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IAC completa 125 anos, com entrega de restauro de prédio imperial e anúncio de descoberta de isoflavona no feijão

A descoberta para avançar no futuro. O restauro para preservar a história. É desta forma que o Instituto Agronômico (IAC-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, comemora seu 125.º aniversário, nesta quarta-feira (27) em Campinas (SP). Em celebração à data histórica, o IAC apresenta resultado inédito de pesquisa: a presença da isoflavona no feijão – fitoestrógeno que pode prevenir doenças coronárias e crônicas, além de ser usada na reposição hormonal pelas mulheres.
Às 10h, será realizada a entrega do restauro do Prédio D. Pedro II – edifício símbolo do período imperial em Campinas e um dos cartões postais da cidade. Às 11h, terá início a cerimônia de aniversário, com a entrega de prêmios a pesquisadores, servidores e ao público externo.
Projetado por Henrique Florence, em estilo art nouveau, o edifício foi construído em 1888 e passou por reformas e ampliações antes de ser tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (CONDEPACC) e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAAT). Mesmo com as modificações – que estão diretamente ligadas à evolução do IAC – o prédio mantém a fachada original há 100 anos.
O anúncio de restauração do prédio foi feito pelo governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, em 11 de novembro de 2011. A obra foi iniciada em dezembro do mesmo ano e realizada pela empresa La Forma – contratada por Pregão Eletrônico realizado em 30 de novembro de 2011. O investimento foi da ordem de R$ 756.500,00 e o recurso, disponibilizado exclusivamente pelo Tesouro do Estado de São Paulo.
O Prédio D. Pedro II é considerado um dos cartões postais de Campinas e símbolo do período imperial na cidade. O edifício foi o primeiro local a abrigar a Sede do IAC. A escolha de sua localização foi estratégica: um terreno plano, próximo de um gasômetro, o que possibilitava a obtenção de gás de forma mais fácil. Campinas, na época, não possuía água e esgoto encanados. “O IAC nasceu no prédio D. Pedro II. Essa edificação é a pedra fundamental do Instituto. Em um País sem memória, como o Brasil, nós podemos nos orgulhar de preservarmos nosso passado. Porém, nunca deixamos de olhar para frente e gerar soluções para a agricultura paulista e brasileira. O IAC sempre teve característica vanguardista”, afirma o diretor-geral do IAC, Hamilton Humberto Ramos.
O diretor-geral relembra que o Estado de São Paulo passou por grandes transformações devido à cafeicultura, da qual o IAC foi pioneiro em pesquisa. Mas, quando houve a quebra da bolsa de valores em 1929, o Instituto já pesquisava o algodão, o que serviu para dar suporte aos agricultores afetados pela crise.
Feijão IAC Formoso
Que o feijão seja a principal fonte de proteína da população do País, muitos já sabiam. O que era pouco conhecido é o fato de ser a leguminosa também uma importante fonte de isoflavona.
Em artigos internacionais, os pesquisadores afirmam que há quantidade inexpressiva de isoflavona no feijão. Porém, em estudos desenvolvidos pelo IAC, foi comprovado que, na variedade de feijão IAC Formoso, há 10% da isoflavona encontrada na soja. O material do IAC tem ainda 20% a mais de proteína quando comparado com as outras variedades de feijão. A descoberta é o primeiro passo e pode resultar em maior valor agregado ao feijão, além de servir de base para outros estudos de enriquecimento dos alimentos.
O principal alimento fonte de isoflavona é a soja. A leguminosa, porém, não é tão consumida pelos brasileiros como o feijão. Nos estudos do IAC, ficou constatado que a quantidade de isoflavona encontrada no feijão pode variar de 1% a 10% da quantidade disponível na soja. “A quantidade encontrada na cultivar de feijoeiro Pérola, que é padrão no mercado, foi de 0,8 mg/kg de isoflavona, enquanto no IAC Formoso, foi de 8,92 mg/kg. Este teor é alto, pois o brasileiro come feijão e não soja”, afirma Alisson Fernando Chiorato, pesquisador do IAC.
De acordo com Chiorato, a explicação da presença da isoflavona no feijão pode estar na resistência ao caruncho e também ao fungo de solo, chamado Fusarium oxysporum. “Ainda precisamos estudar mais esses resultados, mas observamos quantidade elevada de isoflavona no feijão preto e em fontes relatadas como resistentes ao caruncho e ao fungo do solo. Possivelmente, quando trabalhamos nossas variedades para resistência a doenças, podemos aumentar a quantidade de isoflavona indiretamente.”
Os estudos para a descoberta da isoflavona no feijão levaram cerca de um ano e tiveram parceria da Universidade de São Paulo (USP). A pesquisa começou após o lançamento da variedade IAC Formoso, em 2011, a partir de uma suspeita para saber se realmente os feijões não possuíam isoflavona.
O lançamento da variedade IAC Formoso, porém, levou sete anos de pesquisa. “O feijão é consumido e plantado em todo o mundo há muito tempo. Atribuímos a demora na descoberta desse ácido fenólico, devido ao desinteresse da pesquisa. Com a maior procura por alimentos ricos em proteínas e  outros elementos benéficos à saúde, passamos a estudar também este elemento”, explica Chiorato. Segundo o pesquisador, este é o primeiro passo dos estudos na área. “Esta descoberta pode desencadear outras no que diz respeito a alimentos com maior teor de isoflavonas. Com certeza outras áreas do conhecimento também se interessarão pelo assunto.”
Além da soja e do feijão, a isoflavona pode ser encontrada também no repolho, espinafre, lúpulo e outros grãos. O ácido pode trazer benefícios para a saúde como a prevenção de doenças crônicas, além de exibir atividade antioxidante, antimutagênica e anticarcinogênica. Segundo Chiorato, não há dado preciso quanto à quantidade de isoflavona que deve ser consumida diariamente. A estimativa é que seja consumido de 23 a 100 mg/kg de flavonoides na dieta tradicional. “Embora fatores de estilo de vida e socioeconômicos desempenhem papel fundamental no desenvolvimento de certas doenças, existe forte evidência de que as práticas alimentares exerçam influência significativa sobre a ocorrência e progressão de doenças nas populações. Vejam como exemplo as taxas de câncer de mama e próstata em países asiáticos são significativamente mais baixas do que nos ocidentais. Desta forma, o consumo de uma dieta que contenha isoflavona vem sendo associada a um grande número de efeitos benéficos à saúde.”
125 anos
IAC completa 125 anos em 27 de junho de 2012. Durante todos esses anos, o Instituto desenvolveu mais de 900 variedades de 66 espécies de plantas, de elevada qualidade nutricional, alta produtividade, resistência fitossanitária e menor exigência hídrica.
O Instituto dedica-se ao melhoramento genético convencional de plantas agrícolas e aos pacotes tecnológicos que envolvem essas espécies, desde o plantio à colheita, incluindo estudos de solo, clima, pragas e doenças e segurança e eficiência na aplicação de agrotóxicos. São soluções tecnológicas que atendem desde o pequeno até o grande produtor rural.
Serviço
125.º Aniversário do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas
Data: 27 de junho de 2012
Horário: 10h – Entrega do restauro do prédio D. Pedro II
                11h – Cerimônia de aniversário
Local: Sede do IAC
Endereço: Av. Barão de Itapura, 1.481, Campinas – SP
Assessoria de Imprensa do IAC
Mônica Galdino/Fernanda Domiciano (estagiária)
(11) 2137-0613/0616
Assessoria de Comunicação da APTA
José Venâncio de Resende
(11) 5067-0424

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