixes, com a melhoria da qualidade do produto comercializado e ampliação da criação para mais quatro comunidades (Maria Rosa, Pilões, Galvão e Morro Seco). “É de conhecimento que a agregação de valor à produção e a capacidade de organização para comprar e vender em conjunto são os caminhos para a competitividade”, diz o pesquisador Antonio Fernando Leonardo, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA). Na comunidade vivem 39 famílias que, ao longo dos anos, vêm exercendo atividades de plantio, visando à subsistência nas áreas demarcadas pela Fundação (ITESP) e licenciadas pelo Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais (DPRN). “Esse sistema empírico utilizado, que proporciona baixa produtividade, aliado às restrições ambientais ao crescimento populacional e à falta de oportunidade, vem dificultando a permanência dos jovens na comunidade e aumentando os problemas relacionados à alimentação”, observa Leonardo. Entre as alternativas apontadas para solucionar o problema, está a criação de peixes que, embora ainda incipiente como atividade economicamente emergente, “seria uma das atividades a se moldar ao conceito de sustentabilidade em todas as suas dimensões”, afirma Leonardo. A utilização de tecnologia atual contribuiria “não só com a viabilidade econômica da atividade, mas também com a sustentabilidade sócio-ambiental, espacial e cultural”. Histórico O projeto surgiu a partir de reunião, em outubro de 2005, dos moradores da comunidade com técnicos do ITESP para apreciar edital do CNPq, cujo objetivo era apoiar a execução de projetos de extensão e disponibilização de tecnologias sociais para comunidades tradicionais e povos indígenas. Estes projetos seriam apresentados por instituições públicas de ensino superior, pesquisa e extensão, além de entidades comunitárias e confessionais sem fins lucrativos, em articulação com as comunidades e povos. “O trabalho em grupo reforçou os laços intra e interfamiliar e despertou o interesse dos jovens pela atividade. Devido aos bons resultados deste projeto na Comunidade de São Pedro – município de Eldorado/SP, outras comunidades se interessaram pela criação de peixes”, conta Leonardo. O novo projeto não tem o propósito de tornar os quilombolas produtores exclusivos de peixes, mas sim capazes de usufruir da multiplicidade de serviços oferecidos em seus territórios, explica Leonardo. Dessa forma, será possível aumentar “a diversidade de atividades exploradas, agregar valor aos seus subprodutos e torná-los menos dependentes de uma única fonte de renda, possibilitando assim uma garantia a mais para a segurança alimentar das famílias e geração de renda, por meio da melhoria e quantidade de seus produtos”. José Venâncio de Resende Assessoria de Comunicação Social da APTA (11) 5067-0424
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