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Pesquisador do IAC fala em Goiás sobre estratégia de produção de cana no cerrado

A estratégia de produção de cana no cerrado é o tema de palestra, nesta quarta-feira (6) durante 3º Dia de Campo em Goianésia (GO), do pesquisador Marcos Guimarães de Andrade Landell, do Instituto Agronômico (IAC), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo.  O evento, organizado pela Usina Jalles Machado em parceria com o Programa Cana IAC, oferece outras palestras e visita ao campo da Usina.
Na palestra, o pesquisador vai falar sobre o desempenho de cada variedade nas condições do cerrado. As que mais se destacam são IACSP 955000, IAC 911099, IACSP 942101, IACSP933046 e IACSP 942094. Todas essas são adaptadas à canavicultura moderna, que envolve a colheita mecânica crua. “Hoje elas são bastante difundidas e estão sendo cultivadas em todas as usinas.” A expectativa é que as três novas variedades IAC, lançadas em setembro passado, também apresentem ótimos resultados nas condições de deficiência hídrica.
Landell esclarece, porém, que o bom desempenho não está vinculado somente às variedades, mas ao conceito de produção, que envolve, ainda, ambiente de produção, época de plantio e de corte. “Trata-se de uma estratégia para produzir melhor”.
Em sua palestra também serão abordados aspectos de manejo e o conceito de matriz de ambiente, que se comprovou eficaz nessas condições. “É possível alocar a cana e reduzir o déficit hídrico no ciclo da cana cultivada”. Landell apontará também a época de plantio e de corte. “Concluímos que no cerrado deve-se retardar o plantio.” 
O mesmo sistema de produção agrícola não pode ser simplesmente transferido de uma região para outra, segundo Landell. “Não dá para repetir em Goiás o que se faz em São Paulo; a boa performance paulista não se repete se não adotarmos o modelo de produção adequada.”
No caso da canavicultura, para obter a competência paulista, não basta o mero transporte de plantas e alguns implementos para outro Estado. Algumas empresas de São Paulo provaram amargos resultados quando decidiram expandir para Goiás as lavouras de cana sem conhecer as diversidades que fazem a diferença. É necessária a transferência de tecnologia desenvolvida especificamente para aquela região, considerando-se as variedades a serem cultivadas e o ambiente de produção.
O déficit hídrico mais pronunciado durante todo o ciclo de produção da cana é o que diferencia Goiás e o Triângulo Mineiro das condições paulistas. Para se ter ideia da relevância dessa característica, a deficiência hídrica pode comprometer a produtividade e gerar prejuízos de até 60%, dependendo da
intensidade e do estado de desenvolvimento da cultura. Daí a necessidade de a ciência desenvolver pacote tecnológico específico para a localidade, diz Landell. “Nos últimos 15 anos, temos aprendido muito sobre o cerrado; percebemos que a estratégia de produção não poderia ser a mesma utilizada em São Paulo, vimos que precisaríamos selecionar variedades aperfeiçoadas para aquela região.”
Em campos paulistas, as variedades são diferentes, as condições climáticas são mais amenas e o déficit hídrico não é tão acentuado, segundo Landell. “Algumas variedades que se destacavam em São Paulo tinham performance pífia no cerrado”, afirma o pesquisador. 
O IAC está à frente não só no desenvolvimento de variedades, mas também nos estudos com tolerância à seca, com projetos financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “Estamos perseguindo os mecanismos de tolerância à seca para usá-los no melhoramento genético”, diz o coordenador do Programa Cana IAC. O projeto multidisciplinar envolve estratégia integrada de melhoramento genético incluindo, além da tolerância à seca, aspectos ligados à fisiologia, fitopatologia, entomologia, pedologia, fertilidade, adubação, climatologia e matologia. 
As pesquisas do Instituto nessa área tem atraído o interesse inclusive de multinacionais. A Jalles Machado é uma das cem empresas parceiras do IAC nas pesquisas com cana-de-açúcar. A adoção das tecnologias IAC ampliou a produção da Usina em cerca de 15%. Das variedades plantadas pela Jalles, cerca de 20% são do Instituto Agronômico (íntegra da reportagem no site www.iac.sp.gov.br). 


Assessoria de imprensa do IAC
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Assessoria de Comunicação da APTA
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