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Moinhos brasileiros antecipam importação de trigo

Os moinhos brasileiros começaram a antecipar as importações de trigo temendo a escassez da oferta global e a alta de preços do cereal no mercado internacional. Neste início de safra, a 2007/08, as indústrias já contrataram 900 mil toneladas da Argentina, principal fornecedor do Brasil. O trigo argentino está bastante competitivo no mercado internacional, segundo analistas ouvidos pelo Valor. De uma safra estimada em cerca de 14 milhões de toneladas, a Argentina deve exportar pelo menos 8,5 milhões de toneladas a partir de novembro. Desse total, 2 milhões de toneladas de trigo já estão comprometidos, dos quais quase metade para o Brasil. Com forte quebra de produção na safra 2006/07, por conta de geadas e secas no Sul do país, o Brasil teve de aumentar suas importações para cerca de 7,5 milhões de toneladas. Neste ciclo, o cenário não será muito diferente. A nova safra do país, que começou a ser colhida no norte do Paraná, deverá ficar em 3,5 milhões de toneladas. Se confirmadas as expectativas, será um aumento de 59% sobre o ciclo anterior. A expectativa inicial era de 4,2 milhões de toneladas, mas as geadas voltaram a afetar as lavouras do Paraná. Apesar de reduzir os volumes de importação nesta safra, os gastos com trigo serão maiores por conta da alta dos preços do cereal no mercado internacional. Nos últimos 12 meses, as cotações do trigo na bolsa de Kansas registram valorização de 44%. A alta dos preços reflete o cenário de oferta global apertada, com estoques mundiais 16% menores. O movimento de recuperação do dólar também deverá elevar as despesas dos moinhos. Na safra 2006/07 (julho a agosto), o Brasil importou 7,15 milhões de toneladas de trigo em grão, mas os volumes podem chegar até 7,5 milhões após a consolidação total dos números. Até julho, as despesas atingiram US$ 1,316 bilhão, considerando preço médio de US$ 183 por tonelada. Para 2007/08, a expectativa é de que as importações fiquem em 6,5 milhões de toneladas, com despesas de US$ 2 bilhões, alta de 52% sobre o ciclo anterior, considerando preço médio do trigo em US$ 290 a tonelada (cotações atuais), de acordo com estimativas da Safras&Mercado. Temendo que os preços do cereal mantenham-se em alta, as indústrias já começam antecipar os contratos. Segundo Lawrence Pih, presidente do Moinho Pacífico, as indústrias não acreditavam que os preços fossem subir tanto. "Entre fevereiro e março deste ano, a tonelada do trigo em grão argentino estava em US$ 190. Agora está em torno de US$ 290", disse. No Brasil, as cotações também seguem firmes. A oferta da nova safra estará no mercado a partir de setembro, mas não há expectativa de que os preços recuem. No Paraná, a tonelada do trigo está em torno de R$ 630, alta de 50% sobre igual período de 2006. No Rio Grande do Sul, sai por R$ 530, 43% maior, de acordo com Élcio Bento, da Safras&Mercado. "As indústrias brasileiras demoraram muito para tomar posição", afirmou um trader argentino ao Valor. No mesmo período do ano passado, as antecipações de compras estavam até 20% menores. Segundo o trader, a procura pelo trigo argentino aumentou. O mercado teme que o governo daquele país aumente as tarifas de exportação do trigo de 20% para 30% para conter a inflação local. "Havia fortes rumores de que o governo iria tomar essa medida." Para as indústrias brasileiras, a elevação das tarifas para o trigo em grão seria o pior dos cenários pois estimularia a importação de farinha de trigo argentina, cuja tarifa está fixada em 10%, aumentando a concorrência com o produto nacional. No momento em que os moinhos antecipam importações, surgiram rumores, na sexta-feira, de que uma trading teria exportado trigo brasileiro para a África do Sul, mas as informações não foram confirmadas. Redação Fonte: Valor Econômico
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