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Preços agrícolas tem baixa de 1,82% no encerramento de setembro

O Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista (IqPR), que mede os preços pagos ao produtor rural, fechou setembro em baixa de 1,82%, de acordo com o Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. O destaque foi a queda de 3,64% no índice de preços dos produtos de origem animal, já que o índice de preços dos produtos de origem vegetal recuou 1,14%. No acumulado de 12 meses, o índice geral subiu 19,28%, puxado pelo índice de preços dos produtos vegetais (23,39%), uma vez que o índice de preços dos produtos animais aumentou 7,04%.
Entre os produtos pesquisados em setembro, 12 apresentaram queda nos preços (oito da área vegetal e quatro da área animal), enquanto sete produtos tiveram alta (cinco do segmento vegetal e dois do setor animal, especificamente os leites). A cotação do feijão encerrou setembro nos mesmos patamares do mês anterior.
As quedas mais expressivas ocorreram nos preços da laranja para indústria (15,65%); da batata (9,40%); dos ovos (5,98%); da carne suína (5,31%) e da carne de frango (5,06%). O recuo nos preços da laranja para indústria decorre da magnitude da safra colhida, dizem os pesquisadores Luis Henrique Perez, Danton Leonel de Camargo Bini, Eder Pinatti, José Alberto Angelo e José Sidnei Gonçalves. As agroindústrias operam em plena colheita no limite da sua capacidade de moagem e numa realidade de demanda interna plenamente abastecida. A queda expressiva dos preços atinge “patamares críticos para os produtores”.
Os preços da batata entram em fase cadente devido à regularização da colheita, depois de conjuntura de alta provocada pela reduzida oferta, observam os analistas do IEA. “Similar comportamento tem o tomate, também solanácea muito perecível, agora com preços em queda ainda que em menor percentual.”
Já o incremento substancial da oferta de ovos nas últimas semanas, que finalizou o ciclo de alta, abriu espaço para o reposicionamento das cotações internas, levando a recuo dos preços recebidos pelos granjeiros. No caso da carne suína, os preços quadrissemanais ainda não refletem o aumento de suas exportações, observam os pesquisadores. Além disso, “esse produto sofreu o impacto da redução dos preços das carnes em geral, condições que reduziram as cotações no período”.
Os preços da carne de frango, após período de patamares elevados no mercado internacional, recuam de maneira expressiva, explicam os analistas. “Quando convertidos em moeda nacional, chegam muito próximos dos praticados no mercado interno, num processo que acabou levando a recuos dos preços recebidos.”
As altas mais relevantes foram registradas nos preços do café (13,13%); da soja (5,63%) e do milho (3,36%). Os preços em alta do café decorrem da pressão da demanda interna e da reação do câmbio. Na soja, os preços refletem diretamente a nova realidade cambial. Os preços do milho, no curto prazo, têm movimento similar ao da soja, respondendo ao câmbio com aumento das vendas externas.
Acumulado de 12 meses 
No acumulado de 12 meses, os preços agrícolas apresentam comportamentos distintos, de acordo com os pesquisadores do IEA. Os produtos vegetais crescem até maio de 2011, quando apresentam recuo persistente. Os produtos animais mostram desempenho errático com idas e vindas, de novembro de 2010 a abril de 2011. De abril a junho, apresentam queda expressiva, seguida de alta puxada pela carne bovina na entressafra e pela carne de frango com os altos preços internacionais. Na última quadrissemana todos os índices convergem para baixo.
Mas esse comportamento dos preços agrícolas paulistas foi fortemente influenciado pelo preço da cana de açúcar, cujos reajustes na entrada da safra pressionaram os índices para cima. Quando se exclui esse produto, verifica-se que a reversão de tendência dá-se em maio, quando os preços dos produtos vegetais revelam nítida trajetória descendente, definindo o comportamento dos preços em geral na mesma direção.
Na variação anual, os maiores incrementos ocorreram nos preços do tomate para mesa (118,19%); do café (62,35%); da cana-de-açúcar (42,22%); do milho (33,72%); dos ovos (18,84%); da banana nanica (14,43%); do leite B (13,08%); da soja (10,92%); do amendoim (10,81%); e do leite C (9,58%), com elevações maiores do que a inflação do período. Já com preços positivos, porém inferiores ao patamar inflacionário, estão a carne bovina (4,39%) e a carne de frango (2,73%).
Por sua vez, o trigo teve preços menores (-3,95%), porém com quedas menos expressivas. Com redução elevada, aparecem os preços da laranja para indústria (-42,76%); da laranja para mesa (-38,88%); da batata (-30,96%); do feijão (-28,90%); do arroz (-19,74%); do algodão (-18,23%) e da carne suína (-17,19%).
Em síntese, concluem os pesquisadores do IEA, dos 20 produtos componentes do índice, 12 produtos apresentaram preços maiores nos últimos 12 meses, enquanto oito produtos tiveram preços inferiores. “Logo, os preços agropecuários, conquanto tenham queda convergente no curto prazo, ainda mostram viés de alta, comparativamente às cotações do ano anterior.”

Íntegra da análise

Assessoria de Comunicação da APTA
José Venâncio de Resende
Eliane Christina da Silva/Camila Amorim (estagiárias)
(11) 5067-0424

 

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