cabecalho apta130219

IAC realiza curso sobre uso de resíduos urbanos e industriais no solo agrícola

Por Carla Gomes (MTb 28156) – Assessora de Imprensa – IAC Um fim que beneficia o meio. Assim pode ser traduzido o uso de resíduos urbanos e industriais no solo agrícola, que será tema de curso a ser realizado pelo Instituto Agronômico (IAC), de 21 a 23 de março de 2006, no IAC, em Campinas. O lodo de esgoto, por exemplo, que resulta das estações de tratamento de esgoto, pode ser usado no cultivo de algumas plantas e, além disso, ainda livra o ambiente de conviver com esses materiais. O objetivo do evento é apresentar e discutir a viabilidade da reciclagem de resíduos urbanos e industriais em solo agrícola. Com pesquisas sempre voltadas à agricultura sustentável, o IAC está atuante também na possibilidade do uso de resíduos e conta com equipamentos de última geração para a análise de resíduos com vistas à sua reciclagem no solo agrícola. “A procura por esse tipo de análise vem aumentando nos últimos anos em virtude da preocupação do gerador de resíduos em dar um destino ambientalmente mais correto e com custo menor para seus resíduos”, afirma o pesquisador do IAC responsável pelo curso, Ronaldo Severiano Berton. De acordo com o pesquisador, o IAC realiza projetos de pesquisa com diversos resíduos, tanto de origem urbana como industrial, com a finalidade de avaliar o potencial agronômico desses materiais e seus efeitos no ambiente. Engana-se quem pensa que o esgoto doméstico só serve para poluir o ambiente ou que o lixo doméstico, tão presente na vida de todos, não tem nenhuma finalidade. Esses materiais podem sim ser úteis à agricultura e ainda contribuir para poupar o ambiente. Os resíduos urbanos são o lodo de esgoto, resultante do tratamento do esgoto doméstico, e o composto de lixo urbano, originário da compostagem da matéria orgânica separada do lixo doméstico. Os resíduos da própria agricultura também podem ser usados no solo e beneficiar a atividade agrícola. Dentre os resíduos agroindustriais há os resultantes da indústria sucroalcooleira, a vinhaça gerada pela destilação do caldo de cana fermentado para obtenção do álcool e aguardente, a torta de filtro, vinda da filtragem do caldo de cana e os resíduos da indústria cítrica, resultantes da fabricação de sucos concentrados. A indústria também produz materiais que podem ser aproveitados na agricultura. Alguns resíduos têm alto poder de neutralização e podem ser usados como corretivos da acidez do solo e outros podem ser reciclados como fonte de micronutrientes, como o zinco e o cobre, para as plantas. Resultados no campo Mas como esses materiais, em geral repelidos pela população por poluírem as cidades e maltratarem o ambiente podem contribuir para a agricultura? Segundo Berton, resíduos orgânicos como o lodo de esgoto e o composto de lixo urbano, em geral, aumentam a agregação do solo, o que faz melhorar as propriedades físicas do solo de modo geral, como a porosidade e a capacidade de retenção de água. “A matéria orgânica ainda é uma fonte de energia que estimula o desenvolvimento da microbiota do solo”, diz. O pesquisador explica que, no caso de lodo de esgoto, em pesquisas realizadas no IAC observou-se que, quando aplicado na dose adequada, ele aumenta o sistema radicular e a produção da pupunheira, que fornece o palmito pupunha para salada. Na implantação da cultura do café, o lodo dispensa a adubação nitrogenada. Na banana, ele aumenta a produção e diminui o ciclo vegetativo dessa cultura. Esses benefícios ainda vêm acompanhados da redução dos custos de produção, tão almejados pelo produtor. Isso porque a maioria dos resíduos possui um ou mais nutrientes que podem substituir total ou parcialmente os gastos com adubação química. Por exemplo, a aplicação do lodo de esgoto em bananeira aumentou o lucro, por hectare, devido ao aumento na produção e na economia com fertilizantes químicos contendo nitrogênio e fósforo. “Por princípio, um resíduo só pode ser aplicado ao solo se acarretar em benefício”, avalia o pesquisador. De acordo com Berton, há também a vantagem de os resíduos terem lenta liberação de nutrientes para as plantas, diminuindo os riscos de contaminação das águas subterrâneas, principalmente com o nitrato. E então a natureza agradece. O principal benefício para o ambiente, entretanto, está na reciclagem da matéria