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Instituto Agronômico (IAC) chega a cultivar de número mil

Quantas instituições no Brasil já chegaram à marca de mil resultados diretamente ligados à sua missão? Em um país com 513 anos, é como se essa instituição existisse desde o início e tivesse uma média de quase duas conquistas por ano. O Instituto Agronômico (IAC-APTA), de Campinas, chega a cultivar mil neste mês de junho e mais uma vez faz um marco na ciência agrícola. Chamada IAC Milênio, a cultivar mil é de feijão, uma das 90 espécies estudadas no IAC, fundado em 1887. Ainda em 2013, o IAC irá lançar cultivares de cana-de-açúcar, amendoim, citros, arroz e quiabo. “De 2013 a 2022, 175 novas cultivares devem ser registradas, uma média de 18 por ano ou uma nova cultivar a cada 21 dias”, diz Sérgio Augusto Morais Carbonell, diretor-geral do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
Hoje, 27, o IAC completa 126 anos e lança amanhã, 28, durante as comemorações do aniversário, acultivar mil. A solenidade será na Sede, em Campinas, com início às 8h. Será feito o lançamento do feijão IAC Milênio e a entrega do Prêmio IAC. Também faz parte das comemorações uma mesa redonda com o tema importância das cultivares no desenvolvimento sustentado, que acontece hoje, 27, no IAC, a partir das 14h.
Na década de 70, o IAC desenvolveu o tipo de feijão carioca, o mais consumido no Brasil até hoje. De lá para cá, 42 cultivares de feijoeiro foram desenvolvidas – uma melhor que a outra – falando claro e simplesmente. Sim, porque este é o objetivo do melhoramento genético de plantas, trabalho que é o carro-chefe do Instituto Agronômico. “Esta continuidade mostra que o Instituto Agronômico segue produzindo ciência agrícola com elevada competência, com resultados que atravessam décadas e a mesma credibilidade junto aos setores de produção”, avalia Carbonell.
A permanência da adoção das tecnologias IAC é fruto dos benefícios gerados junto às diversas cadeias do agronegócio. De acordo com Carbonell, a ciência agrícola contribuiu para o feijoeiro se tornar um negócio, deixando de ser cultura de subsistência. “Estamos na nona geração do feijão carioca, já resolvemos problemas fitossanitários e agora focamos na qualidade nutricional do produto”, diz o diretor do IAC.
O diferencial da cultivar IAC Milênio não está restrito a uma característica, mas ao pacote tecnológico composto por qualidade de grão de alto padrão no mercado, com caldo espesso e alto rendimento de panela, alta produtividade, porte ereto que viabiliza colheita mecanizada, resistência à antracnose e à murcha de Fusarium. A antracnose éuma doença que danifica folhas e vagens, depreciando o produto. A  murcha de Fusarium, principal doença da raiz, leva a planta à morte. “A resistência a essas doenças reduz em cerca de 30% a aplicação de agrotóxicos. Hoje o agricultor tem alto custo para controle da antracnose”, diz o pesquisador Alisson Fernando Chiorato. No Brasil, o melhor trabalho envolvendo esta doença é do IAC. Ele afirma que o custo total de produção do feijoeiro varia de R$ 2 mil a R$ 6 mil, por hectare, sendo que grande parte desse montante envolve produtos químicos de prevenção e controle de pragas e doenças.
A qualidade do grão de alto padrão do IAC Milênio é a mesma do IAC Alvorada, lançado em 2008, que apresenta grãos claros e inteiros após o cozimento, com tamanho e formato almejados pela indústria, além de caldo encorpado apreciado pelo consumidor. Entretanto, o IAC Alvorada é suscetível à murcha de Fusarium e por essa razão, hoje é produzido em áreas novas do feijoeiro, onde não há infestação da doença e em propriedades com alta tecnologia. Chiorato afirma que o IAC Alvorada seria um dos feijões mais plantados no Brasil, se não fosse a suscetibilidade à doença que ataca a raiz. A avaliação do pesquisador é confirmada pela opinião de usuários da tecnologia IAC.
“Plantei por dois anos a IAC Alvorada, mas parei porque ela era muito sensível a doenças. O Alvorada é um feijão com grãos de qualidade e produtividade excelente. Até hoje foi o feijão com maior produtividade na minha propriedade. Se não fosse a sensibilidade das raízes à doença eu continuaria plantando. No ano passado, plantei o IAC Formoso porque ele é mais resistente a doenças”, diz Mariana Figueiredo Bergamo Salvador, que cultiva 443 hectares de feijão irrigado em Avaré, interior paulista.
O pesquisador explica que o IAC Milênio vem do melhoramento do IAC Alvorada, com a mesma qualidade do grão e a vantagem de ser resistente à murcha de Fusarium. É exatamente o perfil desejado pela agricultora Mariana Bergamo. “Se tivesse semente de um feijão parecido com o Alvorada, mas resistente a doenças, eu plantaria com certeza”, diz.
