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Governo admite que UE pode ampliar trava à carne do país.

Autoridades brasileiras admitem que a União Européia pode decidir punir o Brasil, suspendendo totalmente a importação de carne bovina do país, na reunião do Comitê Permanente da Cadeia Alimentar e de Saúde Animal do bloco, que começa nesta terça-feira (20-12) e vai até a quarta-feira. Mas, conforme apurou o Valor, a suspensão ocorreria "provisoriamente". Na reunião, os delegados do comitê vão avaliar o pedido formal de um estado-membro da UE para que o bloco amplie o embargo à carne brasileira. Em outubro, a UE proibiu as importações de carne bovina de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná após surgimento de focos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul. Este mês, o Ministério da Agricultura confirmou um foco no Paraná. Para as mesmas autoridades, se não houver tal punição por parte do bloco europeu é por uma razão simples: o preço da carne bovina aumentou cerca de 20% na Europa desde que a UE suspendeu a importação da carne procedente dos três Estados brasileiros, em outubro. Uma ampliação do embargo para a carne bovina de todo o Brasil aumentaria ainda mais o custo para o europeu e poderia até causar problemas de abastecimento. Ontem, uma missão brasileira se reuniu com veterinários europeus em Bruxelas para responder questionamentos da UE acerca da situação da sanidade no Brasil, preocupação que cresceu após os casos de aftosa no Mato Grosso do Sul e da confirmação pelo Ministério de foco no Paraná. Ao contrário das autoridades ouvidas pelo Valor em Hong Kong, o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Gabriel Maciel, que participou da reunião em Bruxelas ontem demonstrou otimismo em relação à posição da União Européia. Segundo ele, a reunião foi "muito positiva" . "Eles aceitaram nossos argumentos técnicos", resumiu. Conforme Maciel, um sinal importante foi a minúcia das avaliações feitas pelos europeus. "Fomos preparados com farto material sobre todos os contenciosos acumulados desde 2002". O encontro, previsto para durar duas horas, estendeu-se por quase oito horas. "E tudo num tom muito cordial". A missão brasileira, chefiada pelos diretores Jorge Caetano (Saúde Animal) e Nelmon Oliveira (Inspeção de Produtos Animais), apresentou um dossiê sobre as questões consideradas mais importantes pelos europeus: a reestruturação do sistema de rastreamento animal (Sisbov); as medidas de vigilância e controle da febre aftosa; além do detalhes do foco de aftosa no Paraná e da doença que atingiu 17 mil aves de uma granja em Jaraguari (MS) este ano. Conforme o Ministério, a granja registrou um foco de um vírus não-patogênico da doença de Newcastle. Os europeus também questionaram as supostas fraudes nos embarques de carnes feitos pelo frigorífico Friboi a partir da unidade de Araputanga (MT). Indícios reunidos pelo Ministério Público e a Polícia Federal de Mato Grosso apontam para irregularidades na reembalagem de produtos comprados fora de áreas habilitadas a vender carne bovina para a UE. Os procedimentos teriam contado com a colaboração de fiscais federais. "Nesse caso específico, falamos do rigor nas apurações feitas pelo ministério e na certeza de que haverá punição", afirmou Maciel. Em tom cordial, de acordo com ele, os europeus quiseram detalhes dos procedimentos adotados pelas autoridades brasileiras em cada um desses casos. "Decidimos encarar tudo de frente, com muita transparência. Oferecemos um plano de trabalho, como fizemos com os Estados Unidos", afirmou. Segundo ele, a medida funcionou com os EUA porque houve "confiança mútua" e "reciprocidade" de tratamento. "Agora, creio que vamos chegar ao mesmo resultado com a União Européia".
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