orgânica e dos nutrientes presentes nos resíduos, dando a estes últimos uma nova chance para produzirem alimentos. “Com esse uso, economiza-se espaço em aterros sanitários, aumentando a vida útil destes e os gastos com produção, transporte e aplicação de adubos químicos”, explica Berton. Com tantos benefícios, é fundamental fazer a transferência dessa tecnologia a fim de que ela alcance os profissionais da área e seja adotada por eles. Isso porque, com exceção dos resíduos da indústria sucroalcooleira, a aplicação de resíduos na agricultura ainda é incipiente. “Isso se deve principalmente à falta de pesquisa na área, de uma legislação atualizada e da iniciativa dos geradores de resíduos em procurar conhecer mais sobre essa alternativa agrícola”, avalia Ronaldo Berton, pesquisador do IAC, órgão da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. Ele explica que a instalação de usinas de reciclagem de lixo ainda é uma promessa tanto para o Estado de São Paulo como para o restante do País. “Entretanto, estamos convencidos de que a separação do lixo deve começar no domicílio, com a separação da matéria orgânica compostável dos demais materiais que compõem o lixo urbano, ou seja, a coleta seletiva é imprescindível para a obtenção de um composto de lixo de boa qualidade”. Conhecimento Direcionado a agricultores, estudantes e profissionais interessados na utilização de resíduos urbanos e industriais em solo agrícola, o curso é uma rica oportunidade de divulgar informações sobre o tema. A escolha das palestras do curso foi feita com base na necessidade de se divulgar os conceitos básicos envolvidos na aplicação de resíduos urbanos ou industriais no solo agrícola, principalmente para os geradores de resíduos. Segundo o pesquisador do IAC, Ronaldo Berton, o lodo de esgoto é o principal resíduo em razão da enorme quantidade a ser gerada pelos municípios e pelo fato de ser um potencial poluidor do solo, caso não seja devidamente estabilizado, higienizado e com teor baixo em metais pesados. Para se ter uma idéia dessa realidade, cada habitante de uma cidade gera em torno de 0,15 litro de lodo centrifugado com 20% de sólidos por dia. Assim, uma cidade como Campinas, com cerca de um milhão de habitantes, deverá gerar, aproximadamente, 150 toneladas/dia de lodo, quando estiver com 100% de seu esgoto sendo tratado. Daí a necessidade de haver um bom destino para esse material. Há décadas o lodo de esgoto é usado no solo agrícola, com sucesso, em vários países da Europa e nos Estados Unidos. No Brasil, porém, é preciso informar o agricultor sobre as vantagens e as limitações dessa tecnologia, para evitar que a utilização incorreta macule esse recurso. Apesar de serem vários os benefícios, o uso de resíduos requer orientação e cautela. Devido à presença potencial de patógenos e de alguns metais pesados, não se recomenda o uso de lodo para a produção de hortaliças de solo e rasteiras, nem para pastagens. O uso é recomendado apenas para plantas perenes e florestais. “No Estado de São Paulo, apenas a cultura da cana e as plantações florestais já são suficientes para receber praticamente toda a demanda existente para a reciclagem do lodo no solo agrícola”, diz Berton. Na avaliação do pesquisador, os produtores de cana e de plantações florestais já se encontram em condições de usar essa tecnologia e estão procurando melhorar seus conhecimentos. Por outro lado, as instituições de pesquisa têm procurado transferir esses conhecimentos aos produtores por meio de publicações, cursos, palestras e dias de campo. A busca e a disponibilização de informações devem ser freqüentes, pois há riscos em caso de uso inadequado. De acordo com Berton, no caso dos resíduos urbanos, pode ocorrer a contaminação do solo agrícola e das águas superficiais e subterrâneas com patógenos e com contaminantes químicos e orgânicos. Também é possível a contaminação dos alimentos com essas mesmas substâncias, podendo causar doenças nos seres humanos e animais. “Esses fatos requerem uma legislação adequada e um constante monitoramento das áreas agrícolas que recebem esses materiais”, afirma o pesquisador. SERVIÇO Curso Reciclagem de resíduos urbanos e industriais no solo agrícola Data:21 a 23 de março de 2006 Local: IAC – av. Barão de Itapura, 1481, Campinas Informações: www.iac.sp.gov.br/reciclagem - (19) 3232-8488
Pin It

Notícias por Ano