cabecalho apta130219

Preço melhor compensará volume menor de café exportado em 2007

Animados pelos bons preços internacionais do café, que deverão se manter firmes nos próximos meses por conta da previsão de déficit global - reflexo do descasamento entre produção e consumo mundiais -, os exportadores brasileiros do grão esperam ter, em 2007, um ano memorável. Isso porque a receita com os embarques tende a no mínimo repetir o desempenho observado em 2006, apesar da expectativa de que o volume de vendas diminua até 10%. Levantamento do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostra que as exportações devem alcançar 27,2 milhões de sacas de 60 quilos (grão verde, solúvel e torrado e moído) neste ano, 4% mais que os volumes embarcados em 2005 (26,2 milhões de sacas). A receita deve ficar em US$ 3,2 bilhões, 10,3% mais que no ano passado e maior valor dos últimos 16 anos, de acordo com Guilherme Braga, diretor-executivo da entidade. Braga explica que o volume de vendas ao exterior deve recuar no ano que vem por conta da menor colheita no país. A redução é previsível e resulta de características normais da safra, que apresenta um ano de produtividade menor a cada biênio. Mas o dirigente concorda que o faturamento pode se manter no patamar de 2006 ou mesmo superá-lo, dependendo da evolução das cotações. A matemática dá segurança aos exportadores brasileiros. Braga baseia-se nos preços médios da saca de 60 quilos do grão nos últimos anos. Em 2005, o valor médio da saca exportada ficou em US$ 111. Neste ano de 2006, registrou um salto de 9,2%, para US$ 120. Para 2007, a cotação média da saca de 60 quilos exportada pode chegar a US$ 132 - um aumento médio de 10%. Os preços internacionais do café já estão em recuperação desde o segundo semestre de 2004. "Em 2005, os preços futuros [bolsa de Nova York] ficaram em torno de US$ 1,10 por libra-peso. Neste ano [2006], variaram entre US$ 1,10 e US$ 1,20. A expectativa é que eles oscilem entre US$ 1,20 e US$ 1,30 em 2007", diz Braga. Ontem, em Nova York, houve outra alta significativa. As cotações mais firmes refletem um mercado global mais apertado, também em função da redução dos estoques dos países importadores de café, segundo analistas e tradings ouvidos pelo Valor. Os países importadores compram de fora cerca de 88 milhões de sacas e a expectativa é que a demanda siga aquecida, o que tende a oferecer suporte aos preços. O Brasil, que responde por 31% das exportações mundiais, deverá manter sua fatia em 2007 mesmo com o menor volume de vendas. Assim, apesar da recuperação da safra do Vietnã - maior produtor mundial do café tipo robusta -, o Brasil, maior produtor global de arábica, continuará ditando o rumo dos preços. A expectativa é que a produção brasileira recue em 2007/08 em razão da bianualidade e também da estiagem que atingiu a florada em algumas regiões. A colheita deve ficar entre 31,7 milhões e 32,3 milhões de sacas de 60 quilos, segundo levantamento mais recente da Conab. A queda em relação a atual safra (2006/07) será de 23,9% a 26,9%. Rodrigo Correa Costa, da Fimat Futures, ressalva que as cotações do grão poderão começar a inverter a mão e a cair no segundo semestre de 2007, quando o mercado começará a ficar mais atento às projeções para a produção brasileira na safra 2008/09. Mas, se confirmada a tendência de retração, a receita com as exportações não deverá ser afetada por conta dos contratos fechados antecipadamente.
Pin It

Notícias por Ano