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Instituto Agronômico desenvolve pesquisas com pupunha em duas regiões do Estado de São Paulo

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Instituto Agronômico (IAC-APTA), desenvolve pesquisas com a pupunheira, espécie de palmeira nativa da flora brasileira. Dela é possível extrair o palmito, muito apreciado na gastronomia e consumido no Brasil e em outros países da América do Sul e Central. Com base em estudos, o IAC elaborou recomendação de adubação para a produção de sementes.
O Estado de São Paulo é o maior produtor de palmito pupunha e 80% da produção está concentrada no Vale do Ribeira e no Litoral Norte. Em São Paulo, houve a migração da produção de palmito baseada no extrativismo predatório da espécie juçara para produção fundamentada no cultivo da pupunheira. Para o secretário de Agricultura, Arnaldo Jardim, essas pesquisas vão ao encontro da política de agricultura sustentável. “As pesquisas pioneiras no IAC colaboram com o desenvolvimento do Estado de São Paulo e tem o reconhecimento de sua relevância pelo governador Geraldo Alckmin”, afirmou.
A pesquisadora do IAC, Valéria Aparecida Modolo, explica que grande parte dos estudos para produção de palmito foi realizada em regiões com alto índice pluviométrico. Na última década houve um aumento de produção em áreas com déficit hídrico sazonal. Por isso, “atualmente, estão sendo desenvolvidos projetos sobre consumo de água em plantio de pupunheira e adubação nitrogenada na produção de palmito pupunha em condição irrigada”, diz Valéria.
A pesquisadora do Instituto Agronômico afirma que também há necessidade de disponibilizar ao agricultor variedades com características adequadas para o cultivo, tais como uniformidade de produção e precocidade. No caso da pupunheira, principal palmeira cultivada para produção de palmito, pode-se apontar que o problema crucial no cultivo é a falta de material melhorado para o agricultor. No momento, há ausência de sementes melhoradas e de tecnologia de produção de sementes em solo brasileiro.
Entre os projetos de melhoramento do IAC estão a caracterização detalhada das coleções de trabalho e ensaios de seleção de progênies melhoradas para produção de palmito pupunha. Para que a hibridação entre progênies de interesse possa ser realizada, há necessidade do conhecimento sobre florescimento e frutificação. Nesses dois sentidos estão sendo desenvolvidos projetos em duas regiões paulistas com climas e solos distintos. As regiões escolhidas foram o Planalto Paulista incluindo Pindorama, Mococa e Mogi Mirim, Vale do Ribeira, especificamente em Pariquera-açu. “A partir dos resultados obtidos sabe-se que no Vale do Ribeira o florescimento inicia-se em setembro, com pico entre dezembro e janeiro, estendendo-se até abril”, afirma. A frutificação ocorre de dezembro a julho, a colheita de sementes é realizada de abril até julho. No Planalto Paulista, o início do florescimento ocorre em agosto, com pico em outubro e novembro. A frutificação se dá nos meses de setembro a março. A colheita dos primeiros cachos maduros inicia-se em janeiro, estendendo-se até abril. “Observamos que na região do Planalto Paulista o período de florescimento e frutificação é mais concentrado que na região costeira e a produção de sementes ocorre em pleno verão, início de outono, ao passo que no Vale ocorre durante outono e início de inverno”, explica. 
Para resolver o outro gargalo da cadeia do palmito pupunha, ausência de tecnologia de produção de sementes em solo brasileiro, o IAC vem desenvolvendo pesquisas que culminaram na determinação do ponto de colheita de frutos e na recomendação de adubação para produção de sementes. “Para produção de sementes com taxa de germinação mais elevada, os frutos devem ser colhidos quando apresentarem acima de 80% de maturação completada. Sementes de frutos mais verdes (abaixo de 80%) embora já estejam completamente desenvolvidas, não devem ser utilizadas, pois além de apresentarem germinação mais demorada são mais difíceis de ser retiradas do interior dos frutos, tornando a extração mais trabalhosa”, afirma a pesquisadora. A recomendação de adubação para produção de sementes estará disponível no Boletim 100 do IAC.

 

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