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Instituto de Pesca inova na taxidermia

Foram quase dois meses, desde a chegada do peixe ao Laboratório de Taxidermia do Museu de Pesca de Santos, no dia 26 de setembro, até a finalização, no dia 20 de outubro de 2013, do trabalho de taxidermia do exemplar de pirarucu, Arapaima gigas, medindo 2,30 metros. Ele habitava o “Acquamundo” - Aquário do Guarujá, onde viveu 13 anos, aproximadamente. Segundo os biólogos do aquário, sua morte pode ter sido por idade. 
A taxidermia desse peixe foi iniciada com a evisceração, ou seja, a retirada dos órgãos internos do animal, seguindo-se a retirada da musculatura, deixando o couro (ou pele) livre de qualquer outro material. Posteriormente, o pirarucu (cabeça e couro) foi colocado em uma solução de formol, onde permaneceu por 10 dias. A partir de então, começou o enchimento com plástico-bolha, técnica pioneira no mundo da taxidermia, criada pelo taxidermista Nelson Dreux Costa, do Museu de Pesca, do Instituto de Pesca (IP-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
“Na fase de acabamento do exemplar, depois do preenchimento com o plástico, foi a vez da reposição das escamas do pirarucu, confeccionadas com fibra de vidro, e a recriação dos olhos da forma mais natural. E, para finalizar, a pintura, com aerógrafo, para ficar com a aparência mais real possível”, descreve Costa.
Nesse seu trabalho, Costa contou com a colaboração voluntária do médico-veterinário Theo Miranda dos Reis. 
A repercussão internacional do trabalho de Costa começou com uma lula, em exposição no Museu desde 2003 – a primeira e única lula taxidermizada do mundo, que recebeu inclusive um elogio do renomado doutor Clyde F. E. Roper, zoologista emérito do “Smithsonian Institution”, de Washington, D.C., a maior autoridade em cefalópodes dos Estados Unidos. Roper interessou-se pela técnica utilizada em uma peça desse porte. 
O que é taxidermia (empalhamento)?
Antigamente utilizava-se palha ou serragem de madeira para desenvolver a técnica da taxidermia de um animal destinado a exposições em museus e escolas. Desde 2000, o Laboratório de Taxidermia e Técnicas Afins do Museu de Pesca de Santos (SP), vem se processando uma mudança radical nessa técnica. O taxidermista Nelson Dreux Costa passou a utilizar plástico bolha e serragem sintética, oriundos de plástico triturado, ecologicamente correto, recursos esses que, além de não serem hospedeiros de cupins e brocas, dão maior leveza aos animais e permitem que a coloração fique, inclusive, mais natural, por não sofrer o efeito da pigmentação da serragem ou da palha de madeira. Costa explica que a primeira coisa que aboliu foi o uso de base de madeira para a fixação dos animais, substituindo-a por arame, fio de cobre ou de outro tipo de metal flexível, que ficam esteticamente melhor. 
A taxidermia (termo grego que significa ‘dar forma à pele’) é a forma de montar ou reproduzir animais para exibição ou estudo. É a técnica de preservação da forma da pele e do tamanho de animais, utilizada como uma importante ferramenta de conservação para a criação de coleção científica ou para fins de exposição, trazendo também uma alternativa de lazer e cultura para a sociedade. A técnica tem como objetivo o resgate de espécimes descartados, reconstituindo suas características físicas e, às vezes, simulando seu ‘habitat’ o mais fielmente possível, para que possam ser empregados como ferramentas para a educação ambiental ou como material didático. Popularmente, o termo empalhar já foi usado como sinônimo de "taxidermizar"; entretanto, atualmente não se usam mais os manequins de palha e barro para substituir o corpo dos animais. 
Texto: Antonio Simões
Revisão: Márcia Navarro Cipólli
Assessoria de Imprensa – IP
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