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Leite: Câmara Setorial quer melhorar as relações comerciais na cadeia produtiva

A Câmara Setorial de Leite e Derivados, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA), reúne-se no dia 19 de dezembro, às 12h30, em São Paulo, para discutir uma agenda de trabalho que permita harmonizar as relações comerciais entre os varejistas e a cadeia produtiva do leite. O encontro será realizado na sede da Associação Paulista de Supermercados (APAS), na Rua Pio XI, 100 – Alto da Lapa. Segundo análise de pesquisadores do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA-SAA), o consumo de leite pasteurizado diminui cada vez mais no Estado de São Paulo, perdendo cerca de 70% do mercado em 14 anos para o UHT. “As duas principais formas de acondicionamento do leite (refrigerado e embalagem longa vida) refletem as características de consumo de leite no Estado”, dizem. “A participação do UHT representa 75,8% do total de leite fluido vendido, dada a praticidade desta forma de comercialização do leite, que pode ser armazenado por até quatro meses.” As diferenças na comercialização do leite levaram aos maiores percentuais de queda nos preços do longa vida, “já que o varejo utiliza este produto para atrair o consumidor e a aquisição do mesmo está relacionada ao poder de negociação que as redes varejistas têm para conseguir contratos vantajosos com as empresas”, observam os pesquisadores Rosana de Oliveira Pithan e Silva, Carlos Roberto Ferreira Bueno, Nelson Pedro Staudt e Raquel Castelucci Caruso Sachs. “Portanto, o preço do leite UHT exerce um tipo diferenciado de pressão sobre o mercado em relação ao preço do leite pasteurizado, que é altamente perecível.” Maior consumidor de leite do Brasil, São Paulo é também o maior produtor de leite pasteurizado do País (32,3% da produção). Mas ainda assim precisa importar grande volume dos estados vizinhos para atender o seu mercado, pois a produção não é suficiente para abastecer a população, explicam os pesquisadores. “O mercado paulista depende do leite de outros Estados produtores, pois sua produção é pulverizada e composta em grande parte de pequenos produtores que não têm no leite a principal fonte de renda.” O produto que entra em São Paulo é comprado diretamente dos Estados vizinhos para ser processado internamente ou, principalmente, como longa vida, dizem os técnicos do IEA. “No último ano, Estados como Minas Gerais, Goiás e Rio Grande do Sul, grandes produtores de leite, tiveram crescimento acentuado da produção, não acompanhado de aumento do consumo, até por conta da alta da inflação em 2008. Frente a isso, seus preços caíram pelo excesso de oferta. Como São Paulo depende destes Estados para atender seu mercado com longa vida e tem um grande potencial de consumo, estes vêm colocando o produto no Estado paulista a preços inferiores.” Porém o mercado de leite pasteurizado sofreu menos oscilações que o do leite UHT, observam os pesquisadores. “O leite pasteurizado produzido para o mercado de São Paulo é quase que exclusivamente produzido por laticínios paulistas. Portanto, a maioria do produto é adquirida dos produtores paulistas que não tiveram a mesma influência sobre os preços que estes Estados. Assim sendo, não se verificam grandes alterações no mercado varejista de leite pasteurizado tipo C.” A política paulista de apoio ao setor leiteiro, em atendimento às demandas da Câmara Setorial de Leite e Derivados, tem contribuído para fortalecer a produção e preservar a competitividade do Estado diante de políticas tributárias de Estados vizinhos. Com isso, “os preços de leite pagos ao produtor tiveram queda maior nos outros Estados”. Já no caso dos produtores paulistas, verificou-se ascensão na curva de preços. Quanto às indústrias de leite longa vida do Estado, “aumentaram sua participação nas vendas no mercado paulista com conseqüente redução da participação do Rio Grande do Sul, Goiás e Paraná”. Porém, recentemente, os pesquisadores do IEA constataram recuo nos investimentos no setor de produção, devido aos menores preços recebidos e aos altos custos de produção. “Só nos primeiros sete meses de 2008 eles aumentaram 10,53%. Isso demonstra que não há mais margem para queda nos preços do leite. Corrobora para isso o aumento da embalagem e do frete para o leite UHT.” Assessoria de Comunicação da APTA José Venâncio/Maitê Laranjeira (11) 5067-0424
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