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Palestras no Instituto Biológico reforçam a importância das abelhas para a agricultura

As abelhas e sua grande importância para o meio ambiente dominaram o segundo dia de palestras da 31ª Reunião Anual do Instituto Biológico (Raib), no dia 6 de novembro, em São Paulo. A programação abordou como a polinização realizada por esses insetos é essencial para a agricultura, além de mostrar os prejuízos causados pela ausência de abelhas e como este problema está sendo resolvido.
“As abelhas representam 70% de todos os insetos polinizadores, sendo que 90% das plantas frutíferas dependem de seus serviços”, enumerou Osmar Malaspina, professor do Departamento de Biologia/Centro de Estudos de Insetos Sociais da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro, na palestra “Projetos de Coexistência – Melão e Cana-de-açúcar”.

Ele estuda desde 2005 maneiras de garantir mais espaço para que as abelhas se desenvolvam. Uma alternativa é o manejo consciente na aplicação aérea de defensivos agrícolas, que podem matar esses insetos responsáveis por 73% de toda a polinização. O valor econômico da polinização pelos insetos é de cerca de 500 bilhões de euros no mundo todo, 12 bilhões somente no Brasil.

Para preservar as abelhas, Malaspina desenvolveu um estudo na Fazenda São João, em Araras, envolvendo 30 apicultores de uma associação da região. A pesquisa garantiu tanto a aplicação dos produtos químicos quanto a sobrevivência dos animais. 72 horas antes da aplicação, os apicultores são avisados, fechando as colmeias na noite anterior.

Em 2013, eram de 150 a 160 colmeias mortas, em 2018 a mortalidade foi praticamente zero com esse fechamento. A exceção ficou com as colmeias mais antigas, que não estavam em boas condições e não puderam ser totalmente fechadas. “A dificuldade é fazer os apicultores investirem nesse manejo e em tecnologia”, contou o professor.

O mesmo experimento será repetido em uma usina de Porto Ferreira, com previsão de divulgação do resultado em fevereiro de 2019. A mesma técnica está sendo utilizada também na florada da laranja em uma parceria com o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus).

Aluga-se

O biólogo David de Jong, do Departamento de Genética da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, contribuiu explicando como os Estados Unidos, seu país natal, tem enfrentado a falta de abelhas nas culturas agrícolas. A solução é o aluguel de colmeias, que chegam a cruzar o mapa norte-americano na rota Flórida-Califórnia – 5 mil quilômetros e quatro dias de viagem.
Jong explicou na palestra “Preparação e transporte de abelhas para polinização nos EUA” que “o foco comercial dos apicultores nos Estados Unidos não é o mel, mas sim a venda das abelhas. O mel é retirado da colmeia, mas para ela ficar mais leve para ser transportada”.

Segundo ele, para cada dólar que as abelhas geram para o apicultor na forma de mel, há um benefício de US$ 100 na forma de polinização, por isso a preferência pelo aluguel em vez da extração do mel.

Este serviço de polinização itinerante, com as colmeias transportadas por caminhões, movimenta por ano mais de três milhões de colmeias naquele país, sendo que o custo do aluguel de cada uma varia entre US$ 90 e US$ 200.

Profissional

“Hoje o grande mercado é a comercialização de colônias. Quando as abelhas entram no sistema produtivo elas garantem mais sustentabilidade”, concordou Cristiano Menezes, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), na palestra “Apiários e meliponários como exemplo de profissionalização”.

Ele apresentou o aplicativo Agrobee.net, um “Uber das abelhas”. O produtor rural que necessita das colmeias lança o chamado e quem estiver mais próximo e puder atendê-lo as leva às propriedades. Menezes chamou atenção para a importância de polinizar: a falta de polinização pode trazer prejuízos, como, por exemplo, a deformação dos frutos. No caso do café, o grão chega a ser 30% maior quando há a polinização.

Hélio Filho
Assessoria de imprensa

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