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Implantação da cultura de café em sistemas orgânicos é 11 a 15% mais barata

Os custos operacionais totais (COT) de implantação da cultura do café nos sistemas orgânico e orgânico de montanha são, respectivamente, de R$4.024,94 e R$3.830,76 por hectare. Já no sistema convencional o valor chega a R$4.501,43, o que significa COT 11% maior do que o do orgânico e 15% maior do que o do orgânico de montanha.
O estudo foi elaborado pelos pesquisadores Patrícia Helena Nogueira Turco (Polo Leste Paulista/APTA Regional da Secretaria de Agricultura e Abastecimento), Marli Dias Mascarenhas de Oliveira (Instituto de Economia Agrícola /APTA/SAA) e Osmar de Carvalho Bueno (professor adjunto da UNESP/Botucatu). O objetivo foi comparar os custos de implantação dos três sistemas de produção, a fim de permitir que se conheçam os recursos que mais oneram a implantação de café convencional, orgânico e orgânico de montanha.
A área de estudo foi o Sul de Minas Gerais para o sistema orgânico de montanha e a região da Alta Mogiana no Estado de São Paulo para o sistema orgânico. Os dados utilizados, referentes a 2009, foram coletados através da aplicação de questionários junto aos produtores. Os dados do sistema convencional são da Fundação Procafé.
A estrutura do COT leva em consideração os desembolsos efetivos realizados pelo produtor durante a implantação da lavoura, englobando despesas com mão-de-obra, operações com máquinas e implementos agrícolas, insumos e, ainda, o valor da depreciação dos equipamentos agrícolas utilizados no processo. Assim, foram calculadas as despesas com operações agrícolas (manuais e mecanizadas) e com material consumido, totalizando os Custos Operacionais Efetivos (COE). Os custos com depreciação de máquinas, serviços de terceiros e encargos diretos sobre a mão-de-obra (40% do valor da despesa), somados ao COE, resultam no COT.
Produção orgânica
“Movimentos crescentes visando reduzir o uso de insumos agrícolas e implementação de sistemas de cultivo baseados em procedimentos biológicos renovam o interesse de pesquisadores e agricultores em práticas agrícolas, com adubação verde e rotação de culturas, que visam à recuperação e manutenção da fertilidade do solo e à redução no consumo”, dizem os autores do trabalho.
“Isso tem levado produtores a optarem por sistemas de produção que diminuem os impactos causados por produtos derivados de combustíveis fósseis e busquem a utilização de sistemas apropriados, adequando tipos de terrenos de suas propriedades, além de sua condição de sistemas familiares. Nesses casos se encaixam os produtores orgânicos e os de montanha com dificuldades de mecanização devido à alta declividade do solo.”
De acordo com os pesquisadores, o primeiro passo a ser dado pelo cafeicultor que quer produzir organicamente é a filiação a uma instituição não-governamental, reconhecida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). A seguir, ele deverá solicitar uma visita de certificação, visando iniciar o processo de conversão para a agricultura orgânica. De acordo com a Instrução Normativa nº 717/05/99 (Diário Oficial nº 9419/05/99), o período mínimo para a conversão de cultura perene é de 18 meses, que será contado a partir de data da visita de certificação. 
De maneira geral, esses cafés conseguem significativo ágio sobre o café convencional, ou commodity, observam os pesquisadores. “Assim, uma questão relevante é conhecer custos com a implantação desses sistemas de produção para averiguar as diferenças em termos de desembolsos na exploração de cafés especiais.”
Link: íntegra do artigo (www.aptaregional.sp.gov.br/artigo.php?id_artigo=920
Assessoria de Comunicação da APTA
José Venâncio de Resende
Eliane Christina da Silva/Camila Amorim (estagiárias)
(11) 5067-0424

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