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IEA discute o uso da água pela agropecuária

Longe de ser um problema superado, a escassez hídrica volta ao centro das discussões sobre o uso responsável de recursos naturais. Segundo os pesquisadores do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, não se justifica o alarmismo em torno do sumiço da água, que obrigaria as pessoas a migrar em busca de abastecimento, nem a afirmação de que a principal causadora disso seja a agropecuária.

A abordagem clássica da produção de água é dada pelo ciclo hidrológico, cuja quantificação se faz por meio do balanço hídrico de bacias hidrográficas, ressaltam os pesquisadores. No Brasil, esse trabalho é feito pela Agência Nacional de Águas (ANA). Em seu mais recente relatório, a agência divulgou que 72% da água foi utilizada na agricultura irrigada, ocasionando as mais disparatadas interpretações, dando a entender que o consumo da irrigação é o mesmo da agropecuária. Note-se que área atualmente irrigada no Brasil é de cerca de 8% da área agrícola plantada com grãos (54 milhões de hectares). Ressalte-se que a Política Nacional de Irrigação, disciplinada pela Lei n. 12.787, tem como objetivos, dentre outros, “incentivar a ampliação da área irrigada e o aumento da produtividade”.

Os autores ressaltam que a produção de água se dá pela infiltração, a qual ocorre quase que exclusivamente pelo meio rural. Pelo uso do solo no Brasil, pode-se observar que a imensa maioria do País é rural, mas com a população altamente concentrada nas áreas urbanas (quase 85% dos habitantes, em 2,4% da área). Isso gera implicações óbvias tanto na produção quanto no consumo de água, e nas relações entre oferta e demanda.

Quanto mais urbanizada a área, menor será a evapotranspiração das plantas, aumentando o escoamento superficial e reduzindo bastante a infiltração. Além disso, a qualidade dessa água que escorre é de péssima qualidade.

É notório que a questão hídrica é muito abrangente, afirmam os pesquisadores. No entanto, é preciso ressaltar que não se pode confundir consumo de água pela irrigação com necessidades de água das atividades agropecuárias e florestais e há espaço para ganhos de conservação de água e racionalização do consumo por meio da adoção de técnicas apropriadas. O meio urbano depende cada vez mais da produção de água do meio rural e que, no limite e existe um arcabouço jurídico capaz de favorecer a implementação das medidas propostas, dentre elas a adoção de uma política pública proativa de criação de reservas florestais estadualizadas e em locais estratégicos do ponto de vista dos recursos hídricos é imprescindível.

Para ler o artigo na íntegra e consultar as tabelas, clique aqui.

Texto: Nara Guimarães
Assessora de Imprensa – IEA
Tel: (11) 5067-0498
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