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Pesquisador do IB dá dicas para prevenção e controle de escorpiões

A ocorrência de acidentes causados por escorpiões vem crescendo no Estado de São Paulo. Para se ter uma ideia, em 2007, foram notificados 4.356 casos. Até novembro de 2018, já são 22.184 casos, 444 a mais do que todo o ano de 2017, segundo a Secretaria de Saúde do Estado. O Instituto Biológico (IB-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, é referência nacional em pesquisas com pragas urbanas e o pesquisador científico do Instituto, Francisco José Zorzenon, dá algumas dicas para prevenção e controle desta praga.

Zorzenon explica que normalmente, o aumento da incidência de ataques de escorpiões coincide com os períodos mais quentes do ano, na primavera e verão, devido ao aumento da temperatura e da umidade, que refletem na reprodução mais acelerada das pragas urbanas, a ampliação da oferta de água e alimento favorecem o aumento da população dos escorpiões, dentre outros fatores.

“O escorpião sendo um predador, tem a barata como uma de suas presas principais no ambiente urbano. O lixo e a falta de saneamento favorecem o aumento e manutenção de baratas e consequentemente, mais escorpiões e aranhas surgirão. É um ciclo, havendo a necessidade de prevenção contínua desta praga”, afirma.

O pesquisador aponta que para evitar a ocorrência do escorpião e de outras pragas urbanas, como moscas, baratas, percevejos, ratos, cupins e carrapatos, é preciso ter em mente os chamados “quatro A’s”: água, abrigo, alimento e acesso. “Quanto mais fatores essenciais às pragas forem supridos, menores serão as chances de elas se estabelecerem. Por exemplo, se deixarmos o lixo ou qualquer tipo de alimento disponível e de fácil acesso, logo aparecerão baratas, ratos, moscas e formigas”, diz.

Dentre as espécies mais comuns em São Paulo, destacam-se o escorpião marrom (Tityus bahiensis) e o escorpião amarelo (Tityus serrulatus). Este último além de possuir um veneno mais potente, apresenta o fenômeno da partenogênese, ou seja, as fêmeas conseguem procriar sem a necessidade de machos.

Para prevenir a ocorrência, a dica é deixar o mato cortado em jardins e terrenos adjacentes e retirar lixo e entulhos. Nas casas, deixar portas e janelas vedadas e afastar as camas e mesas das paredes. “Tenha em mente também que os escorpiões não ocorrem apenas em casas. Existem grandes infestações em apartamentos. Isso ocorre porque eles se movimentam em conduítes e os filhotes podem até mesmo escalar superfícies lisas, como azulejos”, explica. “Sacodir roupas deixadas no chão e “bater” os sapatos antes de calça-los também é importante, assegurando-se de que não existem escorpiões ou aranhas nestes utensílios”, ressalta.

Se o local já estiver infestado, é necessário contatar uma empresa controladora de pragas urbanas. Zorzenon explica que existem produtos químicos registrados para contenção das infestações, porém, eles só podem ser adquiridos e manipulados por empresas da área e profissionais qualificados.

Segundo informações da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, ao ser picado por um escorpião, é necessário limpar o local com água e sabão, aplicar compressa de água morna no local e procurar o serviço de saúde mais próximo, para que possa receber o tratamento mais rápido possível. A Secretaria recomenda a captura do animal para levá-lo ao serviço de saúde, se isso for possível de ser feito em segurança e desde que não leve muito tempo, pois a prioridade é o atendimento médico. Um documento completo com recomendações da Secretaria pode ser acessado aqui.

Mas o que são pragas urbanas?

Pragas urbanas são todos os organismos que causam danos econômicos, ligados direta ou indiretamente ao homem, seus alimentos e seus pertences, ou seja, prejudicam de alguma forma os seres humanos. “O conceito de praga urbana vai além do fator econômico, pois são considerados também aspectos sociais e emocionais, ligados à saúde humana, em que a praga, em si, causa incômodo e desconforto, interferindo na qualidade de vida da população”, explica o pesquisador do IB.

Muitos insetos e vários outros animais, como ratos, morcegos, pombos e aracnídeos, vivem em contato íntimo com o homem, ou seja, são sinantrópicos. Eles estão associados a cidades, invadindo e colonizando locais habitados, danificando construções, interferindo esteticamente na ornamentação de parques e jardins e transmitindo doenças a animais e aos próprios seres humanos. “Esses animais podem causar grande incômodo e desconforto em todos os níveis sociais, devido à alta adaptabilidade, capacidade reprodutiva e quantidade de abrigos e alimentos encontrados em áreas urbanizadas”, afirma Zorzenon.

As pragas urbanas dispersam facilmente pela alta capacidade reprodutiva, competição e predação reduzidas, grande adaptabilidade ao meio urbano, alimentação diversa, abrigos abundantes e dispersão facilitada pelo próprio homem em seu meio, tudo gerado e agravado pelo desequilíbrio do ecossistema urbano. “O quadrinômio água, abrigo, alimento e acesso, gerado pelo desequilíbrio ambiental – lixões, falta de saneamento básico, tratamento inadequado da água, por exemplo – inerente à cultura humana, possibilita que diversas pragas usufruam da hospitalidade inconsciente das cidades, dificultando o dia a dia de seus habitantes”, explica o pesquisador do IB.

IB pesquisa pragas urbanas há mais de 20 anos

Há mais de 20 anos, o Instituto Biológico realiza pesquisas com cupins, brocas, formigas, baratas, roedores, pragas de grãos e produtos armazenados, traças, percevejos de cama, carrapatos, dentre outras. As pesquisas buscam descobrir novas espécies de pragas e o manejo das já conhecidas. “Estudamos e testamos métodos para controlar as pragas de forma menos agressiva ao meio ambiente e à saúde da população, com uso de iscas e produtos naturais, por exemplo. As pesquisas visam, principalmente, melhorar as condições de vida das pessoas”, afirma.

Por Fernanda Domiciano
Assessoria de Imprensa – APTA
19 2137-8933

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