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Pesquisa estuda mercado de alimentos com apelo de conveniência e saúde

Por Leila Rinaldi Ming Há no mercado de alimentos duas tendências que há alguns anos são de possível identificação: exigência dos consumidores por praticidade e preferência por produtos que propiciem benefícios à saúde. Para analisar o mercado de alimentos com estas características - e enfoque nos segmentos de confectionery (chocolates, balas e confeitos) e de cereais (bolos, biscoitos e barras de cereais) –, pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, levantaram dados que comprovam o crescimento dos mercados de conveniência e saúde, tanto em termos de demanda quanto de oferta. Além disso, foram relacionados e analisados fatores que podem influenciar o crescimento dos mercados, tendo como referência o ano de 2015. A pesquisa, realizada no âmbito do Programa Institucional de Iniciação Científica (PIBIC), do CNPq, contemplou revisão bibliográfica, análise de dados secundários sobre os mercados nacionais e internacionais, levantamento dos fatores que potencialmente afetarão seu crescimento no Brasil e análise de dados coletados pelos pesquisadores junto a empresas dos segmentos, a lojas que comercializam tais produtos e a clientes destes estabelecimentos. “Fizemos um levantamento de 2003 a 2007 e percebemos que as empresas estavam lançando produtos cada vez mais voltados para conveniência – como porções individuais, embalagens e produtos menores – e para a saúde – como diet, light, funcional, com menos gordura, sem gordura trans etc.”, esclarece a orientadora do projeto, Ana Elisa Brito Garcia, do Centro de Tecnologia de Cereais e Chocolates (Cereal Chocotec-ITAL). Utilizando dados secundários – como revistas especializadas na área – Ana Elisa e o estudante de economia e direito Felipe Vieira Matias levantaram a situação do mercado internacional. Concluíram, por exemplo, que, em 2003, 68% do total de produtos lançados estavam ligados a uma das tendências ou às duas. Em 2007, este índice subiu para 85%. “É um mercado que está crescendo muito e no qual novos países estão entrando”, avalia Ana Elisa. Já no Brasil, também por meio de revistas que se dedicam aos segmentos estudados, foi igualmente possível perceber, no período 2003-2007, o aumento da oferta de produtos que contemplam o foco em praticidade e saudabilidade. Foram enviados, também, questionários a 385 empresas. As respostas recebidas ajudaram a entender como elas se comportam diante das novas demandas e os dados obtidos mostraram que ambos os mercados estão em expansão acelerada. Na área de saúde, esta expansão se deu principalmente de 2001 para cá; já o segmento de conveniência iniciou seu crescimento a partir da década de 1990. “As empresas que estão nestes mercados pretendem continuar e, as que estão fora, querem entrar. Este último caso é verdade principalmente para as grandes e médias empresas”, relata a pesquisadora. Elas estão investindo no desenvolvimento dos novos produtos. Ana Elisa e Felipe realizaram, por fim, uma pesquisa exploratória na cidade de Campinas. Ouviram os responsáveis por cinco estabelecimentos comerciais especializados na venda de produtos alimentícios saudáveis. As lojas foram selecionadas em função da localização, já que a intenção era ter um panorama da participação de diferentes classes sociais no mercado pesquisado. Alguns clientes responderam um questionário, o que deu uma idéia da composição da clientela de tais estabelecimentos: predominam as mulheres, as pessoas entre 30 e 49 anos e as das classes A e B, apesar da presença considerável daquelas da classe C. Foram, por fim, visitados dois supermercados para observação dos produtos disponíveis. Neles, observou-se que os produtos saudáveis estão prioritariamente na área de panificação, com ênfase na presença de grandes empresas. Já nas lojas, há uma grande variedade, principalmente dos produtos fabricados pelas micro e pequenas empresas. Quanto às perspectivas de crescimento do mercado, os pesquisadores avaliaram fatores que poderiam impactá-lo positiva ou negativamente. Nesta etapa do trabalho, constataram que o cenário é extremamente favorável. Fatores legais limitam as empresas quanto às alegações de saúde dos produtos, mas isso não impede o crescimento dos mercados. Entre os fatores socioculturais discutidos, o aumento do envelhecimento da população aparece como favorável ao crescimento, pois se trata de uma população com necessidades nutricionais específicas. A participação da mulher no mercado de trabalho aparece igualmente como elemento de impulso dos mercados, principalmente dos alimentos com apelo de conveniência. Além disso, a melhor distribuição de renda favorece o acesso da população a esses alimentos diferenciados e, por fim, a obesidade, embora seja um problema de saúde pública, também pode ser vista como fator que proporciona o aumento da procura por alimentos mais saudáveis. Como possíveis ameaças à trajetória de ampliação dos mercados foram apontados: o cenário econômico externo, o aumento do preço do petróleo e o crescimento da inflação no País. O papel que o Cereal Chocotec-ITAL pode assumir neste percurso também é promissor. Contando com um elenco de 12 pesquisadores, o Centro tem se voltado cada vez mais para estudos em produtos que seguem essas tendências. Além disso, possui estrutura para atender as empresas no desenvolvimento de novos produtos e/ou aplicação de novos ingredientes. Exemplos de trabalhos desenvolvidos pela unidade que podem ser citados incluem: estudos com barra de cereais; desenvolvimento de chocolates light em gordura, diet em açúcar e com fibra alimentar; biscoito com fibra de laranja; entre vários outros. “As empresas que têm interesse de desenvolver novos produtos podem procurar o Cereal Chocotec-ITAL. Queremos divulgar esse trabalho entre os pesquisadores para mostrar a importância destes mercados e fazer com que eles voltem sua atenção a eles”, conclui Ana Elisa. Assessoria de Comunicação Social (11) 5067-0424 (Gabinete da APTA) (19) 3743-1757 (ITAL – Campinas)
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