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Preços agrícolas fecham março com alta de 3,32%, em plena colheita da safra das águas

O Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista (IqPR), que mede os preços pagos ao produtor rural, fechou março com alta de 3,32%, num nítido processo de aceleração em plena colheita da safra das águas, de acordo com o Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. O índice de preços dos produtos de origem vegetal subiu acima deste patamar, ou seja, 3,45%. Já o índice de preços dos produtos de origem animal ficou ligeiramente abaixo do índice geral (2,98%).
Dos 18 produtos pesquisados, 13 apresentaram elevação nos preços (oito de origem vegetal e cinco de origem animal). As maiores altas ocorreram nos preços do feijão (47,19%), do tomate (26,39%), da banana nanica (22,72%), da carne suína (11,09%), dos ovos (9,88%), do café (7,20%), da laranja para mesa (6,92%), do trigo (4,64%) e do milho (2,98%). Isto revela uma realidade de convergência altista dos preços agropecuários neste primeiro trimestre do ano, em plena colheita da principal safra nacional, dizem os pesquisadores Luis Henrique Perez, Danton Leonel de Camargo Bini, Eder Pinatti, José Alberto Angelo e José Sidnei Gonçalves.
O feijão, após a reversão da tendência de queda, incorpora-se ao movimento convergente de alta dos preços agropecuários com índices elevados, explicam os analistas do IEA. É que a conjuntura de oferta excedente de janeiro/fevereiro (preços muito abaixo dos custos de produção) desestimulou plantios nas safras complementares seguintes como a da seca. “E o ritmo do aumento de preços, que já superaram os custos de produção em março, mostra que a gangorra de preços não se mostra interessante nem para lavradores nem para consumidores.”
O tomate ainda não apresenta recuperação da oferta conjuntural numa safra menor (com reflexo de preços anteriores baixos), que ainda foi afetada pelas chuvas continuadas, mostra a análise do IEA. O resultado foram perdas de lavouras e de colheita, com impacto conjuntural no abastecimento do produto. Isto numa realidade de demanda aquecida que eleva os preços também de outros produtos da “salada”. 
Já a banana nanica apresenta variação sazonal padrão, cuja majoração dos preços se deriva do incremento de consumo nas estações do ano caracterizadas pelas temperaturas amenas (primavera e outono), dizem os autores da análise.
Os preços da carne suína, produto diretamente substituto da carne bovina, mantêm-se em patamar elevado, entrando no fluxo de convergência de alta dos agropecuários no geral. A recuperação ainda se mostra com ganhos acumulados de preços inferiores aos demais produtos animais.
A menor oferta de ovos resulta de ajuste desproporcional decorrente da conjuntura anterior de preços baixos, associada à pressão de demanda, em especial pela agroindústria de massas alimentícias e de panificação e confeitaria, com a proximidade da páscoa e consequente incremento do consumo.
O aumento dos preços do café deve-se às pressões da demanda internacional e aos menores estoques mundiais, observam os pesquisadores. No mercado interno, o crescimento no consumo de café, inclusive de cafés de melhor qualidade, trouxe impacto nos preços.
Os preços da laranja de mesa refletem a entressafra da laranja pêra do rio, ofertando menor quantidade de frutas num momento de alta demanda de sucos naturais. A proximidade da entrada da safra em poucos meses pode reverter essa tendência de alta, acreditam os analistas do IEA. “Interessante notar esse descolamento conjuntural entre a laranja de mesa e a laranja para indústria que apresentam sinais contrários no comportamento dos preços.” 
O trigo apresenta incremento na esteira da elevação dos preços internacionais das principais commodities agropecuárias, em ritmo superior ao patamar do câmbio. Assim, produz efeitos inflacionários internos, já que parcela relevante do produto necessário ao abastecimento interno advém de importações.
O milho reflete as condições do mercado internacional do produto cuja oferta projetada situa-se abaixo das expectativas da demanda e do mercado interno. A entrada de produto do plantio de verão ainda não ocorreu no volume necessário para suprir a demanda do abastecimento interno.
As quedas mais expressivas foram verificadas nos preços do amendoim (9,67%), da soja (6,46%), laranja para indústria (1,92%) e arroz (1,10%).
Acumulado de 12 meses
No acumulado de 12 meses, o índice geral de preços agrícolas aumentou 25,43%, o índice de produtos animais subiu 26,35% e o índice de produtos vegetais apresentou elevação de 24,49%.
Nos últimos doze meses, o crescimento nos preços agrícolas abrangeu tanto os produtos animais quanto os vegetais. Os preços agropecuários, dizem os técnicos, evoluíram em percentuais muito superiores aos dos indicadores da inflação brasileira, como resultado da pressão de demanda derivada do crescimento da massa salarial e da conjuntura altista de importantes preços internacionais.
As maiores altas nos últimos 12 meses, derivadas da conjuntura internacional, ocorreram nos preços do café (+91,33%), do milho (+81,63%), da laranja  para indústria (+56,07%), da carne de frango (+32,64%), da soja (+32,60%), do trigo (+16,72%), e da cana-de-açúcar (+12,49%).
Já os aumentos, decorrentes de pressão da demanda interna, foram registrados nos preços da carne bovina (+33,60%), da laranja para mesa (+25,77%), dos ovos (+21,48%) e do amendoim (+10,03%).
A íntegra da análise está disponível em www.iea.sp.gov.br.
Assessoria de Comunicação da APTA
José Venâncio de Resende
(12) 5067-0424

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