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Preços agropecuários encerram o mês de outubro em alta de 2,37%

O IqPR – Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista encerrou o mês de outubro com alta de 2,37%, afirmam pesquisadores do Instituto de Economia Agrícola (IEA/Apta) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Para os índices acumulados nos últimos 12 meses, os resultados mostram expressivas variações positivas para o IqPR de 33,61%, confirmando uma realidade de preços muito maiores.
Merecem destaque os incrementos de preços, nos últimos doze meses, do algodão (82,99%) – reflexo da significativa queda dos estoques internacionais em plena entressafra brasileira-, do amendoim (31,51%), do café (27,17%) – que vem recuperando preços no mercado internacional após período de preços baixos-, da carne bovina (25,88%), da carne de frango (22,34%), da carne suína (21,71%), da banana (21,21%) e do milho (19,11%), dizem José Alberto Ângelo, José Sidnei Gonçalves, Luis Henrique Perez Danton Leonel de Camargo Bini e Eder Pinatti, pesquisadores do IEA.
Esses produtos tiveram em 2009, na média, preços baixos, o que enseja períodos de recuperação, tanto assim que praticamente todos apresentam preços atuais remuneradores cobrindo os custos de produção com alguma rentabilidade. Especificamente para carne bovina, o aumento de preços é decorrente, quase na sua totalidade em função do ciclo pecuário (plurianual), já que se está na fase ascendente do ciclo. Entretanto, e apesar deste aumento, é importante destacar que a carne bovina não se tornará um artigo de luxo, diferentemente do que se tem apresentado em um importante congresso internacional de carne e se noticiado pela impressa.
Alem disso, os preços agropecuários vêem mostrando firme tendência de aumento desde setembro de 2009, movimento acirrado após janeiro de 2010 Em função do ritmo do crescimento econômico verificado em 2010, com aumento da massa salarial – pelo efeito convergente de redução do desemprego e maior nível do salário médio – há uma significativa e persistente pressão da procura exatamente no momento em que ocorre a entressafra da produção agropecuária, fato que se prolongará até o início da colheita da safra das águas, que para alguns produtos ocorre em novembro e para outros se estenderá até março de 2011.
De qualquer maneira, há na conjuntura atual a formação de expectativas que conduzem a preços crescentes, fato que somente será revertido ou não em função da magnitude dos volumes colhidos, do comportamento dos preços internacionais e da resistência das estruturas de mercado: dos consumidores aos movimentos especulativos.
Os produtos que registraram as maiores altas no mês de outubro foram: amendoim (17,91%), tomate para mesa (17,71%), batata (13,69%), banana nanica (10,43%) e laranja para mesa (6,49%).
No amendoim, além do ajuste decorrente de uma situação de menor oferta, manifestam-se as pressões de demanda e os mesmos efeitos de atraso de safra ocasionado pela estiagem que postergou a perspectiva de entrada da colheita de verão, formando expectativas altistas.
A diminuição da oferta de tomate para mesa devido à dificuldade de amadurecimento nas últimas semanas ocasionada pelas friagens noturnas nas regiões produtoras elevou os preços recebidos pelos tomaticultores. A entrada da lua minguante nos últimos dias promete reverter este quadro com a efetivação de um amadurecimento mais acelerado dos frutos e um conseqüente aumento da oferta neste início de novembro.
No caso da batata, olerícola perecível em que se manifesta de forma exacerbada a gangorra de preços derivada de descompassos conjunturais entre a oferta e a procura de produto, ocorrem viradas abruptas e expressivas de tendência em função da realidade pontual do mercado. Essa menor oferta produziu o significativo aumento verificado nas últimas semanas.
Os preços da banana comumente atingem seu pico na primavera, quando há maior propensão ao consumo e quando a oferta é prejudicada pelas ondas de frio dos meses anteriores que retardaram a formação dos cachos.

Na laranja de mesa, as pressões da demanda da agroindústria citrícola, no mercado livre de laranja in natura, numa conjuntura de produção menor na presente safra, associada à elevação do consumo com os primeiros dias mais quentes deste segundo semestre, pressionou as cotações da fruta e elevou seus preços.
Os produtos que apresentaram maiores quedas de preços foram: laranja para indústria (3,95%), carne de frango (3,78%) e feijão (2,96%).
Nos contratos de laranja para indústria, os preços recuam acompanhando o câmbio, manifestando-se inferiores aos da laranja in natura, como reflexo da predominância de contratos que acabam dando maior estabilidade aos preços atenuando tanto movimentos de alta (como é o caso) como de baixa (com em conjunturas anteriores). Os preços da carne de frango e do feijão aumentaram de forma exacerbada no período anterior, reagindo vigorosamente a preços muito baixos. O frango seguindo a tendência de aumento dos produtos protéicos puxados pela carne bovina e o feijão respondendo à expectativa de alta provocada pela estiagem (gerada pela La Niña). Em ambos os casos o mercado reagiu reduzindo compras e limitando a alta. No caso do feijão, a entrada de produto irrigado permitiu a queda nas cotações.
A íntegra da análise está disponível em www.iea.sp.gov.br.  
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