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Importações de farinha de trigo crescem 50%

A demora do governo brasileiro em definir novas políticas para a cadeia produtiva do trigo pode levar o setor a entrar em uma crise sem precedentes. O reflexo mais imediato já foi registrado com o aumento de pouco mais de 50% das importações de farinha argentina. Em um segundo momento, cerca de 5 mil trabalhadores - de um total de 40 mil - poderão ser demitidos. Os Moinhos Globo, instalados em Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina), por exemplo, já trabalham com a capacidade de produção reduzida em, pelo menos, 28%. No início do ano a Argentina sobretaxou as exportações do trigo (em grão) para estimular as vendas da farinha. Com o subsídio dado ao produto, a taxa de exportação, que era de 20%, caiu para 10%. A legislação argentina ainda garante aos moinhos locais trigo a US$ 120 a tonelada, enquanto os brasileiros têm que pagar US$ 200, mais taxa de exportação de 20%. Segundo informações da Associação das Indústrias de Trigo (Abitrigo), com essa diferenciação de preços, os moinhos conseguem exportar para o Brasil a farinha por US$ 350 a tonelada, enquanto as indústrias nacionais não produziriam o produto por menos de US$ 500 a tonelada. O problema é que o País é dependente do trigo argentino. A safra anterior, por exemplo, colheu cerca de 2,2 milhões de toneladas enquanto o consumo das indústrias foi de cerca de 10 milhões de toneladas. Praticamente toda essa diferença no consumo vem da Argetina porque acordos do Mercosul garantiriam a cobrança de menos impostos o que, consequentemente, faria com que o grão entrasse no País com preços mais baixos. A importação de trigo de outros países de fora do Mercosul tem taxas de importação de 10%, mais pagamento de frete para marinha mercante. "Desta forma não há competição, enquanto o governo argentino está do lado dos produtores e da indústria deles, o Brasil quer respeitar as regras do Mercosul", afirma Luiz Martins, presidente do Sindicato das Indústrias de Trigo do Estado de São Paulo (Sindustrigo). Mensalmente, o Brasil consome cerca de 33 mil toneladas de farinha argentina. Somente nos três primeiros meses do ano as importações chegaram a cerca de 50 mil toneladas. "Muitos moinhos brasileiros já estão misturando a farinha nacional e a argentina para baratear os custos", comenta. Além disso, ele salienta que os moinhos nacionais poderão deixar a fabricação para se transformar em meros distribuidores da farinha argentina. Isso traria prejuízos a cadeia produtiva, principalmente, aos triticultores que deixarão de ter mercado. "E se lá na frente a argentina subir o preço da farinha não poderemos fazer nada porque estaremos totalmente dependentes. É uma questão de segurança alimentar", diz. Por isso, o pedido do setor é que o governo brasileiro adote medida semelhante à já feita pelo Chile, que sobretaxou a importação de farinha argentina em 31% para proteger a indústria nacional. Consumidor - Por enquanto, a única manifestação do governo brasileiro foi pedir que as indústrias locais negociem diretamente com a indústria argentina o que, até agora, não surtiu efeito. No entanto, a briga entre os países deverá trazer prejuízos também aos consumidores. Segundo Martins, o preço da farinha de trigo já subiu 15% em São Paulo. Em Londrina, por exemplo, o mercado ainda não foi afetado, conforme indica pesquisa que acompanha a evolução de preço da cesta básica realizada pela Universidade Metropolitana. No primeiro trimestre deste ano os preços registraram até um recuo de 5,02%, caindo de R$ 1,33 para R$ 1,26 o quilo. A variação positiva ocorre apenas quando são analisados os últimos 12 meses, quando o custo do produto aumentou 12,5%. Em abril do ano passado, o quilo da farinha era comercializado por R$ 1,12, contra R$ 1,26 no mês anterior. No entanto, no ano passado os preços foram fortemente afetados porque a produção nacional foi reduzida pela metade devido à forte estiagem que atingiu a Região Sul. Fonte(s): Folha de Londrina
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