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Governo reconhece que a cana toma espaço de grãos

É a primeira vez que um técnico do governo reconhece a pressão exercida pela expansão da cana para áreas produtoras de grãos. O alerta foi feito hoje durante a divulgação do 10º levantamento da safra 2006/07. A entrada da cana de forma mais efetiva no Centro-Oeste poderá voltar a gerar nova pressão na região da Amazônia Legal, novas áreas agrícolas ou áreas de pastagens. "É uma questão importante, que nós da Conab vamos acompanhar. Efetivamente, a cana está tomando área de milho e da soja no País", disse. Porto considera que o zoneamento agrícola é fundamental para que se tenha um planejamento efetivo da ocupação do espaço agrário no Brasil. No caso do trigo, Porto destacou uma redução do plantio do cereal no Paraná, maior produtor nacional, por causa da substituição de parte da área por milho, que também tem preços mais vantajosos, e também pela cana. "Ou seja, já existe uma concorrência efetiva, neste caso negativa, em relação ao milho no Paraná, onde a cana está absorvendo parte desta área. É muito preocupante em relação a um produto da agroenergia avançando sobre um produto tão importante na alimentação brasileira", explica. Os dados do último levantamento da Conab para a cana-de-açúcar, divulgado em maio, apontam a expansão da cultura na comparação da atual safra ante 2006/07: em Minas Gerais houve aumento de 16 8% na área plantada; no Mato Grosso do Sul, houve acréscimo de 18%; e no Paraná cresceu 25%. O próximo levantamento deve sair em outubro, meados da safra no Centro-Sul, que se encerra em novembro. A Conab confirmou hoje que a produção neste ano safra atingirá o recorde de 130,5 milhões de toneladas em 2006/07, aumento de 6 5% sobre as 122,5 milhões de toneladas produzidas no ciclo anterior. As boas condições climáticas e o aumento do uso de tecnologia foram dois fatores que puxaram o bom desempenho no ciclo. Este é praticamente o último levantamento da safra, já que 90% da área plantada no período já foi colhida. O crescimento da safra acontece a despeito da redução de 3,9% na área plantada. O bom desempenho é resultado de fatores climáticos favoráveis e do expressivo aumento nos níveis de produtividade. O aumento na produção de milho é o maior destaque da safra brasileira, com alta de 18,9% sobre o ciclo 2005/06, para 50,6 milhões de toneladas. No caso da soja, a projeção da Conab aponta aumento de 5,5%, para 58 milhões de toneladas. Estas duas culturas foram beneficiadas pela "febre do etanol" nos Estados Unidos: no caso do milho estimulando o aumento dos preços da cultura por conta da demanda por biocombustível; e no caso da soja, a redução da área norte-americana puxou preços e ainda estimulou o plantio no Brasil. (fonte: Cruzeiro do Sul Net)
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