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País pode ter nova expansão de fronteira agrícola

"O uso dos grãos para produção de etanol vai influenciar em uma expansão agrícola sem dúvida. É inevitável esta necessidade de expansão, o Cerrado volta a ser fronteira agrícola e novas áreas devem ser incorporadas", diz Fábio Turquino de Barros, analista da AgraFNP. Segundo dados da consultoria, entre a safra passada e a atual, a lucratividade do milho aumentou 160% e a da soja 60% nos Estados Unidos, chegando da US$ 800 e US$ 494 por hectare, respectivamente. Acompanhando esta tendência, no Brasil a lucratividade destes grãos também aumentou: 77% para o milho (US$ 350 por hectare) e 316% para a soja (US$ 250 por hectare), considerando o Paraná. Ele lembra que em alguns lugares, como em Mato Grosso, a lucratividade passou de negativa para positiva entre uma safra e outra. Segundo Barros, os preços do grão foram impulsionados pelo etanol, uma vez que a demanda por milho para o combustível é maior que a oferta. Para a próxima safra, o destino do grão para a produção de etanol será 50% maior que na anterior. Aliado a isso, o que deve influenciar a tendência para a próxima safra do Brasil é o plantio nos Estados Unidos, que começa em abril. Segundo o último levantamento do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), o milho vai aumentar a área cultivada em 11,4%, ganhando espaço sobre superfícies antes plantadas com soja e algodão. "Isso deve deixar a soja mais promissora no Brasil", argumenta Barros. Segundo ele, a tendência é que reverta a queda verificada no cultivo de soja da safra atual, cuja redução foi de 6%. "Muitos produtores vão investir nas duas culturas e, para isso, precisarão usar outras áreas", avalia. As novas áreas viriam do Maranhão, Piauí e Tocantins, o que o analista considera a grande fronteira agrícola brasileira. Segundo ele, em curto prazo esta região tem uma vantagem logística: o escoamento pelo porto de São Luís. Além disso, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Bahia também devem ceder novas terras. Barros argumenta ainda que parte do crescimento do cultivo da próxima safra virá de pastagem e de terras que estavam em "pousio". "Os Estados Unidos não têm mais área para ampliar. Portanto, o crescimento da produção virá da Argentina e do Brasil. Mas só a gente tem fronteira a ser explorada", diz Rosimeire Cristina dos Santos, assessora-técnica da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Assim como Barros, ela também acredita em um retorno aos níveis de duas safras. Mas avalia que o crescimento pode ser freado pela falta de capacidade de investimento do setor. Diferente de outras grandes expansões, com nas safras 2002/03 e na 2003/04, quando a superfície cultivada aumentou, respectivamente, 9,3% e 7,9%, Rosimeire não espera que produtores venham a se aventurar no agronegócio. "A crise eliminou os aventureiros", diz. Segundo a assessora-técnica, junto com os preços mais remuneradores, o produtor deve arcar também com um custo de produção mais alto: de até 15%. Tanto Barros quanto Rosemeire lembram que no Brasil a soja tem mais liquidez que o milho, e isso deve influenciar a decisão de plantio. "O crescimento pode ser maior na soja e o produtor investir na safrinha de milho, como ocorreu neste ano", afirma. O analista da AgraFNP diz que isso já ocorreu neste ano, quando o País deve colher uma safrinha de milho recorde. (fonte: Gazeta Mercantil)
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