O interesse é o mesmo de Altair Muller Corrêa, agricultor de Manduri, em São Paulo. ”Se tivesse uma variedade do Alvorada resistente à doença de raiz, vixi, eu tenho muito interesse em plantar. Para o consumidor ele é muito bom”.
Esta soma de qualidades atribui ao IAC Milênio potencial para ser uma das cultivares mais plantadas no Brasil. “Atualmente, cerca de 20% do mercado nacional de feijão é ocupado por materiais do Instituto Agronômico. Na região de Goiás, na safra 2012/2013, foram produzidos 530 mil quilos de sementes da cultivar IAC Formoso, lançado em 2010”, afirma o pesquisador. Segundo Chiorato, é uma presença bastante elevada, considerando a alta tecnologia envolvida nas instituições públicas brasileiras dedicadas ao melhoramento do feijoeiro.
“A qualidade deste material retrata todo o empenho da nossa pesquisa em gerar produtos cada vez melhores para agricultores e consumidores”, diz o diretor do IAC. A cultivar IAC Milênio tem produtividade média de 2.831 kg/hectare, que é semelhante a outros materiais do mercado, e potencial produtivo de 4.625 kg/hectare. “São Paulo tem a maior produtividade média por área, no Brasil, em torno de 1.800 quilos por hectare, que ainda é baixo frente ao potencial produtivo da cultura, que fica acima de 4 mil quilos por hectare”, explica Chiorato.
Em relação a aspectos agronômicos, as cultivares de feijoeiro já têm tecnologias além da capacidade de exploração do setor de produção. Por isso, o programa de melhoramento genético do IAC tem se dedicado às propriedades nutricionais do produto, a fim de elevar o teor de proteínas e identificar a presença de outras substâncias benéficas à saúde, como a isoflavona. Em pesquisa recente e inédita, o IAC descobriu esse fitoestrógeno no feijão IAC Formoso, até então apenas identificado na soja. “Essa descoberta é importante, pois o brasileiro consome feijão e não soja”, diz o pesquisador.
De acordo com o gestor de suprimentos da Camil, João Carlos de Castro Alves, o Instituto Agronômico visualizou não só a importância da genética para o produtor, mas também para quem vai consumir e se aquele produto teria ou não aceitação dos consumidores. “O IAC vislumbrou que a pesquisa não deveria atender apenas a aspectos agronômicos, mas também à qualidade culinária. Hoje o IAC trabalha para aprimorar e incorporar maior teor de proteína e outros nutrientes ao feijão”, diz Alves.
O IAC Milênio é recomendado para a época das águas (colheita feita de novembro até meados de janeiro) e da seca (colheita em março e abril) nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. Em 2014, a recomendação será estendida para Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Rio de Janeiro. “Chegar a cultivar mil com um material de feijão, adaptado a várias regiões, é muito significativo para o Instituto por se tratar de um alimento muito presente na dieta do brasileiro, além de ser um grão carioca, o mais consumido no Brasil e que foi gerado pelo Instituto Agronômico de Campinas”, avalia Carbonell.
Em São Paulo, em razão das temperaturas amenas, o feijão é colhido nas três safras: águas, seca e inverno. Na região Centro-Oeste só há a safra de inverno, única época em que as temperaturas são amenas. Em Santa Catarina, não existe a safra de inverno, em função das geadas.
As pesquisas com o IAC Milênio começaram em 2007 e envolvem recursos do Governo paulista, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). As sementes estarão disponíveis para as empresas multiplicadoras a partir do final deste ano. Na avaliação de Chiorato, 33 anos de idade e há oito como pesquisador do IAC, as qualidades trazidas pela cultivar IAC Milênio são um exemplo do trabalho realizado pelo Instituto na busca pelo aumento da produtividade e da qualidade exigida por consumidores. “O IAC Milênio é uma cultivar de feijão carioca que em suas características extrínsecas e intrínsecas atende plenamente aos anseios de todos os elos da cadeia produtiva do feijão”, diz João Carlos de Castro Alves, da Camil.
Pacotes tecnológicos direcionados
No programa de melhoramento do feijoeiro do Instituto Agronômico, a IAC Milênio é a melhor cultivar já desenvolvida — até agora — em produtividade, resistência a pragas e doenças, estabilidade de produção, qualidade de grãos, teor de proteínas e tempo de cozimento. No melhoramento de plantas, o IAC busca qualidades agronômicas que atendam às necessidades de agricultores e indústria, além de características que satisfaçam os consumidores cada vez mais exigentes.
“O agricultor que planta semente IAC com certeza vai colher um produto de excelente qualidade e terá mais escoamento e, consequentemente, maior fluxo de caixa. Todas as sementes do IAC têm interesse da Camil, todos eles têm qualidade, que é o que priorizamos em nosso portfólio”, afirma João Carlos de Castro Alves, da Camil.
