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Maior demanda por milho e soja encarece ração animal

A demanda por biocombustíveis, especialmente o etanol, pode provocar aumento dos preços dos alimentos. Um dos setores mais prejudicados será o agropecuário. Com aumento do consumo de milho e soja, tratar de gado e aves ficará mais caro, o que deve ter reflexos diretos no preço da carne ao consumidor. A previsão é do fundador da Alltech – empresa especializada na fabricação de insumos para alimentação animal –, Pearse Lyons. Segundo o empresário, nos Estados Unidos, o milho, utilizado para a produção de álcool, dobrou de preço em um ano, coisa que não acontecia há 26 anos. De acordo com estimativas mundiais, as usinas de etanol consumirão até metade do suprimento nacional de milho norte-americano em pouco tempo. Os EUA são responsáveis por cerca de 40% da produção mundial de milho, sendo o maior exportador do mundo. Graças à onda do etanol no país, onde o milho é matéria-prima principal, em março os preços tiveram maior alta dos últimos 10 anos. A elevação dos preços não se restringe a esse grão. O aumento na produção de biocombustíveis provoca uma onda de choque em todo sistema de alimentação. Os preços do trigo e do arroz também dispararam para as marcas mais elevadas em 10 anos, porque ao mesmo tempo em que esses cereais passam a ser mais usados como substitutos do milho, a área reservada ao seu plantio está caindo devido à ampliação das plantações de milho pelos agricultores. Apesar dos benefícios que a produção dos biocombustíveis podem trazer para a economia, há uma preocupação mundial com os reflexos no preço dos alimentos. Dados do Banco Mundial mostram que, em 2001, 2,7 bilhões de pessoas viviam com menos de US$ 2 ao dia, no mundo. Para esse público, uma alta nos preços dos alimentos, especialmente dos cereais – a base da alimentação –, pode ser devastadora. Consumo – Estima-se que nos Estados Unidos, para produzir etanol para encher o tanque de um utilitário esportivo, com capacidade para 95 litros, é preciso 200 quilos de milho. Esse volume do grão contém calorias suficientes para alimentar uma pessoa por um ano. Ao pressionar a oferta mundial de alimentos, há alta na produção de biocombustíveis. “No Brasil, ainda não existe uma verdade absoluta sobre o assunto. Dependemos de uma definição que o mercado acredita sair em até cinco anos”, explicou o presidente da Alltech no Brasil, Ari Fischer. Os Estados Unidos precisam de cerca de 11 bilhões de galões de álcool para chegar a uma meta razoável de adição à gasolina. Para isso, são necessárias 112 milhões de toneladas de milho. No último discurso de Estado que o presidente George W. Bush fez, em janeiro, ele afirmou que, na cabeça dele, nem esse número de galões seria suficiente para alcançar a meta de adição do etanol no combustível. O ideal seria 35 bilhões de galões de álcool, o que implicaria uma necessidade de 350 milhões de toneladas de milho. “Os dois números são considerados extraordinários, já que os EUA produzem 250 milhões de toneladas de milho. Isso pode mudar o panorama mundial da produção de mlho.” Por esse motivo, existe a especulação de que vai faltar milho nos Estados Unidos e que o país pode comprar soja do Brasil, já que as lavouras da matéria- prima utilizada para a produção do etnol americano podem tomar o espaço ocupado pela soja. O assunto foi discutido na Etapa Brasileira da 17ª Ronda Latino-Americana, realizada pela Alltech em 10 países da América Latina, com a participação de especialistas internacionais na área de nutrição animal. A grande preocupação dos organizadores do evento é encontrar mecanismos para baixar o custo da alimentação animal, a partir do aumento dos preços de grãos, como o milho e a soja, predominantes na produção da ração animal. Segundo Ari Fischer, mesmo que o Brasil exportasse o álcool aos Estados Unidos, a produção no Brasil teria de ser implementada, assim, a cana passaria a ocupar o espaço da soja, o que também provocaria alta dos preços no Brasil. “Nós estamos plantando cana com uma visão de mercado internacional sem considerar os Estados Unidos”, afirma. Aline Tomaz Fonte: Diário da Manhã
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