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Preços agrícolas caem 0,61% em abril, após nove meses de alta

O Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista (IqPR), que mede os preços pagos ao produtor rural, fechou abril em queda de 0,61%. É o primeiro recuo mensal desde julho de 2010, de acordo com o Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. O índice de preços dos produtos de origem animal apresentou a maior queda (1,06%), enquanto o índice de preços dos produtos de origem vegetal registrou variação negativa de 0,42%.
Porém, no acumulado de 12 meses, os três índices ficaram positivos, ou seja, o índice geral aumentou 26,16%; o índice de produtos vegetais, 26,77%; e o índice de produtos animais, 23,32%. 
Na variação mensal, oito produtos apresentaram elevação de preços (quatro de origem vegetal e quatro de origem animal) num total de 18 produtos considerados. Isto revela “realidade de inversão baixista dos preços agropecuários no começo do segundo trimestre do ano, com os resultados parciais da colheita da principal safra nacional”, dizem os pesquisadores Luis Henrique Perez (lhperez@iea.sp.gov.br), Danton Leonel de Camargo Bini (danton@iea.sp.gov.br), Eder Pinatti (pinatti@iea.sp.gov.br), José Alberto Angelo (alberto@iea.sp.gov.br) e José Sidnei Gonçalves (sydy@iea.sp.gov.br).
As quedas mais expressivas ocorreram nos preços do tomate para mesa (23,78%); da laranja para mesa (21,85%); da carne de frango (11,33%); do feijão (6,26%) e da laranja para indústria (4,80%).
A entrada da safra paulista da laranja (2011/12) tem ofertado em excesso frutas abaixo do ponto ideal de maturação, o que diminuiu o preço recebido pelos seus produtores em abril, observam os analistas do IEA. “No caso específico da laranja para indústria, os contratos de integração firmados ocasionam variações de seus preços com amplitudes menores que as do mercado spot da laranja para mesa.”     
A normalidade da oferta de tomate nas principais regiões produtoras para este período do ano teve como efeito a queda dos preços desse produto perecível. No caso da carne de frango, a boa oferta frente à demanda estabilizada reflete a queda nas cotações das aves, explicam os pesquisadores. “Além de frango no mercado spot, animais oriundos de integrações continuaram apresentando excedentes nos corredores de abate, o que movimentou para baixo os preços recebidos pelos criadores.”
Quanto ao feijão, duas ocorrências simultâneas explicam os maiores preços, dizem os técnicos do IEA. A primeira diz respeito à colocação no mercado de produtos estocados, esperando a continuidade de maiores elevações. Como o feijão “velho” perde mercado na presença de feijão “novo”, a proximidade da safra das secas empurra os preços para baixo. Na segunda ocorrência, a própria entrada da produção dos plantios “do cedo” (dos que anteciparam a safra da seca) impacta os preços para baixo.
As altas mais significativas foram verificadas nos preços da banana nanica (35,68%), do amendoim (15,07%), dos ovos (8,31%), do trigo (7,99%) e do leite C (5,14%).
A banana nanica, cujos preços estavam muito baixos em março, mostra variação dentro do padrão sazonal, com aumento derivado da menor oferta (cachos demoram mais para formar com a redução da temperatura média e das chuvas) e do incremento de consumo típico do outono. Já as perdas na colheita do amendoim, resultando em safra menor, somadas à proximidade das festas juninas quando o consumo aumenta, vem produzindo o efeito de elevação dos preços.
No mercado de ovos, verifica-se menor oferta “num ajuste desproporcional em decorrência da conjuntura anterior de preços baixos, associada à pressão de demanda da agroindústria de massas alimentícias e de panificação e ao período de quaresma, quando há crescimento do consumo desse produto”. Já a elevação dos preços internacionais do trigo, acima dos movimentos do câmbio, segue a escalada dos preços das commodities, numa realidade em que o Brasil importa produto para seu abastecimento, observam os analistas.
Por fim, a proximidade do inverno, com as primeiras manifestações do frio no outono, já sinaliza redução na oferta do leite C, gerando expectativa de elevação dos preços também pressionados pela demanda.  Mesma tendência é apontada para o Leite B.
Período de um ano
Nos últimos 12 meses, os preços agropecuários mostram tendência crescente, com pequeno arrefecimento em abril de 2011, tanto para os produtos animais quanto para os vegetais, dizem os pesquisadores do IEA. “Quando se exclui do cálculo a cana-de-açúcar, os preços agropecuários apresentam alta ainda maior (33,93%) dado o incremento superior verificado nos demais produtos vegetais (43,44%).”
Assim, os preços agropecuários evoluíram em percentuais muito superiores aos dos indicadores da inflação brasileira, dizem os especialistas. Isto é “resultado da pressão de demanda derivada do crescimento da massa salarial e da conjuntura altista de importantes preços internacionais. Os maiores preços agropecuários internos, ao derivarem diretamente da demanda, ainda se mantêm muito mais elevados que no ano anterior, ou seja, a queda mensal significa que os preços agropecuários deixaram de subir, mas não reverteu o padrão de patamar elevado em relação ao ano anterior”.
As altas de preços mais relevantes são praticamente todas derivadas da conjuntura internacional de preços mais elevados, associada à pressão de demanda interna pelo crescimento da massa salarial. Os destaques são o café (88,29%); o milho (72,58%); a laranja para indústria (70,95%); o trigo (30,33%); a soja (29,12%); a carne de frango (27,43%); e a cana-de-açúcar (15,18%).
Mas um grupo de produtos reflete a pressão da demanda interna, mesmo que alguns desses produtos guardem relação com os preços internacionais de substitutos ou correspondam a mercados complementares. São eles a carne bovina (25,63%); a laranja para mesa (28,16%); os ovos (33,94%), e o amendoim (16,43%).
Por fim, há um conjunto de produtos cuja oferta conjuntural interna foi elevada, fazendo os preços praticamente se mantivessem ou se verificassem pequenas quedas, como os casos da carne suína (-0,55%) e do leite B (-1,14%). A análise do IEA aponta ainda produtos cujas condições de oferta produziram preços ainda mais baixos do que os do mesmo período do ano passado. São eles o arroz (-18,72%), o feijão (-28,55%), a banana nanica (-10,03%), o tomate para mesa (-5,63%) e o leite C (-4,44%).
De maneira geral, os preços agropecuários deram uma trégua no movimento de alta que  persistia  desde meados do ano anterior, concluem os pesquisadores do IEA. “Contudo, ainda se mostra cedo para comemorar, uma vez que os chamados produtos sazonais da alimentação caminham para a entressafra como o leite. Noutras palavras, os preços agropecuários realizaram processo de acomodação em abril, e para manterem essa perspectiva se mostra relevante a entrada da safra da cana (açúcar e álcool) e da laranja, ambos com pesos significativos nos índices.”

Link:íntegra da análise

Assessoria de Comunicação da APTA
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