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País quer agregar valor às vendas de sisal

Até o ano que vem, o Brasil vai trabalhar para fazer deslanchar suas exportações de sisal, fibra utilizada para a fabricação de tapetes, cordas e cestas, mas que também tem potencial para atender indústrias mais sofisticadas, como a automobilística. O país quer aproveitar a decisão da FAO, braço da ONU que se dedica à agricultura e alimentação, de decretar 2009 como o ano das fibras naturais. A decisão foi tomada no fim do ano passado. Em 2006, a cadeia de sisal brasileira exportou US$ 100,8 milhões, segundo a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex). Mais de 30% desse volume - US$ 30,9 milhões - foram de sisal bruto, que tem o menor preço no mercado. "Queremos melhorar as exportações, elevar o volume de embarque de produtos de maior valor agregado. Sisal bruto pode ser cotado no exterior a US$ 600 por tonelada, mas chega a US$ 1.500 em forma de fio e a até US$ 3 mil em tapetes", diz Wilson Galvão Andrade, presidente do Sindicato das Indústrias de Fibras Vegetais do Estado da Bahia (Sindifibras). Com suas cerca de 200 mil toneladas anuais, o Brasil é o maior produtor mundial da fibra - a Bahia responde por mais de 90% desse volume. No entanto, é a China, com produção de 40 mil toneladas por ano - volume insuficiente até para atender seu mercado interno -, o maior exportador mundial. O mercado internacional da fibra movimenta US$ 2,6 bilhões ao ano. Os chineses conseguem multiplicar sua receita com o comércio do sisal por investirem mais em produtos de maior valor agregado. Nos últimos cinco anos, entre sisal e outras fibras têxteis, as exportações do Brasil para a China cresceram 49.000%. Apenas em 2005, o Brasil foi responsável por 88% das importações chinesas de sisal bruto. Em contraste, o Brasil, com suas exportações de US$ 100,8 milhões em 2006, vendeu ao mercado externo apenas US$ 83,4 mil em produtos de cestaria, que estão entre os de maior valor agregado da cadeia da fibra. Feltros e fios responderam por US$ 4,1 milhões e US$ 17,5 milhões, respectivamente. Estados Unidos, China, Argentina, México, Portugal, Holanda e Alemanha são os principais compradores do sisal brasileiro. O trabalho de disseminação do sisal do Brasil tem sido feito em conjunto entre o Sindifibras e a Apex. De 2007 a 2008, serão investidos cerca de R$ 2,35 milhões em tarefas como prospecção de mercado, participação em feiras e identificação de novas aplicações da fibra, diz Juan Quirós, presidente da Apex. Além da oferta de produtos de maior valor agregado, outra alternativa para ganhar terreno, avalia Quirós, é a negociação com clientes de países para os quais o Brasil ainda não exporta. Levantamento da Apex mostra que não são feitos embarques, por exemplo, para Polônia, República Tcheca e Emirados Árabes, que estão entre os principais importadores de produtos de sisal. Hungria e Nova Zelândia também são apontados como mercados promissores. Estima-se que a cadeia produtiva do sisal - praticamente a única cultura comercialmente viável nas regiões mais secas do sertão baiano - envolva mais de 600 mil pessoas. O histórico da cultura, no entanto, não está relacionado apenas à inserção social. Um dos maiores problemas em sua cadeia produtiva ocorre na etapa em que a fibra é separada da planta por máquinas que podem causar amputações. São recorrentes também acusações de utilização de mão-de-obra infantil na cultura da fibra. Embora em menor escala, o manejo do sisal está relacionado, ainda, a problemas respiratórios. Esses fatores podem afugentar potenciais importadores, especialmente de países europeus, mais rigorosos na exigência de informações sobre os processos de produção. Segundo a Apex, o controle de problemas sociais causados pela produção da fibra é feito indiretamente pela agência, no trabalho de preparação das empresas para negociar com o mercado externo. "Trabalha-se para que o processo produtivo, produtos e serviços sejam controlados, passem por adequações e certificações nacionais e internacionais", diz a Apex.
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