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IAC comemora 120 anos com mais um produto diferenciado no mercado

As tangerinas sem sementes selecionadas pelo IAC chegam às gôndolas e pode ser encontrada em Campinas, Grande São Paulo, Sorocaba, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto Tudo bem que a longevidade vem conquistando degraus no Brasil. Mas comemorar 120 anos é para pouquíssimos. Especialmente quando se fala em continuar em plena atividade, com o vigor da juventude e a excelência que só a experiência agrega. É o caso do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, que nasceu ainda quando o trilho do trem ocupava a avenida Barão de Itapura, hoje tomada por carros, radares e prédios. Hoje, 27 de junho, a Instituição completa 120 anos de fundação. A cerimônia de comemoração será na próxima sexta-feira, 20, às 16h, na Sede, em Campinas. “Hoje nós estamos na vanguarda de muitas áreas do conhecimento. Adotamos as atividades genômicas e transgênicas, sem abandonar as pesquisas tradicionais de melhoramento genético, de estudo de solo, de irrigação, de climatologia”, diz o diretor-geral do IAC, Orlando Melo de Castro. Enquanto outras 20 novas variedades IAC estão chegando aos setores produtivos neste ano, as tangerinas sem sementes selecionadas pelo IAC acabam de ser disponibilizadas em hipermercados. Após anos de pesquisa e de transferência de tecnologia aos produtores que aceitaram o desafio de cultivar um produto diferenciado, o consumidor terá a oportunidade de conhecer esses materiais, à venda nas lojas do Carrefour de Campinas, Grande São Paulo, Sorocaba, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto. O período de experimentação, como está sendo chamada essa primeira exposição do produto, compreenderá toda safra das variedades à venda, com início em junho, com a variedade Clemenules, e finalização em setembro, com a Ortanique. As variedades à venda são: Clementina Nules IAC 1742, Nova IAC 1583 e Ortanique IAC 554, produzidas no município de Taquarivaí, região do sudoeste paulista, sob orientação da pesquisadora do IAC, Rose Mary Pio, responsável pela pesquisa. Bastante doce e com leve acidez, a Clementina Nules IAC 1742 é fruta fácil de descascar e de separar os gomos. Seu período de disponibilidade nos mercados é de abril a maio. Já de maio a junho é a fase de disponibilidade da Nova IAC 1583, fruta com sabor marcante que produz suco bastante colorido e abundante. O sabor agradável também é característica destacada da Ortanique IAC 554 que, por ter casca mais aderente, requer o auxílio de faca para descascar. Seu período de disponibilidade aos consumidores é de agosto a outubro. Para o hipermercado, ao comercializar as tangerinas sem sementes, o objetivo é disponibilizar para o consumidor produtos diferenciados e de elevado padrão de qualidade. “Essas variedades se destacam pela coloração, sabor e ausência de sementes, com grande apelo comercial em comparação com as tradicionais variedades comercializadas, como ponkan, murcote e outras”, afirma Fernando Bacic Olic, responsável pela área de Qualidade do Carrefour. Para ele, a aceitação por parte dos clientes poderá ser avaliada a partir de meados de julho, com a apuração do volume de vendas. “Os primeiros lotes recebidos na nossa Central de Distribuição de São Paulo apresentaram excelente qualidade e acreditamos que essas variedades têm um grande potencial para comercialização no varejo”, diz. A característica da ausência de sementes, bastante apreciada nos mercados europeus, deverá ser valorizada também pelo consumidor brasileiro. A expectativa, para o representante do hipermercado, baseia-se na boa aceitação das variedades de uva sem semente, tanto as importadas como as nacionais. Mercado aberto Além de atender às exigências dos consumidores internos, as variedades sem sementes abrem importante opção de exportação para os produtores, que terão nos mercados europeus consumidores que só adquirem frutas sem sementes. Esse nicho sempre esteve no foco das pesquisas IAC, iniciadas em 2003, sob coordenação da pesquisadora do IAC, Rose Mary Pio. Após a conclusão dos estudos, o projeto passou à fase de transferência de tecnologia e de materiais aos produtores que têm perfil para esse tipo de cultivo. Desde então, agricultores de Angatuba, Taquarivaí, Capão Bonito, Buri e Sorocaba vêm produzindo os materiais com acompanhamento da pesquisadora do IAC. Além do nicho de mercado, outro aspecto interessante da tangerina sem semente é o preço. A diferença do valor de comercialização de tangerina tipo A para a de tipo C é de cerca de 40% a 70%, dependendo da época do ano. Esses valores são das tangerinas Ponkan e tangor Murcott, que são comercializadas atualmente. Mas esses percentuais são maiores no caso da tangerina sem sementes, que tem maior valor agregado. Da bancada à mesa A pesquisa científica justifica-se e conquista o reconhecimento quando seus resultados permeiam a cadeia produtiva em que está envolvida e chega às mãos do consumidor. É quando o estudo deixa as bancadas de laboratórios e entra pelas