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Perspectivas de clima e mercado para trigo

Dois assuntos são fundamentais aos produtores no momento em que se está iniciando um período intenso de semeadura das lavouras: o mercado e o clima. As principais preocupações são com as expectativas de preço, ou seja, o que se vai receber com o produto colhido e, com as condições climáticas que ocorrerão durante o período da safra. O MERCADO Em termos de mercado, Ataídes Jacobsen, da EMATER/RS ASCAR, fala que de acordo com o relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, haverá no mundo um aumento na produção e também no consumo de trigo. Segundo Jacobsen, com isso, será um ano em que o consumo vai super a produção, ou seja, os estoques serão mais baixos. Quanto aos preços, Jacobsen coloca que o relatório americano prevê um preço no mesmo patamar dos que vem sendo praticados mundialmente. No entanto, a projeção realizada é de que a Argentina deverá ter redução de área de plantio e conseqüente uma menor quantidade de toneladas de trigo. Conforme o entrevistado, com a redução da produção de trigo na Argentina, o Brasil terá de se abastecer fora do âmbito do Mercosul, fazendo também com que o trigo nacional fique bastante valorizado. Entretanto, o que se vê é um câmbio valorizado, aspecto que pode complicar as cotações feitas em reais. Jacobsen diz ainda que no RS, em um primeiro momento, espera-se um aumento da área, que pode não ser uniforme. Mas, lamenta-se que o produtor ainda tem preocupações, principalmente com os preços dos insumos. Mesmo assim, espera-se uma evolução de produção. O CLIMA Em relação ao clima o pesquisador da Embrapa Trigo Gilberto Cunha destaca que a maior preocupação dos produtores de trigo são as geadas os excessos de chuva no período de enchimento de grãos e época de colheita. AS GEADAS Segundo Cunha, é impossível prever geadas em um longo prazo, especialmente, as que causam danos no Sul do Brasil, ou seja, as que ocorrem tardiamente no início de setembro. Em outras épocas, as geadas não acarretam grandes danos como as de setembro que danificam os cultivos de trigo em seu momento mais crítico, que é o de espigamento/floração. Para prevenir às perdas, Cunha orienta que a estratégia que o produtor tem para minimizar os riscos de geada em trigo é seguir o calendário de semeadura preconizado pelo zoneamento agrícola. Também se orienta que haja a diversificação das semeaduras da lavoura e que não se concentre toda a área cultivada em um só momento de semeadura. Conforme Cunha, num período de 40 dias o ideal é semear 1/3 em cada momento, para não predispor ao risco de geada toda a área cultivada. O pesquisador também reforça, que é importante dentro da propriedade escolher, preferencialmente, áreas menos sujeitas à ocorrência de geadas severas, como o caso das baixadas, e, se possível, com exposição norte. AS CHUVAS O excesso de chuva e a umidade que acontecem principalmente na primavera no sul do Brasil prejudicam o trigo por criar uma condição de ambiente favorável ao desenvolvimento de doenças de espiga, afetando, assim, de maneira negativa o rendimento e a qualidade dos grãos. Sobre as chuvas, Cunha diz que a estratégia para o produtor é de escolher uma cultivar que tenha boa resistência genética às doenças e também lançar mão, quando necessário, de defensivos químicos para proteger as lavouras. Mas, principalmente, atentar para obedecer esquemas de rotação de culturas. Todavia, para a safra de 2007, Gilberto Cunha fala que as perspectivas climáticas são extremamente favoráveis para o cultivo de trigo. Conforme o pesquisador, neste momento, está havendo uma transição nas águas do Oceano Pacifico da fase neutra para La Niña. Consequentemente, não se espera que a primavera deste ano seja extremamente chuvosa, como é comum acontecer em outros anos. Isso, portanto, deverá caracterizar uma boa condição climática para o trigo.
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