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IB aponta ocorrência de neosporose e toxoplasmose em bovinos de leite de pequenas propriedades de Araçatuba

Pesquisa realizada pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo através do Instituto Biológico (IB-APTA) aponta que 33,98% dos 927 bovinos leiteiros de pequenas propriedades rurais da região de Araçatuba estavam contaminadas com a doença neosporose e 20% com toxoplasmose. Segundo Liria Hiromi Okuda, pesquisadora do IB, estas doenças são causadas, respectivamente, pelo Neospora caninum e Toxoplasma gondii, protozoários da família Sarcocystidae, associados a perdas de produtividade em bovinos.


“A neosporose causa abortamento e problemas neurológicos nos animais, o que pode resultar em prejuízos para os produtores, enquanto a toxoplasmose em bovinos aparentemente não causa maiores problemas”, afirma a pesquisadora.

A toxoplasmose, porém, é uma zoonose de distribuição mundial e pode estar associada a problemas neurológicos e oculares em humanos, além do abortamento em gestantes, embora na maioria dos casos seja assintomática. “A transmissão para o homem ocorre por meio do consumo de carne crua ou mal passada de animais contaminados, já que o músculo é um dos tecidos de eleição do protozoário. Outros órgãos como coração, fígado e sistema nervoso dos bovinos também podem alojar o parasita. Tanto o homem como os animais domésticos, incluindo o bovino, são considerados hospedeiros intermediários enquanto o gato é o hospedeiro definitivo para T. gondii e o cão é o hospedeiro definitivo da Neospora caninum”, explica a pesquisadora. Estudos clínicos, segundo Liria, até o momento não comprovaram a transmissão da toxoplasmose pelo consumo de leite de animais contaminados.

O relatório do IB, finalizado em 2018, alerta que a presença do protozoário Toxoplasma gondii nas propriedades mostra o risco potencial para transmissão da doença em humanos, já que os dados gerados na pesquisa apontaram que 40 das 64 propriedades analisadas relataram o abate de animais no local. “Estes protozoários são muito resistentes e podem permanecer por muitos anos no ambiente, mantendo assim, as doenças no rebanho. No caso de abortamento, como os bovinos têm o hábito de fuçar e lamber tanto o feto como a placenta – que possuem altas cargas destes protozoários – torna-se fator de risco para aquisição destas doenças, sendo necessários cuidados de higiene e descarte adequado”, afirma.

A identificação da doença pode ser feita por meio de análises laboratoriais, como as realizadas no Laboratório de Viroses de Bovídeos do IB para identificação de animais soropositivos ou presença destes protozoários em fetos abortados. No campo, um indício que estes agentes possam estar causando problemas é a observação de abortos e repetição de cio sucessivos da mesma vaca. “Quando o animal é diagnosticado com toxoplasma, o recomendado é que seja sacrificado e a carcaça devidamente enterrada para evitar o acesso de outros animais e a contaminação do lençol freático. No caso da neosporose, o produtor precisa colocar na ponta do lápis para decidir se vale a pena fazer o descarte do animal ou que se faça o descarte gradual com reposição de animais soronegativos. Como estamos falando de agricultura familiar, muitas vezes aquela é a única vaca da propriedade”, diz a pesquisadora.

De acordo com Liria, é importante explicar que apesar de o cachorro ser o hospedeiro definitivo da neosporose e o gato da toxoplasmose, nem sempre eles são os culpados pela introdução e manutenção da doença. “O produtor pode ter adquirido um animal portador e este bovino torna-se o responsável pela manutenção do ciclo da doença na propriedade. Se for uma vaca, como há transmissão transplacentária e nem sempre ocorre o abortamento, pode haver nascimento de animais clinicamente saudáveis, mas portadores destes parasitas”, afirma.
Por se tratar de protozoários, a pesquisadora do IB explica que estes agentes podem ficar alojados no hospedeiro, sem que o sistema imune do animal possa combate-los. Nestes casos, os testes sorológicos podem dar negativo. Por isso, a dica é que ao adquirir o bovino, o produtor o deixe isolado dos animais da propriedade por pelo menos 20 dias, para observar se desenvolve algum sinal clínico e faça os testes laboratoriais. “Esta medida deveria ser adotada como rotina para evitar a entrada de muitas doenças infecciosas”, diz.

Liria explica que não existe tratamento para as doenças, nem mesmo vacina, apenas medidas de biossegurança que devem ser adotadas na propriedade para minimizar os efeitos negativos. Nas propriedades que utilizam a transferência de embriões, o produtor precisa estar atento em selecionar uma vaca receptora soronegativa, já que o processo de produção de embriões das doadoras é biosseguro.

O Instituto Biológico mantém em São Paulo, o Laboratório de Viroses de Bovídeos, que é acreditado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) na norma internacional ISO 17025, relacionada à qualidade dos laboratórios de diagnóstico. Em 2018, o laboratório realizou cerca de 80 mil análises para febre aftosa, estomatite vesicular, língua azul, leucose bovina, rinotraqueíte infecciosa bovina, diarréia viral bovina, febre catarral maligna, mamilite herpética bovina, encefalite herpética bovina, neosporose, varíola bovina, pseudovariola bovina e toxoplasmose. Deste montante, 70 mil foram para atendimento de protocolos sanitários para exportação de animais vivos e sêmen.

Por Fernanda Domiciano
Assessoria de Imprensa – APTA
(19) 2137-8933

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