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Pesquisa paulista inicia ações de controle da mosca negra dos citros

O desafio de vencer os obstáculos no campo tem novo momento. A pesquisa científica do Estado de São Paulo está iniciando ações de controle e combate da mosca negra dos citros, identificada, nos últimos dias, pela primeira vez em lavouras paulistas. O Instituto Biológico (IB-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, que confirmou a ocorrência da mosca, já iniciou atividades no sentido de gerar respostas ao setor produtivo. Dois fungos que agem como inimigos naturais da praga já foram identificados pelo IB-APTA na região de Artur Nogueira, desde a confirmação da existência da mosca. O trabalho das instituições de pesquisa paulistas segue também com ações emergenciais. No próximo dia 03, quinta-feira, das 8h às 17h, em Campinas, o pesquisador do IB-APTA, Adalton Raga, ministrará um curso com o objetivo de capacitar engenheiros agrônomos para emissão do Certificado Fitossanitário de Origem (CFO). Esse documento é exigido no trânsito de vegetal e para emiti-lo o profissional deve ser habilitado. Daí a necessidade de capacitar engenheiros agrônomos. A emissão do documento é feita pela Coordenadoria de Defesa Agropecuária, outro órgão da Secretaria de Agricultura. Os interessados no curso podem obter informações no site www.cda.sp.gov.br ou pelo telefone 19-3241-4700. Esta será a primeira capacitação para identificação da mosca negra dos citros no Estado de São Paulo. Raga destaca que é preciso ainda alterar a legislação que estabelece os requisitos para comercialização, conforme está solicitando o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Agricultura. “A mosca destrói mais o negócio citrícola que a planta”, diz João Paulo Feijão Teixeira, coordenador da APTA (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios), ao considerar que a restrição do transporte de materiais tem grande impacto sobre o setor. De acordo com o Adalton Raga, as condições atuais de temperatura e umidade são ideais para o desenvolvimento da praga e dos fungos entomopatogênicos, usados no controle biológico. Ele alerta que o uso de agroquímicos no combate à mosca poderá levar ao desequilíbrio do ambiente, resultando no desenvolvimento de resistência por parte da praga e na redução dos inimigos naturais. Segundo Raga, há um único produto químico para combater a mosca, que já é usado para controlar outras pragas da citricultura. Ele acredita que deverá ocorrer um aumento nas aplicações de inseticidas nos municípios afetados pela mosca-negra. Na pesquisa, o primeiro passo é fazer o mapeamento geográfico da ocorrência da praga. “Temos que amostrar diferentes localidades do Estado, coletar possíveis plantas hospedeiras, com georeferenciamento da localidade”, explica. Essa ação requer investimentos em recursos humanos e materiais. Está em elaboração projeto de pesquisa com vistas à captação de recursos junto a agências de fomento. “O Governo precisa dessas informações para informar produtores e compradores de outros estados e até de outros países. Esse é o ponto inicial“, diz o pesquisador. Ele acredita que a necessidade atual deverá resultar em parcerias entre os setores privado e público para gerar tecnologias. No Instituto Biológico, o trabalho está sendo orientado no sentido de investir no controle biológico da praga, por meio do levantamento da ocorrência natural de fungos entomopatogênicos e também de insetos que controlam a mosca, chamados parasitóides. Após a identificação dos fungos, a próxima etapa envolverá multiplicação do material e teste-piloto em campo. Raga explica que alguns fungos são de difícil multiplicação, por isso não é possível antecipar em quanto tempo se chegará a esse resultado. “Em geral, quando uma nova praga chega, não há no local inimigos naturais específicos”, diz. Outra fase envolverá a definição de doses de aplicação dos fungos. O pesquisador explica que a elaboração envolve aspectos de formulação, concentração e viabilidade para se chegar à indicação da dose. O que o produtor pode fazer Na avaliação do pesquisador Adalton Raga, os produtores devem se informar para minimizar o impacto da nova praga. A orientação principal é o monitoramento do pomar para observar se há ocorrência da mosca negra. Há ainda a recomendação para lavar os equipamentos usados na colheita dos citros, como caixas plásticas, e também os veículos de transporte, que podem servir para levar a mosca de uma região para outra. Como a mosca hospeda-se em outras frutíferas e também em plantas ornamentais, o pesquisador recomenda que o produtor que ainda não tem a praga na propriedade evite a entrada de plantas sem origem definida na área. Raga ressalta a importância da informação e da instrução para os agricultores, considerando que todos devem cuidar para evitar a presença da mosca negra e minimizar efeitos. Esse trabalho teve início com a suspeita levantada por um produtor de Arthur Nogueira, na região de Campinas. A praga está presente também em Cosmópolis, Engenheiro Coelho e Holambra. Outras informações: www.biologico.sp.gov.br e www.cda.sp.gov.br Por Carla Gomes (MTb 28156), da Central de Comunicação APTA (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios)
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