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"Monoculturas regionais" em São Paulo exigem políticas públicas adequadas

Não existe uma única agricultura paulista nem uma única agropecuária paulista, mas uma gama de agriculturas e agropecuárias territoriais forjadas no intenso processo de especialização regional característico do padrão agrário implantado. Essas “monoculturas regionais" diferenciam-se segundo mecanismos de coordenação vertical e de inserção no movimento mais amplo de acumulação do capital. É o que dizem os pesquisadores José Sidnei Gonçalves, José Alberto Ângelo e Sueli Alves Moreira Souza, em artigo publicado na revista Informações Econômicas (edição de fevereiro) do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. “É a isso que as políticas públicas devem responder.” A análise tomou como base o valor da produção agropecuária e as exportações da agricultura estadual. A maior desconcentração regional na produção agropecuária paulista no seu espaço oeste contrapõe-se a uma elevada concentração regional da agricultura no eixo metropolitano do entorno da capital paulista, observam os pesquisadores. “Tanto que a agropecuária da região da capital e entorno, com 4% do valor da produção, responde por quase 40% das exportações. Isto se deve à prevalência dos agrosserviços transacionais e financeiros nesses conglomerados urbanos.” Os indicadores de disparidades inter-regionais da economia paulista mostram amplitudes exacerbadas de diferenças, dizem os pesquisadores do IEA. É o caso, por exemplo, do perfil das exportações da agricultura. “As maiores participações de produtos processados nas exportações setoriais regionais ocorrem em Guaratinguetá, Piracicaba, Pindamonhangaba, Marília e Catanduva. E as menores, em São José do Rio Preto, Votuporanga, Botucatu e Fernandópolis.” Eles observam ainda que, entre as regiões com exportações da agricultura com maior valor agregado, pelo menos duas (Marília e Catanduva) estão situadas na faixa oeste do território estadual onde prevalece a menor agregação de valor nas vendas externas. A região de Guaratinguetá exporta US$ 42,15 milhões em produtos processados da agricultura (semimanufaturados e manufaturados), o que representa participação de 100% no total setorial, e Pindamonhangaba exporta US$ 93,75 milhões (98,64% do total setorial). Já na região de Piracicaba, as exportações processadas da agricultura somam US$ 818,82 milhões (participação de 99,60%). A região de Marília exportou US$ 75,83 milhões de processados da agricultura (participação de 97,75%) e a de Catanduva, 311,69 milhões ou 96,83%. “A elevada participação do entorno da capital nas exportações setoriais regionais paulistas deixa para os negócios realizados diretamente pelas estruturas regionais o condicionante da escala”, dizem os técnicos do IEA. “As vendas executadas diretamente das regiões – sem passar pela estrutura de agrosserviços transacionais e financeiros metropolitanos – acabam sendo realizadas por grandes unidades agroindustriais. Tanto assim que, para cada região com elevada participação de produtos processados nas exportações totais da agricultura paulista, pode-se associar a existência de uma grande unidade agroindustrial – de sucos cítricos, de frigoríficos ou de usina sucroalcooleira.” Esta “constatação está relacionada, de forma intrínseca, às disparidades regionais estaduais – em função de que a agropecuária se mostra por definição um segmento econômico associado à ocupação do espaço”, observam os pesquisadores. Assim, eles defendem “políticas de desenvolvimento mitigadoras dessas diferenças e, especialmente, que conduzam ao resgate de regiões de agricultura deprimida existentes no território paulista”. O artigo “Economias Regionais Paulistas no período 2005-2007: desconcentração na agropecuária com concentração na agricultura revelando diferenças estruturais” foi publicado na revista Informações Econômicas do IEA (edição de fevereiro/2009), disponível no site www.iea.sp.gov.br. Assessoria de Comunicação da APTA José Venâncio de Resende (11) 5067-0424
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