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Pesquisadora do IAC é agraciada no 1º Concurso Frederico de Menezes Veiga, realizado pela Embrapa

Ela está no pãozinho de queijo e biscoito de polvilho à farinha, e quem sabe no etanol do futuro. A mandioca, historicamente, faz parte do dia a dia da população. Não só do Brasil, mas do mundo. Por ser fonte de nutrientes e de fácil cultivo, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) considera que a mandioca pode se transformar no principal cultivo do século XXI em modelos de agricultura sustentável. O Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, tem o programa de melhoramento genético de mandioca em atividade mais antigo do mundo, datado de 1935. O Instituto já desenvolveu mais de 20 variedades de mandioca. Em reconhecimento às pesquisas realizadas pelo Instituto, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), anunciou que a pesquisadora do IAC, Teresa Losada Valle, líder do Programa de Melhoramento Genético de Mandioca, é a vencedora do 1º Concurso Frederico de Menezes Veiga.
O concurso teve o tema “Quatro décadas da moderna agrocupecuária brasileira – inovações para segurança alimentar, competitividade e sustentabilidade”. O objetivo da Embrapa é estimular pesquisas que contribuam para o desenvolvimento sustentável do espaço rural, em benefício dos diversos segmentos da sociedade brasileira. Todos os pesquisadores veiculados a qualquer uma das instituições que compõem o Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária (SNPA) podem participar.
Para Teresa, a premiação é um reconhecimento ao trabalho de quase 80 anos realizado pelo IAC na área. “É um reconhecimento da comunidade científica aos impactos do desenvolvimento de novas tecnologias e novas variedades. Este é um prêmio importante no cenário da pesquisa agrícola brasileira, por isso, me sinto bastante honrada em recebê-lo, em nome de todos que já participaram desse projeto de pesquisa, quase que centenário”, comemora a pesquisadora do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Teresa está no Instituto há 30 anos.
A quase totalidade da produção brasileira de mandioca é destinada à indústrias de farinha e à extração de amido. Uma pequena parte é produzida para consumo próprio, comércio local ou mercados hortifrutigranjeiros e processada em ambiente domestico. “A mandioca é utilizada após processamento doméstico, quando consumida cozida ou frita ou usada na preparo de outras receitas. É a chamada mandioca de mesa no linguajar técnico e mandioca, aipim ou macaxeira, na denominação popular”, afirma a pesquisadora do IAC.
A melhor variedade de mandioca de mesa desenvolvida pelo Instituto Agronômico é a IAC 576-70, conhecida popularmente como “Amarelinha”. Seu desempenho agrícola é tão superior em comparação às demais variedades, que atualmente responde por 100% das 160 mil toneladas de mandioca de mesa comercializada em São Paulo e está em ampla difusão nos Estados do Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Goiás e Distrito Federal. A IAC 576-70 é ainda resistente a doenças e se adapta bem às exigências da comercialização.
“A IAC 576-70 contribui fortemente para a segurança alimentar nas áreas periféricas das regiões urbanas, pois produz o dobro das variedades antigas cultivadas em pequenas hortas pela população de baixa renda na periferia das cidades. Atualmente, o material do IAC é cultivado em todas as cidades do Estado de São Paulo”, afirma Teresa. As variedades mais antigas produzem cerca de 15 toneladas por hectare, enquanto a “Amarelinha” produz 30.
Outra característica importante da mandioca IAC 576-70 é seu alto valor nutricional. Para se ter uma ideia, outros materiais de mandioca possuem 10 Unidades Internacionais (UI) de vitamina A. A IAC 576-70 possui 220 UI. O Instituto Agronômico segue seu trabalho de melhoramento genético tradicional e já possui clones com desempenho agrícola de cerca de 800 UI de vitamina A.
Segundo Teresa, a produção da mandioca de mesa está associada também à indústria de congelados, pequenas fábricas domésticas de salgadinhos e outras formas de agregação de valor. “Cerca de 13% da produção de mandioca paulista é de mesa. Ela gera uma renda substancial para pequenos produtores que abastecem esses mercados, dando competitividade para fazer frente aos altos preços da terra, nas regiões periféricas e grandes centros consumidores”, afirma a pesquisadora do IAC.
Mandioca para indústria
Na indústria, as mandiocas são usadas na produção de farinha e extração de amido. Os materiais precisam ter alto teor de matéria seca – para ter alto rendimento industrial –, ser resistente à bacteriose, doença que é fator limitante ao cultivo e de risco aos agricultores, adaptadas à colheita mecanizada e a solos de baixa fertilidade.
É do IAC a variedade de mandioca que sustenta a produção no Cerrado brasileiro pela sua resistência à bacteriose, tolerância ao complexo de pragas, alta produtividade e teor de materiais seca. A IAC 12 está sendo usada em todo o Cerrado do Brasil. É cultivada por pequenos agricultores e processada por pequenas indústrias. “Um grande projeto que tem o objetivo de plantar 10 mil hectares de mandioca no Cerrado baiano, no município de Correntina tem a IAC 12 como alicerce. No município de Novo Horizonte, também na Bahia, a principal variedade cultivada pela Cooperativa de Produtores de Mandioca (Coopamido) é a variedade IAC 90”, explica Teresa.
Outro material do Instituto, chamado IAC 13, é amplamente cultivado em regiões paulistas, onde não há ocorrência do superalongamento – doença que apareceu no final dos anos 90. A variedade IAC 14 devolveu a competitividade aos agricultores do Estado de São Paulo devido à produtividade e alto teor de matéria seca. “Seu desempenho agronômico e industrial é tão espetacular que pode ser competitiva na produção de etanol, quando corretamente cultivada, mesmo em solos de baixa fertilidade”, afirma a pesquisadora agraciada no concurso.
Texto: Fernanda Domiciano
Assessoria de Imprensa – IAC
19 – 2137-0616/613
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