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Única unidade do Brasil com pesquisas em truticultura tem infraestrutura melhorada

O principal centro brasileiro de pesquisa e de produção de ovos embrionados de truta, a Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento (UPD) de Campos do Jordão, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), passou por melhorias na infraestrutura. Em 27 de março de 2013, foi inaugurado o Centro de Treinamento em Truticultura “Marcos Guilherme Rigolino”, com uma sala de aula que pode receber 40 alunos. A Unidade de Pesquisa da APTA, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, recebe anualmente mais de 200 estudantes, além de truticultores, que buscam conhecimento na única instituição de pesquisa brasileira que desenvolve estudos com trutas. Além da sala de aula, o centro tem uma área para armazenamento e manipulação da ração utilizada na alimentação dos peixes.
Outra melhoria da UPD foi a construção de um módulo para tratamento da água de abastecimento dos tanques, que consiste na filtragem, decantação dos sólidos em suspensão e no monitoramento da vazão. Para a criação de trutas é necessário fornecimento constante de água oxigenada e com baixa turvação. O problema é que a água captada de represas, muitas vezes, chegam com galhos de árvores, folhas e pequenos animais, que podem interromper o fluxo. Sem oxigênio, os peixes podem morrer em poucas horas. Com a implantação deste sistema de tratamento, o risco de entupimento chega a quase zero. Foram feitos também reparos e manutenção em tanques de piscicultura e do prédio Sede da UPD. O recurso, exclusivo do Governo do Estado de São Paulo foi na ordem de R$ 606 mil reais.
A maioria das truticulturas emprega alguma forma de tratamento da água de abastecimento para evitar os entupimentos, porém, o da APTA tem um diferencial: uma tela especial, com orifícios de 1 mm de diâmetro, com filamentos de aço posicionados em forma de cunha. Depois de filtrada, a água segue para um tanque de decantação, onde ocorre a sedimentação da areia fina, antes de ser direcionada aos tanques de criação.
A produção de truta exige água fria e, por isso, as regiões ideais para a criação são de alta altitude, com relevo acidentado e coberta de matas. “No período das chuvas, sofríamos com o entupimento das tubulações de suprimento de água. O material captado junto com a água, além de comprometer a qualidade, é bastante prejudicial aos peixes, pois as pequenas partículas em suspensão agridem as brânquias e provocam lesões que afetam a respiração”, explica Yara Aiko Tabata, pesquisadora da APTA, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Segundo a pesquisadora, a água turva também dificulta a visualização da ração pelo peixe, diminuindo a apreensão do alimento, o que afeta o crescimento do animal.
Outro diferencial deste sistema de tratamento de água instalado na APTA é a utilização de um sensor ultrassônico de nível, que monitora a vazão da água. “Para a quantidade de peixes e tanques que temos na Unidade, a vazão média de água deveria ser de 120 litros por segundo. Esse volume muda no caso da ocorrência de chuva, subindo para 150 litros, ou seca, diminuindo para 100 litros. Porém, o limite crítico inferior é de 90 litros por segundo”, afirma a pesquisadora da APTA. Caso ocorra algum bloqueio na captação da água e a vazão fique abaixo deste limite, um alarme sonoro é ativado para que o problema seja solucionado. “Geralmente a entrada de água é interrompida devido ao acúmulo de galhos e folhas na captação. Nesse caso, fazemos a limpeza do local o mais rápido possível”, explica.
Centro de Treinamentos
A Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Campos do Jordão da APTA atua na geração e na difusão de tecnologias com foco na melhoria da qualidade da truta cultivada, sendo o principal centro brasileiro de pesquisa e de produção de ovos embrionados da espécie. Os principais produtos tecnológicos produzidos pela UPD consistem nos ovos embrionados 100% fêmeas e triploides – que além de contribuírem para melhorar o desempenho da truta cultivada, podem ser úteis em programas de proteção ambiental. “Por serem estéreis, os triploides não apresentariam riscos de procriação em caso de eventual escape para o ambiente natural. Além disso, são indicados para a produção de truta salmonada de grande porte, processo que agrega maior valor ao produto”, afirma a pesquisadora da APTA.
A UPD da APTA é a única do Brasil capacitada para a produção de ovos embrionados de truta arco-íris 100% fêmeas triploides. Por desenvolver trabalho inédito na área, os pesquisadores da APTA recebem anualmente mais de 200 alunos. Para atender à demanda, foi construída uma sala de aula no Centro de Treinamento em Truticultura “Marcos Guilherme Rigolino”. “Recebemos estudantes de escolas técnicas, universitários, pós-graduandos, além de truticultores e interessados nas atividades em busca de conhecimento na área. São pessoas de todo o Brasil à procura de capacitação”, afirma Tabata.
No Centro de Treinamento também tem uma sala para o armazenamento e manipulação das rações utilizadas para alimentação das trutas. “Antes, guardávamos esses alimentos em um local que não era de uso exclusivo para a ração. O novo espaço, com capacidade para armazenar cinco toneladas, será utilizado também para preparação das dietas experimentais. Além de ter sido feito com material de fácil higienização e ter ventilação adequada”, explica a pesquisadora. 
Inauguração
Em 27 de março de 2013, foi inaugurado o Centro de Treinamento em Truticultura "Marcos Guilherme Rigolino” da UPD da APTA, em Campos do Jordão. O nome do Centro é em homenagem ao pesquisador responsável pela implantação e desenvolvimento de todas as atividades técnicas e científicas conduzidas na Unidade. Rigolino faleceu em 2012.
Também em 27 de março, os pesquisadores da APTA em aquicultura discutiram o “Plano de ações em aquicultura continental: ordenamento às estratégias da APTA Regional para 2012-2015”. A discussão teve como foco o capital intelectual, a capacidade de produção e de inovação, além de políticas sustentáveis, que nortearão os trabalhos da APTA até 2015.
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