Nesse sentido, a pesquisa no IAC tem focado os pacotes tecnológicos direcionados às necessidades agronômicas, conforme a região e a característica de cada propriedade rural. Segundo o pesquisador Alisson Fernando Chiorato, alguns agricultores buscam reforço nos aspectos de produtividade, outros necessitam de cultivar rústica, que tolere o estresse hídrico, há ainda necessidade de resistência à maior incidência de antracnose e murcha de Fusarium. Há regiões em Minas Gerais, por exemplo, onde a cultivar IAC Imperador, lançada em 2012, vai muito bem por tolerar a seca, resistir à antracnose e à murcha de Fusarium e ter ciclo precoce, de 75 dias, que permite o plantio de feijão entre milho e soja, proporcionando ao agricultor uma safra a mais.
Outro benefício das cultivares de feijão do IAC é a maior tolerância ao escurecimento. Os materiais resistem 60 dias a contar da colheita, sem nenhuma perda de qualidade em relação à cor, aspecto ligado à qualidade do grão. “Isso permite ao agricultor armazenar o produto, caso queira esperar a melhoria do preço”, diz Chiorato. Foco em qualidade e sustentabilidade
O trabalho realizado no Instituto Agronômico sempre foi direcionado à conquista de produtos com qualidade para atender às demandas dos agricultores, às exigências das indústrias e dos consumidores — isso alinhado à sustentabilidade ambiental e viabilidade econômica. “Orientamos nossa programação científica para qualidade, redução de custos e de impactos ambientais”, completa Sérgio Augusto Morais Carbonell. O diretor-geral ressalta algumas das contribuições do IAC. Ele aponta os trabalhos pioneiros do IAC, que indicou o cultivo da soja no Cerrado brasileiro, nos anos 70, até os mais modernos grãos como os amendoins alto oleicos e os cereais, trigo, triticale e aveia, com elevada resistência a pragas e doenças e atributos de enriquecimento nutricional. Outra marca do Instituto está na tropicalização da fruticultura, que sustenta a viticultura no interior paulista e no Vale do São Francisco, no Nordeste, e a produção de frutas de caroço em condições de solo e clima de São Paulo. Destacam-se ainda o desempenho da citricultura brasileira, baseada na pesquisa IAC que viabiliza o enfrentamento de pragas e doenças, o cultivo da mandioca por agricultores familiares, que resulta em 80% de materiais IAC nas lavouras de Minas Gerais e São Paulo, e os estudos com seringueiras, que fazem de São Paulo o maior produtor nacional de látex. Em 90% do parque nacional de cafeeiro arábica há materiais IAC, que segue gerando tecnologias para modernização dos sistemas de produção e desenvolvendo material naturalmente sem cafeína.
Solenidade de aniversário
Além do lançamento da cultivar mil de feijão, a solenidade de comemoração dos 126 anos do Instituto terá a entrega do Prêmio IAC e a transferência do gabinete da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, que pela primeira vez estará no Instituto Agronômico, a partir das 9h do dia 28 de junho de 2013. A secretária, Mônika Bergamaschi, irá trabalhar durante todo o dia na Sede do IAC.
O aniversário do Instituto é no dia 27 de junho, mas a solenidade será, amanhã, 28, na Sede, em Campinas. A recepção será às 8h, na sequência haverá o lançamento do feijão IAC Milênio e a entrega do Prêmio IAC.
Também faz parte das comemorações uma mesa redonda com o tema importância das cultivares no desenvolvimento sustentado, que será realizada no dia 27 de junho, a partir das 14h, na Sede. Uma exposição fotográfica, que registra momentos importantes da agricultura paulista, permanecerá no saguão do Instituto de por 30 dias, a partir de 27 de junho de 2013.
Prêmio IAC 2013
Os agraciados com o Prêmio IAC são, na categoria interna, o pesquisador científico da área de solos, Otávio Antonio de Camargo, e o servidor de apoio, Mauro Massarotto, com 53 anos de serviço. Na categoria externa, como Personalidade do Agronegócio, o agraciado será o agrônomo com intensa atuação no setor sucroalcooleiro, Luiz Carlos Corrêa Carvalho.
Serviço
Instituto Agronômico lança cultivar mil de feijão e comemora 126 anos 
Data: 28 de junho de 2013
Horário: 8h
Mesa redonda: “Cultivares como indutoras do desenvolvimento sustentado”
Cultivares: impactos na qualidade de alimentos – Walter José Siqueira – IAC
Bancos de germoplasma e coleções biológicas: estratégias para o melhoramento vegetal – Luciano Nass – EMBRAPA
Cultivares: impactos na agroindústria – Paulo César Tavares de Melo – USP/ESALQ  
 Data: 27 de junho de 2013, às 14h.
Local: Sede do IAC, avenida Barão de Itapura, 1481, Guanabara, Campinas, SP. 
Texto: Carla Gomes (MTb 28156)
Assessora de Imprensa – IAC
19 – 2137-0616/613
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