casas de brasileiros como opção de consumo que amplia a qualidade de vida. Esse é o ciclo dos estudos com a tangerina sem sementes selecionadas pelo Instituto Agronômico (IAC), que agora chegam ao mercado. O trabalho teve início em 2003, quando o IAC implantou, em Capão Bonito, o audacioso projeto de cultivo de tangerina sem sementes, material que atrai mercados da Europa e dos Estados Unidos. Inédito no Estado de São Paulo, a pesquisa reuniu produtores dispostos a adotar as novas tecnologias que abrem novas possibilidades de mercado. Segundo a pesquisadora Rose Mary Pio, o Brasil é líder mundial em produção de laranja e exportação de suco concentrado, mas quando o negócio é fruta fresca o País não tem grande expressão. Dentre os motivos para a pequena fatia nesse mercado está a produção de frutas com grande número de sementes e de qualidade inadequada. A pesquisa foi exposta aos produtores em 2003 e de lá para cá vem sendo feito intenso acompanhamento das áreas de produção. Além de outros cuidados, o cultivo dessas variedades requer, por exemplo, o afastamento de plantas que produzem frutos com sementes. Desde então, o IAC e o Pólo Regional do Sudoeste Paulista, que também é órgão da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, disponibilizam aos produtores germoplasma e tecnologia para a correta implantação e condução de pomares. Para iniciar o trabalho foram escolhidas quatro variedades sem sementes, com período de colheita de março a outubro. Atualmente, cinco produtores cultivam a tangerina sem sementes em cinco municípios: Angatuba, Taquarivaí, Capão Bonito, Buri e Sorocaba. De acordo com a pesquisadora, a região de Capão Bonito reúne características adequadas de clima para a produção de tangerina de qualidade. Um dos aspectos avaliados na escolha da área rural é o isolamento da tangerina sem sementes, que não pode ter contato com outras frutas cítricas. As frutas produzidas naquela região apresentam coloração mais atrativa, melhor sabor, melhor aparência e casca mais fina, lisa e sem mancha — conjunto que agrega valor ao produto. Trajetória histórica do IAC está ligada à capacidade de identificar demandas e gerar respostas tecnológicas O passado ficou nas fotos e documentos. Hoje, a Instituição pulsa no ritmo da ciência moderna. O trabalho afinado com as tecnologias de ponta, as parcerias com instituições de pesquisa do Brasil e do mundo e a credibilidade junto à iniciativa privada e às agências de fomento que investem seus concorridos recursos nas pesquisas IAC. Para se ter uma idéia, em 2006, a captação de recursos externos atingiu 50% da verba recebida pelo Governo Estadual, que foi de R$ 29,1 milhões. Neste 120º ano de atuação, é marcante a expansão das tecnologias IAC para outros estados do País. Exemplos? As tecnologias IAC têm contribuído para levar a cana-de-açúcar para o Oeste Baiano, Goiás e Tocantins. A tangerina sem semente desenvolvida pelo IAC está no Sul e na Chapada Diamantina e as pesquisas com seringueiras fazem de São Paulo o maior produtor de látex do País. Tipos especiais de arroz têm engordado a renda de agricultores na região do Vale do Paraíba. E por aí segue ampla e diversificada lista de contribuições IAC. Ao longo desses 120 anos, o IAC desenvolveu cerca de 750 novas variedades de 66 espécies, nas mais diversas cadeias produtivas do agronegócio paulista e brasileiro. Neste ano de 2007, 20 novas variedades chegam aos produtores — são três de cana-de-açúcar, uma de mamona, seis de feijão, duas de trigo, uma de algodão, uma de arroz arbório, duas de pêra, uma de pêssego, uma de nectarina, uma de milho pipoca e uma de maracujá-roxo. O trabalho busca sempre o desenvolvimento de variedades, que são subdivisões dentro de cada espécie, mais resistentes a doenças e mais produtivas. “Quando se fala em melhoramento, destaca-se a busca incessante dos nossos pesquisadores por materiais resistentes às principais pragas e doenças das culturas. Não só os agricultores, mas a sociedade como um todo quer uma agricultura limpa, com menor impacto ambiental e que gere produtos mais saudáveis”, diz Castro. Fundado em 1887, por D.Pedro II, quando era chamado “Imperial Estação Agronômica de Campinas”, o IAC mantém-se atualizado, com atuação em pesquisas de genoma e redes virtuais de estudos em diversas áreas. Prêmio IAC 2007 Em meio às comemorações do aniversário, o IAC homenageia servidores e profissionais ligados ao agronegócio. Neste ano, serão agraciados com o Prêmio IAC, na categoria interna, o Pesquisador Científico Marcelo Bento Paes de Camargo, da área de climatologia, e os servidores Geraldo José Arrivaben, como Apoio Científico, e João de Deus Santos, como Apoio Administrativo. Na categoria externa serão agraciados Sílvio Crestana, Diretor-Presidente da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), como Personalidade do Agronegócio, o cafeicultor José Peres Romero, como Produtor Rural, e o Secretário de Estado de Meio Ambiente, Francisco Graziano Neto, na categoria Político ligado ao Agronegócio.
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