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Na fazenda, valor pago pelo leite recua em 2006

O preço do leite pago ao produtor encerrará 2006 com a média anual mais baixa de sua história. Levantamento da Scot Consultoria aponta uma cotação média no ano de R$ 0,480 por litro, 8,4% abaixo da média verificada em 2005 e a menor já medida pela consultoria. Em dezembro, o preço médio pago ao produtor, referente ao produto entregue em novembro, ficou em R$ 0,472 por litro, 10,95% acima da média verificada em igual mês de 2005, mas 1,5% abaixo da média de novembro, sendo a maior queda registrada no ano. Com a entrada da "safra" de captação (que dura até fevereiro), a tendência é de novos recuos em janeiro. "O consumo normalmente diminui com a entrada do verão e as férias escolares, o que também deve pressionar os preços do leite", afirma Cristiane de Paula Turco, analista da Scot Consultoria. Ela observa que o ano foi difícil para produtores, que tiveram de lidar com um aumento da captação - principalmente com a recuperação da pecuária leiteira no Sul. Até outubro, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea /USP), a captação havia crescido 0,86% em relação a igual intervalo de 2005. Já as cotações pagas no varejo subiram acima dos índices inflacionários. A cotação média do longa vida ficou em R$ 1,4136 por litro em dezembro, o que representa alta de 2,7% em relação a novembro e de 11,85% comparado à média de dezembro de 2005. A inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M/FGV), acumula alta de 3,8% entre janeiro e a segunda quinzena de dezembro. O Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA/IBGE) acumula alta de 2,65% até 15 de dezembro. Para o ano, o IBGE projeta inflação de 3,11%. Conforme a Scot, o setor varejista, que tem maior poder de barganha, não repassa o aumento aos outros elos da cadeia. Em dezembro, a diferença entre o preço do varejo e o valor pago às indústrias foi de 23,4% - a maior desde 2002. Cristiane observa que as indústrias tiveram um ano favorável, com aumento de preços acima da média da inflação, redução de custos produtivos e novos investimentos. Ontem, a Cooperativa Central Gaúcha (CCGL) recebeu financiamento de R$ 70 milhões do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) para instalar uma fábrica em Cruz Alta (RS), com capacidade para 1 milhão de litros de leite/dia. O investimento total é de R$ 112 milhões. (CB)
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