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Fluxo de viajantes pode aumentar a ocorrência de percevejos de cama, alerta Instituto Biológico

O aumento no trânsito de viajantes pode resultar em algo nada desejado: percevejos de cama, ou bed bug. Se no passado esses pequenos insetos eram encontrados, principalmente, em ambientes de pouca limpeza, hoje eles correm o mundo em malas e roupas. Com a proximidade dos Jogos Olímpicos Rio 2016, o Instituto Biológico (IB-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, alerta como identificar a ocorrência desses insetos. O IB é um dos poucos institutos de pesquisa no Brasil que se dedica a estudar a praga e realiza o monitoramento dos percevejos de cama por meio de um questionário online, que pode ser respondido no site http://www.biologico.sp.gov.br/artigos_ok.php?id_artigo=181
O percevejo de cama é considerado uma praga reemergente no Brasil. Sua ocorrência era comum na década de 1960, principalmente, em pequenas estalagens, onde os viajantes passavam a noite, e em residências mais pobres. Na década de 1990, a ocorrência se restringia a albergues de pessoas de rua, favelas e prisões e estava, geralmente, associada aos ambientes de pouca limpeza. “O uso de inseticidas clorados para controle de vetores da doença de Chagas e febre amarela promoveu, paralelamente, o controle do percevejo de cama”, explica Ana Eugênia de Carvalho Campos, pesquisadora do IB.
Com o passar dos anos, os percevejos de cama voltaram a ser registrados em vários países devido à proibição desses inseticidas clorados por moléculas menos tóxicas ao homem e ao ambiente e as novas tecnologias de aplicação. “Os Estados Unidos, países da Europa e Austrália foram os primeiros a relatar a reemergência do inseto há 15 anos, aproximadamente. Além da mudança no controle da praga, houve aumento significativo das viagens internacionais, o que facilitou a dispersão do inseto para novos continentes, com o agravante de suas populações estarem resistentes ao principal grupo químico utilizado para seu controle, o piretróide. Os primeiros relatos no Brasil ocorreram em 2010”, afirma Ana Eugênia.
Grandes eventos como os Jogos Olímpicos Rio 2016 podem facilitar o fluxo dos percevejos, daí a importância dos viajantes e hotéis estarem preparados para lidar com a praga. Segundo a pesquisadora do IB, os percevejos de cama podem ser levados junto com roupas ou bagagens e há a possibilidade de um hóspede infestar um apartamento de hotel, caso ele traga o inseto. “Os percevejos de cama não ficam na pessoa, mas escondidos em suas roupas e bagagens. Sabendo disso, os hotéis precisam estar atentos ao problema”, explica.
O Instituto Biológico monitorou, por meio de questionário, a ocorrência de percevejos de cama antes e depois da Copa do Mundo 2014 e não registrou aumento nos casos. “No entanto, quanto mais pessoas viajam, mais chances há de ocorrerem novas infestações”, afirma.
IB monitora percevejos de cama no Brasil
O Instituto Biológico monitora desde 2012 os percevejos de cama no Brasil, por meio de um questionário que pode ser preenchido por pessoas comuns que estejam passando pelo problema, ou empresas que controlam a praga. “O intuito é avaliar os locais onde o percevejo tem ocorrido, se a pessoa realizou viagem no exterior e o que vem fazendo para controlar a infestação”, explica Ana Eugênia. Até março de 2016, 357 pessoas comuns e 18 empresas responderam a consulta do IB.
No questionário há um campo onde é possível informar o CEP residencial da pessoa que está sofrendo com o problema, o que facilita na identificação do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do local. “Esta informação é importante para entender se as infestações continuam restritas a regiões mais pobres e socialmente menos favorecidas ou se sua distribuição encontra-se dispersa, em qualquer classe social”, afirma Ana Eugênia.
A cidade com menor índice de IDH relatada no questionário foi a de Francisco Badaró, em Minas Gerais, com IDH 0,622. O bairro da Vila Conceição, na Capital paulista, que apresenta IDH 0,961, foi o local com maior índice registrado no levantamento do IB. “Isso mostra que o inseto não faz distinção entre as classes sociais”, diz a pesquisadora. Apenas 14% das pessoas relataram que fizeram alguma viagem ao exterior, o que, segundo a pesquisadora do IB, indica que a praga já está estabelecida no País.
O que fazer para identificar e eliminar os percevejos de cama?
Segundo a pesquisadora do IB, é necessário inspecionar as camas, colchões e lençóis a cada limpeza no quarto do hotel e ainda nas residências, a fim de verificar a presença dos insetos ou seus vestígios, como marcas pretas nos lençóis e colchões oriundos das fezes dos percevejos. Uma vez encontrados, é preciso que se faça o controle o mais rápido possível, pois as populações do inseto crescem rapidamente. 
“Os percevejos se alimentam de sangue. Em 10 a 15 minutos se satisfazem e voltam a se esconder em locais escuros, como costura do tecido que envolve o colchão, frestas e estrados das camas ou até mesmo nas cabeceiras, criados mudos e atrás de quadros pendurados nas paredes”, afirma. Os insetos podem ainda se abrigar dentro de aparelhos de tomadas e interruptores. “O ideal é inspecionar todos os móveis a 1,5m do local onde as pessoas dormem”, afirma. Segundo Ana Eugênia, nenhum Estado brasileiro está livre de infestações por percevejo de cama. Qualquer ambiente pode ter a ocorrência dos insetos, desde que receba uma fêmea inseminada.
Os percevejos de cama são insetos sem asas, com corpo achatado. Os adultos atingem até sete milímetros de comprimento. “As fases jovens, chamadas de ninfas, são bem menores, dificultando a visualização. A coloração dos insetos é marrom avermelhada, com exceção das ninfas recém-eclodidas dos ovos, que são bem claras antes da primeira alimentação. Geralmente, os insetos ficam juntos uns aos outros, rodeados de fezes”, afirma.
Caso o hóspede não tenha feito essa primeira avaliação, mas percebeu que foi picado durante a noite ou viu os insetos em atividade, ao chegar em casa deve lavar todas as roupas, de preferência em água quente. O aconselhável é levar tudo o que puder a máquina de secar roupa na temperatura máxima por 30 minutos, no mínimo. Caso não possua secadora, é aconselhável deixar as roupas secando a pleno sol e passar a ferro, principalmente nas costuras. “Malas e bolsas podem ser limpas com uma solução de água com detergente, utilizando uma escova dura para remoção de possíveis ovos que tenham sido colocados nos objetos. O ideal é limpar as malas com uma máquina de limpeza a vapor”, explica Ana Eugênia.
A pesquisadora do IB também aconselha a aspiração da casa de duas a três vezes na semana, tomando-se o cuidado de incinerar o saco do aspirador de pó após cada uso. “Diante de infestações altas, é necessária a contratação de uma empresa de controle de pragas urbanas com experiência no controle dos percevejos de cama”, afirma.
Fernanda Domiciano
Assessoria de Imprensa – APTA
(19) 2137-8933

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